9/3/2017 a 31/3/2017
TNSJ assinala Dia Mundial do Teatro com ciclo de Romeo Castellucci
Para celebrar o Dia Mundial do Teatro, que se assinala a 27 de março, o Teatro Nacional São João, no Porto, promove várias iniciativas, com destaque para o ciclo dedicado a Romeo Castellucci, encenador que tem tido um papel fundamental na vanguarda teatral europeia e que regressa aos espaços do TNSJ duas décadas após a sua estreia no PoNTI.
cardapio.pt @ 7-3-2017 11:59:48
No Dia Mundial do Teatro, a investigadora teatral Alexandra Moreira da Silva orienta um seminário sobre a estética do encenador italiano. No dia seguinte, 28 de março, é o próprio Romeo Castellucci que dirige uma masterclass onde falará do seu processo dramatúrgico. Ambas as iniciativas decorrem no Mosteiro de São Bento da Vitória (MSBV) e começam às 15h00, sendo que as inscrições devem ser feitas através do e-mail rp@tnsj.pt ou do número 22 340 19 56.
O ciclo sobre Romeo Castellucci termina com a apresentação de Júlio César – Peças Soltas, uma intervenção dramática sobre William Shakespeare integrada no BoCA – Biennial of Contemporary Arts. Produzido originalmente em 1997, o espetáculo trata-se de uma cirúrgica operação teatral sobre a tragédia do “bardo” e das suas personagens. Júlio César – Peças Soltas está em cena no Mosteiro de São Bento da Vitória, nos dias 30 e 31 de março, com récitas às 17h00 e às 21h00. O preço dos bilhetes é de 10 euros.
Viagem gratuita até aos bastidores do teatro e feirinha do livro
No Dia Mundial do Teatro vai ser ainda possível descobrir, de forma gratuita, a “máquina teatral” que permite a realização dos espetáculos que constam do programa do Teatro Nacional São João. Durante o dia, em três horários diferentes, vão ser promovidas visitas guiadas gratuitas ao TNSJ (10h00, 12h30 e 15h00) e ao Mosteiro de São Bento da Vitória (10h00, 12h00 e 15h00) permitindo conhecer a história e curiosidades destes dois edifícios emblemáticos. Durante a “viagem” ao MSBV, vai ser ainda possível descobrir a exposição Noites Brancas que propõe uma travessia a toda a volta do corredor superior do Mosteiro São Bento da Vitória por territórios cénicos das mais importantes produções do Teatro Nacional São João.
As visitas terão tradução em inglês, francês e espanhol, bem como um videoguia em Língua Gestual Portuguesa, para tornar a iniciativa acessível a todos os públicos. Como forma de celebração desta efeméride, e porque o teatro também se faz de grandes textos e dramaturgos, a instituição organiza uma Feira do Livro de Teatro que arranca no Dia Mundial do Teatro e se prolonga até dia 31 de março e na qual podem ser encontrados os livros editados ou coeditados pelo TNSJ nos últimos anos com descontos até 60 por cento. A iniciativa decorre no foyer do Teatro Nacional São João (no Dia Mundial do Teatro, entre as 10h00 e as 19h00; nos restantes dias, entre as 13h00 e as 19h00) e no átrio do Mosteiro de São Bento da Vitória (a 27 de março, entre as 10h00 e as 13h00 e entre as 14h00 e as 18h00 e, nos dias seguintes, entre as 14h00 e as 18h00).
Estreia: Nuno Cardoso encena Veraneantes de Maksim Gorki
Ainda em março, os espaços de programação geridos pelo Teatro Nacional São João acolhem três espetáculos, com destaque para a estreia de Veraneantes de Maksim Gorki. Com encenação de Nuno Cardoso, a peça coloca em cena personagens espertas e ociosas que levam a vida como se esta fosse uma espécie de mercado, onde se enganam uns aos outros, tentando ter a maior vantagem na troca de experiências. Veraneantes pode ser vista a partir de quinta-feira, dia 9, até 18 de março, no TNSJ.
Pinocchio: O jogo das grandes verdades e das grandes mentiras
Já entre os dias 15 e 19 de março, Pinocchio sobe à cena no Teatro Carlos Alberto (TeCA), uma adaptação do clássico de Carlo Collodi numa encenação de Bruno Bravo. Na história do italiano joga-se ao jogo das verdades e das mentiras e aborda-se o terror noturno sobre a exaltação da vida e das dores de crescimento e da infância, onde tudo é tão impreciso e disforme que desconfiamos de lá ter estado. Importa referir que Pinocchio é uma substituição d’As Confissões, espetáculo que estava previsto estrear nesta data, mas que foi cancelado pela companhia As Boas Raparigas.
Anna Karénina, por Tiago Rodrigues, vai habitar o TNSJ
Como Ela Morre, que se estreará a 9 de março no Teatro Nacional D. Maria II, é a mais recente criação de Tiago Rodrigues e “viajará” até ao TNSJ entre os dias 22 e 25 de março. A partir de Anna Karénina, o espetáculo é uma releitura da obra-prima de Liev Tolstói e conta com a interpretação de dois atores portugueses (Isabel Abreu e Pedro Gil) e dois performers belgas da tg STAN – companhia que coproduz o espetáculo –, cujas vidas foram “transformadas” pelo romance.
