28/4/2016 a 28/4/2016
Visita orientada: "A Xilogravura na Colecção Kwok On" no Museu do Oriente
O Museu do Oriente propõe uma visita às reservas da colecção Kwok On para dar a conhecer a xilogravura da China, do Japão e do Vietname, sua história, técnicas e temas. Para além de inúmeros exemplares de xilogravuras, poderá ainda ver matrizes em madeira usadas no processo de impressão.
cardapio.pt @ 18-3-2016 13:15:12
Sobre a Xilogravura na Ásia
A cópia por decalque e a ampla distribuição dos conteúdos de textos epigráficos e dos relevos sagrados, outrora restritos aos suportes de pedra, surge na China com a introdução do papel. A pedra esculpida é, a seu tempo, substituída por outros modos de compor imagens, como os murais pintados e as matrizes de madeira. A facilidade com que a xilogravura permite a reprodução de uma imagem permitiu-lhe a difusão e consolidação de identidades culturais, veiculando e reproduzindo um corpo narrativo secular e religioso, com episódios mitológicos, cosmogónicos, lendas populares, identificando festividades cíclicas e diferentes tipos de performances.
Com a difusão do budismo chinês para o Japão seguem também os seus instrumentos para propiciar o culto, o que nos lembra que a xilogravura japonesa teve um processo paralelo ao chinês e não constituiu uma novidade do período Edo. Estava já a uso há centenas de anos, primeiro para a propagação de textos budistas, mais tarde para a ilustração de obras literárias. A policromia, introduzida na gravura chinesa no século XIV, que não provoca entusiasmo entre os letrados, é central na xilogravura popular chinesa e no período áureo da xilogravura japonesa.
No Japão, a xilogravura só se emancipa do seu papel secundário, subordinado à ilustração de textos, no século XVII, com a publicação das gravuras soltas de Hishikawa Moronobu. Ukiyo-e, cuja expressão literal é retrato do mundo flutuante é também designação de uma escola japonesa de pintura e gravura, de meados do século XVI, um período de desassossego político e social. E se, outrora, no Japão medieval, a expressão budista mundo flutuante significava mundo transitório ou mundo incerto, para os cidadãos japoneses do século XVII, a expressão ganha contornos hedonistas. Indica um novo estilo de vida ligado ao prazer e um olhar atento ao ambiente do dia-a-dia e ao mundo do entretenimento.
Do Vietname, destacam-se as xilogravuras Dong Ho e Hang Trong, cujos locais de origem têm designações homónimas. As Dong Ho reflectem o mundo rural da aldeia de origem, onde os camponeses se dedicavam a esta prática durante o pousio. A técnica e conteúdos eram geracionalmente transmitidos e as imagens representam o quotidiano, histórias populares e temas satíricos. As Hang Trong, realizadas por artesãos na cidade, representam, além das alegorias populares, símbolos culturais e espirituais que se destacam pelos motivos de influência budista e taoista. Os mundos destes dois estilos de xilogravuras, de diferentes regiões, unem-se por altura das celebrações do Tet, ou ano novo lunar. Na preparação das casas de família para o evento, não pode faltar a colocação das Dong Ho e das Hang Trong, para protecção, votos e decoração.
Constança Arouca concluiu em 2004 o Curso Avançado em Artes Plásticas e, no ano seguinte, o Projecto Individual no Curso de Imagem em Movimento, ambos no Ar.Co. Em 2012 concluiu a pós-graduação de Antropologia – Culturas Visuais, na FCSH da Universidade Nova de Lisboa.
Mais informações e inscrições aqui.
INFORMAÇÕES
Local: Museu do Oriente, Lisboa
Data: 28 de Abril de 2016
Horário: 15h00 às 17h00
Preço: 12 Euros
Público-alvo: maiores de 16 anos
Participantes: Mín.10, Máx. 12
cardapio.pt @ 18-3-2016 13:15:12
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