31/1/2015 a 31/1/2015 “La vida es sonho”, de Pedro Calderón de la Barca, em cena no Centro Cultural Vila Flor

No próximo sábado, 31 de janeiro, às 22h00, o Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, recebe a peça “La vida es sonho”, clássico de Pedro Calderón de la Barca, expoente máximo do Século de Ouro espanhol. 

cardapio.pt @ 26-1-2015 11:01:39

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A peça que agora nos é apresentada resulta de um encontro entre vários mundos e de um encontro entre duas companhias: a de João Garcia Miguel e o Teatro Oficina.

O que Pedro Calderón de la Barca propõe, acima de tudo, é uma peça de teatro que desenvolve uma ideia com muitas ramificações e uma potência de mudarmos o mundo e a nós mesmos. Tudo isto está contido no maravilhoso título que é um poema: A vida é sonho. Afirmação e interrogação sobrepõem-se nesta frase poema de forma a erigir um edifício filosófico, uma verdadeira doutrina existencial. “A questão do sonho é fundamental, como uma matéria importante para o que somos, para a vida, o dia a dia, para nos reinventarmos”, explica assim João Garcia Miguel a vontade para materializar este texto. Uma obra que levanta as questões da época barroca com cenário e encenação dos dias de hoje.

“La vida es sonho” mistura no título o português e o castelhano numa alusão ibérica e europeísta, mas remetendo também a um tempo em que Portugal e Espanha eram um só império. “Este A Vida é Sonho, escrito ainda por cima numa Espanha que então também incluía Portugal, parece-me um sonho muito ibérico acerca de um território encurralado numa ponta da Europa que atualmente já nem sabe de que língua é. É um desafio pegar nesta história do teatro que se tornou já literatura e ir lá reconhecer temas que têm muito a ver com a genealogia do meu teatro, como a questão da liberdade interior e da relação com o mundo e com os outros, que me apaixonam”, justifica o encenador.

Apesar dos séculos que nos separam da estreia desta peça, a sua atualidade persiste. Um clássico que levanta várias questões filosóficas, muito antes de Freud vir desconstruir as complexidades do entendimento humano. A história de um pai que tranca o seu filho, Segismundo, numa torre por temer a concretização de uma profecia que diz que ele morrerá aos pés do seu descendente. Um pai que, temendo o seu futuro, priva o filho da própria vida. Uma obra que confronta os instintos e a natureza humana. Questões como o medo, a solidão, a sobrevivência e a liberdade estão bem plasmados nos conflitos interiores das personagens. E depois o sonho, o sonho que salva, o sonho que faz viver, como afirma o próprio Segismundo “Só isto não tem fim, o sonhar e o viver (…). O viver é sonhar (…). Todo o homem que vive sonha o que é enquanto não desperta.”.

Dirigida e encenada por João Garcia Miguel, “La vida es sonho” é uma coprodução da Companhia João Garcia Miguel, do Teatro Oficina e do Teatro-Cine de Torres Vedras. A peça conta com a codireção e adaptação de texto de Marcos Barbosa, diretor artístico do Teatro Oficina. Através deste texto, as companhias envolvidas chegam a um desejo de poder construir uma peça que seja como um exorcismo. Além de tudo isto, esta peça é um encontro entre vários mundos. É um encontro entre duas companhias, que trabalham de formas muito diferentes. Cabem nesta peça por tudo isto, muitas outras peças. Uma peça política, uma peça religiosa, contrarreformista e revolucionária, em verso e às vezes em prosa, onde cada coisa é o avesso de si própria. Uma peça que é lirismo filosófico. Uma peça que faz supor que pensar é arriscar a vida – o que é nos dias que correm, uma séria possibilidade – um risco de poder estar a modificar a realidade. E isso já é uma razão para um brutal otimismo.

cardapio.pt @ 26-1-2015 11:01:39

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