2ª parte - Dia Mundial do Teatro
Dia Mundial do Teatro - 27 Março
E se fazer teatro fosse apenas um pretexto para o prazer de ler e falar sobre ele, para o gesto de o lembrar e celebrar? Ao longo do Dia Mundial do Teatro, a partir das 10:00, convidamos os nossos espectadores a demandar-nos de modos diversos: Teatro Nacional São João e Mosteiro de São Bento da Vitória abrem-se para três Visitas Guiadas de entrada gratuita, dando ainda acesso (no caso das visitas ao MSBV) à exposição Noites Brancas, uma travessia por territórios cénicos que fazem a memória deste teatro, integrando cenários, figurinos, adereços, vídeos, fotografias e cartazes. Também pela manhã, no foyer do TNSJ e no átrio do MSBV, tem início uma Feira do Livro de Teatro que se prolonga até sexta-feira, na qual poderão ser encontrados os livros editados e coeditados pelo TNSJ nos últimos anos com descontos até 60%. À tarde, Alexandra Moreira da Silva – professora e ensaísta que vem realizando um dos percursos mais consistentes e ousados no campo da investigação teatral – aborda os limites do teatro ao falar-nos de um criador que tem feito do palco o lugar onde só o irrepresentável é digno de ser representado: Romeo Castellucci.
Programação
Fazer mundo com o espanto dos mundos: Romeo Castellucci e a criação
partilhada
seminário com Alexandra Moreira da Silva
Local: MSBV - Sala do Tribunal
Horário: 15:00-18:30
Inscrição prévia (oficinas@tnsj.pt)
Preço: Entrada gratuita até ao limite da lotação
Visitas Guiadas
Mosteiro de São Bento da Vitória + Exposição Noites Brancas
Horários: 10:00 + 12:00 + 15:00
Teatro Nacional São João
Horários: 10:00 + 12:30 + 15:00
Feira do Livro de Teatro
Local: Mosteiro de São Bento da Vitória
Horários: 27 março - 10:00-13:00 + 14:00-18:00 | 28-31 março 14:00-18:00
Local: Teatro Nacional São João
Horários: 27 março - 10:00-19:00 | 28-31 março -13:00-19:00
3ª parte - Veraneantes
Veraneantes
de Maksim Gorki
encenação Nuno Cardoso
tradução António Pescada
cenografia F. Ribeiro
desenho de luz José Álvaro Correia
música e sonoplastia Pedro Lima
movimento Marco da Silva Ferreira
assistência de encenação Pedro Jordão
produção executiva Sandra Carneiro
interpretação Afonso Santos, António Parra, Carolina Amaral, Cristina Carvalhal, Dinarte Branco, Iris Cayatte, João Melo, Joana Carvalho, Margarida Carvalho, Maria João Pinho, Mário Santos, Nuno Nunes, Pedro Frias, Rodrigo Santos, Sérgio Sá Cunha
coprodução Ao Cabo Teatro, Centro Cultural Vila Flor, Teatro Nacional D. Maria II, TNSJ
Informações
Datas: 12 de Março de 2017
Horário: 16h00
Preço: € 7,50 – € 16,00
Duração aproximada: 2:40 com intervalo
M/12 anos
English subtitles
Língua Gestual Portuguesa
Oficina Criativa
“À nossa volta só se vê o detestável rebuliço da ociosidade.” Estamos em 1904, no verão do descontentamento de quinze personagens espertas e ociosas, monstros infelizes mas bem vestidos, tagarelas compulsivos, criaturas tragicamente incapazes de viver. Levam uma vida que é uma espécie de mercado, onde se enganam uns aos outros, dando o mínimo, recebendo o máximo. No mundo confuso e claustrofóbico de Veraneantes, todos se colocam uma pergunta com a atualidade de séculos: “Como hei de eu viver?” Maksim Gorki escreveu a peça na antecâmara da sangrenta revolta de 1905, que abriria caminho à Revolução Bolchevique de 1917. O país estava a mudar e as elites russas eram incapazes de ver o seu futuro, refugiando-se num sentimentalismo azedo. Herdeiros de um tempo crepuscular, estes Veraneantes propiciam ao encenador Nuno Cardoso a oportunidade de retomar o seu périplo pela dramaturgia russa, depois de uma trilogia tchekhoviana (Platónov, A Gaivota e As Três Irmãs), peças onde o sonho era ainda um motor de futuro. Mas o universo “podre e corrompido” de Veraneantes é um beco sem saída. O outono chega e todos seguem calmamente com a sua “vidinha”…
Informações
Data: 12 março de 2017
Horário: 15:30-17:30
Destinatários: Crianças entre os 6 e os 12 anos
4ª parte - Pinocchio
Talvez valha a pena começar por aqui: Pinocchio não é um espetáculo para crianças. No
entanto, a ambição do encenador, Bruno Bravo, era outra: “Que bom seria que, como
um qualquer clássico, este espetáculo não tivesse classificação etária.” Porque o livro de
Carlo Collodi que os Primeiros Sintomas desviam para o palco é um terror nocturno que
a infância doa, intacto e inteiro, à idade adulta. Classificado como um dos espetáculos do
ano de 2016 pelo semanário Expresso, Pinocchio renuncia precisamente à feição
delicodoce da versão Disney para imergir-nos nas dimensões onírica e fantasiosa, negra
e trágica, da história do velho Geppetto e desse pedaço de madeira vulgar que devém
marioneta e sonha ser um menino de verdade. O quarto de criança pode não ser senão o
cenário onde brinquedos adquirem sombras desproporcionadas, as fantasias têm rédea
solta – e quatro coelhos, uma coruja, um burro, uma raposa, um gato, um grilo e um
arlequim formam um antropomórfico coro grego… Repete Pinocchio ao longo da sua
pasmosa odisseia: “É preciso imaginar.”
