30/10/2025 a 31/1/2026 Serralves - Um ano de fotografias no Parque mostradas em livro e exposição

Até 31 de janeiro de 2026

A Fundação de Serralves apresenta um ano no parque, uma exposição de fotografia de Jorge Sarmento, a partir do livro homónimo, que resulta de uma experiência que recolheu 366 fotografias no Parque de Serralves. O projeto regista, em imagem, a biodiversidade do Parque e a passagem das estações, revelando a transformação cíclica da Natureza ao longo de um ano. Com uma instalação visual que conjuga fotografia, som, projeção e elementos materiais do próprio Parque, a exposição  é uma homenagem ao Parque de Serralves enquanto entidade viva e guardiã de memórias, propondo um diálogo entre a matéria e o intangível, entre o processo criativo e o ato de observação.

cardapio.pt @ 29-10-2025 17:39:20

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O percurso expositivo assenta numa dualidade entre o livro e o que dele se desprende. De um lado, a presença física do objeto, o livro impresso, apresentado em forma de fita de Möbius, evocando o ciclo contínuo da Natureza e um tempo sem princípio nem fim. Do outro, a exposição abre-se ao espaço e ao tempo, revelando aquilo que escapa à página: as marcas, os resíduos, os reflexos e os múltiplos olhares possíveis sobre uma realidade em constante reinvenção.

No Celeiro, uma fita de Möbius apresenta o livro em forma contínua e suspensa, convidando à leitura visual ininterrupta do tempo através do livro reescrito: páginas encadeadas em sequência, sem início nem fim, nem dentro nem fora, num percurso suspenso dobrado sobre si mesmo.

A fita flutua no espaço, sustentada por fios quase invisíveis, elevando-se à altura do olhar e da atenção.

Como no livro, o tempo desenrola-se imagem a imagem, memória a memória, em que o caminho se prolonga, contínuo, num ciclo onde cada regresso é também uma partida.

No Lagar, o livro é apresentado em negativo através de chapas tipográficas dispostas em quadricromia, que revelam a fragmentação da imagem e sugerem o que escapa à perceção humana.

Nas paredes, as chapas repetem-se como um painel de azulejos, evocando o ciclo contínuo do processo de impressão, enquanto uma sequência genética da Drosophila melanogaster inscrita nas tintas tipográficas estabelece uma ligação simbólica entre vida e técnica.

No centro da sala, as 366 fotografias do livro são projetadas sobre uma tela translúcida, permeável ao espaço e ao tempo do visitante.

Um lagar contém mil litros de água do Parque — símbolo da matéria e do processo de criação — onde se projetam imagens aquáticas que se transformam com o movimento.

O outro reúne resíduos de produção e matéria orgânica recolhida no Parque, transformando o refugo em matéria expositiva que preserva a memória do seu percurso.

Mais do que um registo documental, um ano no parque é um convite à contemplação do tempo, da Natureza e da memória através da fotografia. As imagens e os textos que dão origem à exposição exploram o silêncio e a subtileza da paisagem, desvendando a beleza imprevisível e efémera que o olhar atento do fotógrafo soube capturar.

A exposição um ano no parque é organizada pela Fundação Serralves — Parque de Serralves, com fotografia de Jorge Sarmento e coordenação de Marta Tavares. A conceção e o desenho expositivo são de Paula Lopes e Ricardo Lopes.

Fotografia ©Magda de Carvalho - Fundação de Serralves

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