Cinco peças a não perder na Casa-Museu Medeiros e Almeida

A Avenida da Liberdade, em Lisboa, possui alguns segredos e o verão é a altura ideal para os descobrir. Um deles é a Casa-Museu Medeiros e Almeida, situada numa transversal, no número 41 da Rua Rosa Araújo.

Cardápio @ 11-8-2017 10:02:34

Fundada pelo empresário de sucesso António de Medeiros e Almeida (1895-1986), que se tornou um colecionador reconhecido no mundo da arte na Europa, esta Casa-Museu apresenta uma eclética coleção de artes decorativas com 2000 peças de várias origens em exposição, que tornam este espaço cultural em Lisboa numa referência internacional.

Aproveite o verão para descobrir, ao longo das 27 salas, estas cinco peças:

Serviço de piquenique

Serviço de piquenique
Jean-Baptiste-Casimire Aucoc (ativo 1839-1856)
Paris (França), 1839-1846
Peças em prata dourada. Estojo em madeira de mogno, bronze, veludo e pele. Mala de viagem em couro e metal.

Nos séculos XVIII e XIX, os piqueniques eram verdadeiros acontecimentos de gala entre as classes mais altas, sendo as refeições servidas com o maior requinte. Acompanhando esta moda surgem estojos próprios para transportar todos os utensílios indispensáveis a este tipo de banquetes.

O conjunto de piquenique da Casa-Museu Medeiros e Almeida é um serviço de quatro talheres em que todas as peças apresentam o monograma LCO encimado por coroa dos Filhos da França, o que nos leva a pensar numa encomenda de (ou para) Louis-Charles d’Orléans, Duque de Nemours (1814-1896), segundo filho varão do Rei Louis-Philippe I de França.

Leque Imperatriz Eugénia de Montijo

Leque Imperatriz Eugénia de Montijo
Edmond Hédouin (1820-1889)
França, 1854
Papel, guache, madrepérola, metal dourado, metal prateado, esmalte e pedraria.

Leque plissado francês que pertenceu à Imperatriz Eugénia do Montijo (1826-1920), esposa de Napoleão III (1808-1873), Imperador de França durante o Segundo Império Francês.

O leque possui uma folha dupla plissada assinada em ambos os lados pelo pintor, gravador e litógrafo francês Edmond Hédouin. No anverso, uma cena de corte num jardim palaciano e no reverso, as armas de Napoleão III e de D. Eugénia.


Relógio de noite

Relógio de noite
Edward East (1602-1697)
Londres (Inglaterra), 1670
Ébano, bronze dourado, latão, metal e vidro

Embora este relógio seja da autoria de Edward East, um dos principais relojoeiros ingleses do século XVII, a invenção dos relógios de noite deve-se aos irmãos Campani que, respondendo ao pedido do Papa Alexandre VII para fabricar um relógio que possibilitasse ver as horas à noite, criam um dispositivo iluminado por uma candeia de azeite que permite a leitura das horas na escuridão.

Segundo descrição do famoso cronista de costumes Samuel Pepys, publicada no seu Diary de 24 de junho de 1664, D. Catarina de Bragança possuía no seu quarto de White Hall um relógio de noite em tudo semelhante ao adquirido, trezentos anos mais tarde, por António de Medeiros e Almeida para integrar a sua coleção.

Adorno de Corpete

Adorno de Corpete
Portugal, final século XVII – início século XVIII
Prata, ouro, diamantes

Em finais do século XVII, a joalharia portuguesa apresentava-se exuberante, consequência da chegada do ouro e das pedras preciosas, em particular diamantes, vindos da Índia.

Esta peça, destinada a ser usada sobre o estômago, apresenta ao centro o monograma AM (Avé Maria) coroado, o que leva a pensar numa eventual oferta à Virgem Maria, rainha de Portugal desde a Restauração da Independência em 1640, após sessenta anos de domínio espanhol. Não raras vezes, peças de joalharia de uso profano foram oferecidas a Nossa Senhora, passando a adornar as imagens em espaços religiosos, como poderá ter sido o caso.

Púlpito Indo-Português

Púlpito Indo-Português
Goa (Índia), 1710-1759
Teca policromada

Desde a chegada dos portugueses a Goa, o afã construtivo e de embelezamento da cidade e a necessidade de conversão encheram Goa de ricas igrejas e palácios passando a cidade a ser conhecida como a ‘Roma do Oriente’ ou a ‘Goa Dourada’. Este púlpito - peça de mobiliário litúrgico destinado à prática do sermão – é um bom exemplo da miscigenação cultural e da fusão da estética europeia e local que permitiu a criação de obras de arte únicas.

O púlpito da Casa-Museu Medeiros e Almeida está incompleto, sendo que recentemente foram descobertas as partes em falta, o espaldar e o baldaquino, ainda in situ na Capela de Nossa Senhora do Monte em Velha Goa.


Informações

Casa-Museu Medeiros e Almeida
Rua Rosa Araújo, 41 – Lisboa www.casa-museumedeirosealmeida.pt
De 2.ª a 6.ª feira das 13h00 às 17h30 | Sábados das 10h00 às 17h30
Encerra aos domingos

Preço: 5 euros por pessoa (entrada gratuita até aos 18 anos).
Entrada gratuita ao sábado de manhã (das 10h00 às 13h00).

Visitas guiadas: 7,5€ por pessoa (necessária marcação através do 21 354 78 92 ou info@casa-museumedeirosealmeida.pt).

Ao 1.º e 3.º sábado de cada mês realiza-se uma visita guiada gratuita de uma hora, com início às 12h00.

Cardápio @ 11-8-2017 10:02:34



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