28/11/2014 a 28/11/2014 Casa-Museu Medeiros e Almeida inaugura exposição "Armas de Sedução - Leques Europeus do Século XVIII ao século XX"

A Sala dos Leques, constituída por uma seleção de 72 leques, narra a evolução histórica deste acessório com a exposição ”Armas de Sedução – Leques europeus do século XVIII ao século XX”. 

cardapio.pt @ 25-11-2014 11:57:10

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Patente de forma permanente a partir de 28 de novembro na Casa-Museu Medeiros e Almeida, em Lisboa, esta exposição apresenta leques representativos de diferentes períodos históricos, culturais, assim como de variadas tipologias estéticas e formais.

A moda é uma arma de sedução e as mulheres sabem-no. O leque foi um acessório imprescindível, símbolo de poder, luxo e sedução, inclusive com uma linguagem própria, que permitia às mulheres comunicar e relacionar-se através de um código com os homens.

António Medeiros e Almeida (1895-1986), fundador da Casa-Museu, constituiu esta coleção de leques durante as últimas duas décadas e meia de vida e dela fazem parte, entre outros, leques que foram pertença da Rainha D. Amélia (1865-1951) e da Imperatriz D. Eugénia do Montijo (1826-1920), esta última esposa de Napoleão III (1808-1873), que governa como Imperador da França de 1852 a 1870, período que seria designado como o Segundo Império Francês.

O leque da Imperatriz D. Eugénia do Montijo encontra-se datado de 1854 e é assinado por Hédouin, célebre pintor, gravador e litógrafo francês. No anverso figura uma cena de corte num jardim palaciano e no reverso as armas de Napoleão III com a águia imperial do Segundo Império Francês (à esquerda) e o brasão de D. Eugénia, exibindo as armas da família Guzman, apelido da avó paterna da imperatriz, de quem herda o último apelido (à direita). As armas dos Imperadores são encimadas por uma coroa, ladeadas por figuras infantis aladas que erguem as suas iniciais (E e N). Trata-se de um exemplo de como as mulheres da realeza afirmavam o seu estatuto, riqueza e linhagem.

Este é um dos leques que o público poderá conhecer através da moderna museografia da sala, que compreende, para além de vitrinas, quatro armários de gavetas com luz própria, oferecendo ao público uma reserva visitável. A exposição tem um caráter didático apresentando os vários elementos constituintes da anatomia do leque, assim como as diferentes tipologias existentes e também a curiosa “Linguagem do Leque” (ver caixa).

O estudo destas peças da coleção de António Medeiros e Almeida foi realizado por Joana Ferreira, mestranda em Museologia, da Universidade Nova de Lisboa, cuja dissertação incide sobre o acervo de leques da Casa-Museu. ”Armas de Sedução – Leques europeus do século XVIII ao século XX” está aberta ao público, assim como toda a coleção permanente da Casa-Museu Medeiros e Almeida, de segunda a sexta-feira, das 13h00 às 17h30, e aos sábados das 10h00 às 17h30, encerrando aos domingos. A entrada tem o preço de 5 euros por pessoa, sendo gratuita até aos 18 anos. As visitas guiadas têm o preço de 6€ por pessoa (necessária marcação através do 21 354 78 92 ou info@casa-museumedeirosealmeida.pt).

A exposição tem entrada gratuita aos sábados entre as 10h00, sendo com visita guiada gratuita às 12h00 no primeiro e no terceiro sábados de cada mês.

ENQUADRAMENTO HISTÓRICO

Para traçar uma história compreensiva do leque ver-nos-íamos compelidos a recuar à pré-história, transpondo uma miríade de mitos e lendas que tratam da sua origem, atravessando a antiguidade, a medievalidade e a renascença até ao advento dos descobrimentos marítimos e da importação das tipologias asiáticas para o mercado europeu, que constituiria o prelúdio para a Idade de Ouro do leque europeu, no século XVIII.

Se primordialmente se tratara de um objeto de cariz funcional, o leque revestir-se-ia desde cedo de associações simbólicas de culto, estatuto e autoridade. E é finalmente a partir do século XVII que o leque viria a estabelecer-se como instrumento indispensável de adorno e representação do sexo feminino, assumindo-se ao longo dos séculos XVIII, XIX e XX como uma autêntica arma de sedução.

LINGUAGEM DO LEQUE

Se levarmos em consideração os numerosos testemunhos literários sobre a “Linguagem do leque”, os seus antecedentes remontam ao século XVII e terá sido primeiramente utilizada em Espanha.

Já no século XIX o célebre éventailiste parisiense Duvelleroy publica uma nova e mais eficaz “Linguagem do leque”, através da qual se transmitiam mensagens de cariz amoroso. Esta seria distribuída sob a forma de um pequeno libreto que acompanhava os leques, de forma a aumentar as suas vendas.

Diferentes versões deste código foram sendo produzidas ao longo do tempo, de forma que, na prática, e ainda que os elementos do sexo masculino se empenhassem em aprendê-lo, ser-lhes-ia virtualmente impossível decifrar corretamente cada nuance dos movimentos e posicionamentos dos leques dos seus interesses amorosos.

cardapio.pt @ 25-11-2014 11:57:10


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