Fundação de Serralves recebe Arquivo da coreógrafa Vera Mantero

São milhares de itens que documentam 37 anos de trabalho da artista entre 1987 e 2024

A Fundação de Serralves vai receber o arquivo da coreógrafa, performer e investigadora Vera Mantero (n. 1966), que integra uma coleção audiovisual com décadas de atividade artística e formativa, bem como o seu importante acervo fotográfico, documental e bibliográfico. O corpo de trabalho de Mantero e da sua estrutura de produção O Rumo do Fumo, amplamente reconhecido, espelha influências filosóficas, científicas, políticas, literárias e das artes visuais que perpassam as suas performances, filmes, conferências dançadas e ensaios críticos.

cardapio.pt @ 20-11-2024 14:57:45

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A assinatura do contrato de doação, entre a  artista e Serralves, foi concretizada, no dia 19 de novembro, no Museu de Serralves, numa cerimónia em que esteve presente Vera Mantero, Ana Pinho, presidente do Conselho de Administração da Fundação de Serralves, e Philippe Vergne, diretor do Museu de Serralves.

O Arquivo Vera Mantero reúne milhares de itens que documentam 37 anos  de trabalho da artista entre 1987 e 2024, abrangendo cerca de 80 obras originais – entre solos, cocriações com mais de uma centena de outros criadores e artistas, nacionais e internacionais, peças de dança e apresentações multidisciplinares. Este arquivo ficará depositado em Serralves e incorpora documentação fílmica e fotográfica, publicações, ensaios, notas de trabalho, críticas e textos filosóficos sobre o trabalho de Mantero, que permitirão aos públicos, pela primeira vez, contextualizar e revisitar em perspetiva a produção artística desta autora multifacetada.

A doação permitirá à Fundação de Serralves a pesquisa, preservação e divulgação de um Arquivo que é património substancial da História da Dança Contemporânea e da Performance em Portugal. Adicionalmente, a doação afirma o papel do Museu de Serralves enquanto lugar de memória – também das artes imateriais –, e de produção de conhecimento nesta área.

O Arquivo Vera Mantero será objeto de tratamento, estudo e divulgação através de diversas iniciativas, como exposições, conferências, apresentações e atividades educativas, realizadas dentro e fora de Serralves, consolidando-se como uma fonte de conhecimento artístico, científico e histórico, com uma contribuição significativa para o enriquecimento cultural das gerações presentes e futuras.

A Fundação de Serralves é detentora de uma coleção de arte de grande relevância internacional, com cerca de cinco mil peças, entre obras de sua propriedade e obras em depósito de longa duração provenientes de várias coleções públicas e privadas. Serralves possui também uma das mais importantes coleções de livros e edições de artista da Europa e detém outros relevantes acervos e arquivos nas áreas das artes plásticas, do cinema e da arquitetura. A doação do arquivo de Vera Mantero, agora concretizada, destaca o potencial – reforçado pela inauguração da nova Ala Álvaro Siza, em 2023 – de fixação em Serralves de novos espólios artísticos de impacto internacional.

O Arquivo Vera Mantero torna-se, assim, um importante pilar e fonte de referência para a reconstrução da história das Artes Performativas, uma área intrinsecamente ligada à Fundação de Serralves desde a sua fundação. 

O acervo irá juntar-se a um relevante conjunto de Arquivos já depositados em Serralves, como o Arquivo Álvaro Siza, o Arquivo Álvaro Siza/Carlos Castanheira, o Arquivo Tereza Siza, o Arquivo Manoel de Oliveira, o Arquivo Julião Sarmento, o Arquivo Atelier RE.AL de João Fiadeiro, o Arquivo Fernando Guerra,  o Arquivo António Mendes, entre outros.

Vera Mantero e Serralves

A relação de Vera Mantero com Serralves é longa, destacando-se a sua participação na programação inaugural do Museu em 1999 e em iniciativas marcantes, como O que a minha dança diz, o ciclo que Serralves lhe dedicou entre junho de 2022 e novembro de 2023.

Com a integração deste arquivo, o Museu de Serralves, pioneiro na transdisciplinaridade e no constante cruzamento entre as artes visuais e as artes performativas, reafirma o seu papel como plataforma central das artes performativas no contexto internacional. Simultaneamente, assume-se como um espaço de memória – incluindo das artes imateriais – e de produção de conhecimento. 

O Arquivo Vera Mantero torna-se, assim, um importante pilar e fonte de referência para a reconstrução da história das Artes Performativas, uma área intrinsecamente ligada a Serralves desde a sua fundação.

Sobre Vera Mantero

Nasceu em Lisboa, em 1966. Estudou dança clássica com Anna Mascolo e integrou o Ballet Gulbenkian entre 1984 e 1989. Tornou-se um dos nomes centrais da Nova Dança Portuguesa, tendo iniciado a sua carreira coreográfica em 1987 e mostrado o seu trabalho por toda a Europa, Argentina, Uruguai, Brasil, Canadá, Coreia do Sul, EUA e Singapura.

O seu trabalho artístico tem sido amplamente reconhecido, com prémios institucionais como o Prémio Almada do Ministério da Cultura (2002) ou o Prémio Gulbenkian Arte pela sua carreira como criadora e intérprete (2009).

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