16 obras a concurso no Festival FUSO 2021 revelam a vitalidade da criação artística em Portugal
O FUSO - Anual de Videoarte Internacional de Lisboa está de regresso aos jardins e claustros dos museus de Lisboa, de 25 a 29 de agosto. Além das sessões curatoriais, o festival exibe uma sessão composta pelos vídeos submetidos a concurso, através de uma open call dirigida a artistas portugueses ou a residir em Portugal.
cardapio.pt @ 11-8-2021 09:58:00
Para
esta edição, foram submetidas 220 projetos
de 91 artistas ou coletivos, um número recorde de inscrições, e
selecionados 16
vídeos, que vão ser apresentados na abertura do festival, a 25 de agosto, no MAAT.
Jean-François
Chougnet, diretor artístico do Festival e responsável por
esta seleção afirma: "Nunca
na já substancial história do Fuso, anual de videoarte de Lisboa, o número de
participantes foi maior. Esta é, para além da qualidade necessariamente
variável dos filmes, a prova da vitalidade da criação em Portugal. Pode-se
pensar que neste ano de 2021 haverá um aumento no número de “obras de
confinamento”. No entanto, esta categoria está, à primeira vista, totalmente
ausente das propostas. Numa primeira análise, porque se voltarmos a olhar para
eles, se o confinamento não é um assunto, os temas escolhidos muitas vezes
estão ligados com a relação com o mundo, com o meio ambiente, temas que a
pandemia covid-19 tornou mais significativas e mais angustiantes do que nunca".
As obras selecionadas
Assim, foram selecionadas as seguintes obras: "Equinox" de Bruno Carnide, com ação nos subúrbios de Tóquio; "Rio Negro" de Cristina Ataíde, um vídeo que resulta de um profundo fascínio pelo momento de encontro das águas dos Rios; "La Ermita" um vídeo escrito e realizado por Eduardo Brito, que conta com música de Legendary Tigerman; Ema Ramos apresenta "Sempre achei que fosse uma pessoa de cidade", uma reflexão sobre os seus últimos dois anos; "Quelimane" de Francisco Miguel, uma sinfonia visual que abraça a experimentação, questionando as fronteiras que o vídeo consegue ultrapassar; "Milkshake" de Grégory Le Lay, um olhar crítico à indústria leiteira dos Açores; Helena Inverno, Verónica Castro e Bouchra Ouizguen realizaram "Transhumance", um ponto de confluências das práticas das três artistas (dança, som e imagem em movimento); já Nuno Nunes-Ferreira apresenta "Café Central", com 2500 recortes de jornais em 3 minutos; Paula Albuquerque é a autora de "Wash. Rinse. Repeat.", uma montagem de imagens térmicas, incluindo as geradas por drones bélicos e de vigilância; do artista Pedro Calapez foi selecionada a obra "Entremãos"; Renata Bueno realizou "Coreografia numa pedreira", onde trabalhadores e máquinas mudam a sua rotina e com a artista desenham no espaço uma coreografia; "O caminho ao até" de Sally Santiago usa imagens de arquivo para retratar o processo da confecção do linho, na região de Viseu; "Breathe a Little Bit Faster, now!" de Sara Bernardo inspira-se na obra "1984" de George Orwell; Sofia Arriscado e Costanza Givone realizaram "Lapso", sobre espaço da dúvida e o tempo, e a quedas das fronteiras que separam o interior e o exterior do corpo; "The Factory (bad Machines)" de Susana Anágua é um vídeo realizado a partir dos diálogos do filme "Midnight Express" de Alan Parker; e por fim, "Passagem" de Tânia Dinis, um filme-ensaio sobre o que fica para lá da memória que se perde.
Aos vídeos da open call vão ser atribuídos dois prémios: o Prémio Aquisição Fundação EDP/MAAT para a melhor obra eleita pelo júri presidido por Margarida Chantre (Fundação EDP/MAAT) e o Prémio Incentivo Ar.Co - Centro de Arte e Comunicação Visual, atribuído pelo público, que consiste numa bolsa de estudos para frequência de um ano letivo de "Projeto Individual" no departamento de Cinema/Imagem e Movimento desta escola.
Os vencedores vão ser conhecidos na sessão de encerramento do festival, a 29 de agosto, no Museu da Marioneta, em Lisboa.
Selecionados Open Call 2021
Equinox, Bruno Carnide, 2019, 3’28’’
Rio Negro, Cristina Ataíde, 2020, 8’14’’
La Ermita, Eduardo Brito, 2021, 4’10’’
Sempre achei que fosse uma pessoa de Cidade, Ema Ramos, 1’26’’, 2021
Quelimane, Francisco Miguel, 2019, 4’08’’
Milk shake, Grégory Le Lay, 2020, 3’28’’
Transhumance, Helena Inverno, Verónica Castro e Bouchra Ouizguen, 2019, 7’14’’
Café Central, Nuno Nunes-Ferreira, 2021, 3’
Wash. Rinse. Repeat., Paula Albuquerque, 2020, 8’25’’
Entremãos, Pedro Calapez, 2021, 5’1’’
Coreografia numa Pedreira, Renata Bueno, 2021, 1’18’’
O caminho ao até, Sally Santiago, 2020, 4’48’'
Breathe a Little Bit Faster, now! , Sara Bernardo, 2021, 5’53’’
Lapso, Sofia Arriscado e Costanza Givone, 2021, 9’24’’
The Factory (bad Machines), Susana Anágua, 2019, 2’17’’
Passagem, Tânia Dinis, 2021, 7’20’’cardapio.pt @ 11-8-2021 09:58:00
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