2,8 milhões de Euros em 2015 para recuperar o Palácio de Queluz

A Parques de Sintra arrancou em janeiro com as intervenções necessárias para a recuperação do Palácio Nacional e Jardins de Queluz, com um investimento global de cerca de 2,8 milhões de Euros.

@ 22-1-2015 18:30:17

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Estas incluem, no Palácio, a recuperação de fachadas, cantarias, vãos, coberturas, a revisão das infraestruturas de energia e comunicações, bem como a proteção contra descargas atmosféricas, o sistema de videovigilância, a ligação dos esgotos à rede pública e ainda a requalificação do piso térreo, inacabado desde a reconstrução após o incêndio de 1934, para a disponibilização de uma cafetaria, auditório e espaço de apoio para eventos, naquele que é um dos Palácios Nacionais mais procurados para este efeito. No que respeita aos jardins, cujas intervenções estão ainda sujeitas a apreciação por parte da Direção Geral do Património Cultural, os projetos previstos abrangem a recuperação do Jardim de Malta, a reconstituição do Jardim Botânico, e ainda a recuperação da Cascata, bosquetes e caminhos, a revisão e melhoria do sistema de águas (tanto ao nível das fontes, tanques e lagos, como da rega) e novas plantações para proteger as vistas de quem se encontra no interior do Jardim.


O Palácio Nacional de Queluz e os seus jardins históricos constituem um dos exemplos mais extraordinários da ligação harmoniosa entre paisagem e arquitetura palaciana em Portugal, refletindo o gosto da corte nos séculos XVIII e XIX (período marcado pelo barroco, o rococó e o neoclassicismo). Em 1934 o Palácio foi alvo de um incêndio que o destruiu parcialmente, tendo sido feitas várias obras de reconstrução nessa altura.

O diagnóstico do estado de conservação do Palácio e Jardins, efetuado logo após a Parques de Sintra ter recebido a gestão do Palácio Nacional de Queluz (no final de 2012), confirmou o elevado estado geral de degradação do conjunto, devido à carência quase total de investimentos.

Foram então analisadas as áreas a necessitar de recuperação, inclusive com o apoio de especialistas (nomeadamente da Direção-Geral do Património Cultural e do Instituto Superior Técnico); desenvolvidos/adaptados os projetos detalhados de intervenção e lançados os concursos para seleção das empresas de recuperação, no que respeita aos trabalhos no Palácio.

Arrancam agora os trabalhos no Palácio, tendo como objetivo a sua conclusão até ao verão de 2015 (o que permitirá apresentar o Palácio recuperado ainda durante a época alta), e terão também início este ano as intervenções nos jardins.

Os trabalhos em causa não irão implicar em nenhum momento a interrupção dos percursos de visita, pretendendo-se, pelo contrário, e de acordo com a política habitual de “ Aberto para Obras ” da Parques de Sintra, que os visitantes acompanhem o progresso das intervenções. Será portanto possível, dentro do respeito pelas regras de segurança, assistir aos trabalhos, bem como aceder a informação sobre os mesmos e, dessa forma, melhor avaliar e reconhecer o esforço necessário para a intervenção em espaços com este tipo de sensibilidade e relevância histórica.

Áreas de intervenção :

Serão recuperadas as coberturas da Sala de Jantar e do Pavilhão Robillion/Sala dos Embaixadores (Quarto D. Quixote e da Princesa Carlota Joaquina, Salas das Merendas, do Toucador, das Açafatas e dos Despachos, e Sala dos Embaixadores), espaços que não são intervencionados desde o incêndio. A estrutura de suporte das telhas, composta por lajes aligeiradas de tijolos armados e argamassados, encontra-se em avançado estado de deterioração e será completamente substituída por madres e varas de madeira. Rever-se-á o sistema de drenagem de águas (cujos problemas atuais potenciam infiltrações), substituindo as caleiras, introduzindo uma nova janela de acesso às coberturas e melhorias na ventilação natural.

Os tetos, de madeira, serão limpos por aspiração, alvo de tratamento curativo e preventivo (contra fungos e insetos xilófagos) e de verniz ignífugo para aumento da resistência ao fogo.

A intervenção será acompanhada da revisão das infraestruturas de energia e comunicações existentes nos sótãos, bem como da substituição do sistema de proteção contra descargas atmosféricas , passando este a incluir dois novos para-raios, protegendo todo o Palácio, em vez de apenas uma parte.

Para a recuperação das fachadas , que ao longo dos tempos foram pintadas com cores e tons diferentes, foi realizado um aprofundado estudo e discussão, acompanhado de análises laboratoriais, investigação documental, desenhos e fotografias antigas, concluindo-se que o Palácio Nacional de Queluz era azul. Pretende-se portanto restituir a harmonia de cores nos alçados virados aos jardins, ensaiando materiais, técnicas e composições decorativas (molduras e fingimentos) numa das fachadas, que será depois avaliada para solução idêntica nas restantes.

Relativamente à recuperação das cantarias , esta incluirá a remoção de fungos, o tratamento de juntas, bem como a consolidação e reposição de outros elementos. Também as janelas e portas das fachadas do Palácio viradas aos jardins serão alvo de intervenção (tratando-se de elementos essenciais para a segurança e condições no ambiente interior), obedecendo a regras específicas, tendo em conta o edifício histórico em que se inserem. Foi conduzida uma avaliação geral do estado de conservação, registando-se que as caixilharias apresentam problemas de conservação, por apodrecimento das madeiras, e também as ferragens e os gradeamentos metálicos das varandas estão em situação de degradação.

Definiram-se as soluções técnicas a aplicar, tendo em conta critérios como o respeito pela autenticidade dos objetos originais e a compatibilidade com os materiais pré-existentes, substituindo-se apenas os que não seja possível recuperar por não incluírem matéria suficiente ou o estado de degradação ser demasiado elevado.

A intervenção de adaptação dos pisos térreos do Pavilhão Robillion e Sala dos Embaixadores (fechados ao público desde a reconstrução após o incêndio de 1934) pretende que estes passem a funcionar como cafetaria, auditório e apoio a eventos . Envolverá a instalação de uma zona de cafetaria aberta ao público em geral, com esplanada (incluindo elevador para acesso de pessoas com mobilidade reduzida), e outra para acolher eventos e conferências, garantindo desempenho e segurança mas conservando os elementos arquitetónicos e decorativos fundamentais do edifício, com o mínimo de alterações estruturais. Uma das salas deste piso dará lugar a um auditório polivalente e outra a um espaço de refeições, habilitando o Palácio a receber eventos durante o período de abertura ao público.

A renovação do sistema de videovigilância , que integrará o sistema geral de CCTV da Parques de Sintra, incluirá neste local cerca de 50 câmaras digitais de alta resolução. Cobrirá todo o perímetro do Palácio e Jardins, integrando deteção de movimento e remoção de objetos no interior. Pretende-se assim garantir a segurança dos bens e visitantes, tanto no interior do Palácio como nos jardins, bem como monitorizar incidências, garantindo auxílio em situações de emergência.    

Ainda no Palácio, será executada a ligação da rede de águas residuais à rede pública de saneamento, eliminando as diversas situações atuais de escoamento para o Rio Jamor.

A iluminação das fachadas e dos jardins visa beneficiar o usufruto do Palácio e Jardins em atividades fora do horário normal de abertura. A instalação com tecnologia LED será discreta, ao nível do pavimento, aumentando o número de focos mas reduzindo a sua potência, de forma a beneficiar a leitura cénica do espaço.

Os jardins Botânico e de Malta serão também alvo de intervenção, com vista à recuperação da sua estrutura e composição original enquanto jardins setecentistas. Para tal, foi analisado o enquadramento histórico e o contexto dos jardins europeus da época (nomeadamente o traçado), bem como toda a evolução que sofreram até à atualidade. Procedeu-se também à recolha e análise de vários elementos dispersos pelos jardins e que ainda restam, tais como troços de balaustrada, lagos, cantarias e lajes. Estes projetos têm sido acompanhados por sondagens arqueológicas, que têm apoiado as tomadas de decisão. Juntamente com a investigação bibliográfica, este trabalho permitiu a produção de plantas de reconstituição dos jardins setecentistas. A Parques de Sintra pretende agora reconstituir os jardins, devolvendo-lhes o caráter lúdico e interpretativo originais, respeitando a sua composição e relação com a envolvente.

O Jardim Botânico foi destruído na cheia de 1983, que derrubou a maior parte das estruturas, e depois da qual o espaço foi adaptado para picadeiro de treino e apresentações da Escola Portuguesa de Arte Equestre. Prevê-se agora a reconstrução das 4 estufas originais, da estrutura da Casa Chinesa (originalmente para cultivo de plantas orientais), reposição do Lago, das balaustradas, dos pavimentos e canteiros. Proceder-se-á a trabalhos de conservação e restauro de azulejos, elementos de pedra, balaustradas, bancos e alegretes. Serão plantados os canteiros ornamentados, os canteiros botânicos e os canteiros centrais das estufas, bem com as floreiras dos alegretes. Também a rede de infraestruturas será dimensionada para dar resposta às necessidades ao nível da energia, abastecimento de água e drenagem.

O Jardim de Malta , um dos mais importantes no conjunto de jardins do Palácio de Queluz, será igualmente objeto de recuperação. Ao longo do tempo foi alterado ao nível das plantações, configuração decorativa, esculturas e lagos. A intervenção neste espaço prevê a remoção e transplante da vegetação existente, integrando-a, sempre que possível, noutras áreas do jardim; a reposição dos 4 grupos de esculturas e conchas dos lagos; a substituição do pavimento atual e revisão do sistema de drenagem; a consolidação e conservação das esculturas, pedestais, balaustradas e cantarias; a reformulação do sistema de rega resolvendo problemas de pressão e entupimento; e a iluminação das zonas de circulação, elementos decorativos e envolvente. No que respeita a plantações, pretende-se reconstituir o desenho original plantando novas sebes (as atuais serão transplantadas e reutilizadas no jardim), introduzir novos elementos topiados e eliminar os elementos arbóreos que não pertencem à estrutura original.

Além das intervenções nestes dois jardins, a Parques de Sintra pretende também proceder ao restauro da cascata, recuperação dos bosquetes e caminhos do jardim; rever e melhorar o sistema de águas no que diz respeito a fontes, lagos e à rega, e ainda proceder a plantações com o objetivo de proteger as vistas a partir do jardim.

@ 22-1-2015 18:30:17


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