De Carlo Collodi
Encenação Bruno Bravo
Tradução e adaptação Bruno Bravo
Cenografia e figurinos Stéphane Alberto
Desenho de luz Alexandre Costa
Música e sonoplastia Sérgio Delgado
Apoio ao movimento Luca Aprea
Ilustração Pedro Lourenço
Produção executiva Paula Fernandes
Interpretação Carolina Salles, António Mortágua, Ivo Marçal
Coro Ana Brandão, Eduardo Breda, Inês Pereira, João Pedro Dantas, Miguel Sopas, Salomé Marques
Coprodução Primeiros Sintomas, Teatro Maria Matos
Informações
Local: Teatro Carlos Alberto
Datas: 15 a 19 de Março de 2017
Horário: Quarta a Sábado -21:00 | Domingo - 16:00
Duração aproximada 1:00
M/12 anos
Preço: €10,00
5ª parte - Como Ela Morre
O Nacional de Lisboa visita-nos com Como Ela Morre, espetáculo que cruza os destinos do TNDM II e da companhia belga tg STAN, não por acaso dois lugares onde Tiago Rodrigues tem sido feliz, como diretor artístico do primeiro e colaborador regular da segunda. Anna é a “Ela” que mora no título e sabemos que vai morrer, que quer morrer: “Porque não apagar a vela se já não há nada para olhar?” Anna Karénina, a indisputada obra-prima de Lev Tolstoi, chega às mãos de Tiago Rodrigues três anos depois da controversa Madame Bovary de Gustave Flaubert. Na companhia de mais uma mulher bela, adúltera e suicida, o autor e encenador prossegue a sua reflexão em cena sobre os modos de transmissão das grandes obras do cânone literário ocidental. “Transmitir” é aqui como que um sinónimo de “reescrever” ou “traduzir”, ou seja, de produzir uma nova versão da morte de Anna, traduzindo-a para o aqui e agora do palco. Um ato de amor e de traição, como todas as tentativas de reconstituição de uma morte fictícia. Sabemos que Anna morre no capítulo XXXI da sétima parte do romance de Tolstoi. Mas como morre ela hoje, nas nossas mãos?
Texto e cocriação Tiago Rodrigues
Criação e interpretação Isabel Abreu, Pedro Gil, Jolente De Keersmaeker, Frank Vercruyssen
Figurinos An D’Huys, Britt Angé
Desenho de luz Thomas Walgrave
Produção Teatro Nacional D. Maria II, tg STAN
Coprodução Théâtre Garonne, Kaaitheater
Informações
Local: Teatro Nacional São João
Datas: 22 a 25 de março de 2017
Horário: Quarta a sábado - 21:00
Duração aproximada: 1:30
M/12 anos
Espetáculo falado em português, francês e flamengo, com legendagem em português e inglês.
Preço: €7,50 – € 16,00
6ª parte - Júlio César – Peças Soltas
Na primeira vez que visitou Portugal, Romeo Castellucci trouxe ao PoNTI’97 um Hamlet – aliás, um Amleto – fragmentado, recriando, com um punhado de palavras, toda a sintomatologia de um paranoico e de um autista. O regresso do encenador italiano à programação do TNSJ, desta feita no âmbito da bienal BoCA, faz-se também sob o signo de William Shakespeare. Desengane-se, todavia, quem espera encontrar, no claustro do Mosteiro de São Bento da Vitória, uma incursão canónica na tragédia histórica Júlio César. Castellucci afirma respeitar os textos, e a sua veneração impele-o a talhar continuamente – no duplo sentido de golpear e de esculpir – os monumentos do património dramático universal. Revisitação de um espetáculo originalmente produzido em 1997, Júlio César – Peças Soltas é uma cirúrgica operação teatral sobre a tragédia de Shakespeare, as suas personagens, a sua fala: de um Júlio César velho e emudecido, que apenas pode discursar mediante gestos, a um Marco António que, após uma laringectomia, lança do esófago o seu apelo ao povo, os corpos da estatuária antiga são como que virados do avesso e os órgãos expostos, numa reflexão a um tempo solene e visceral sobre a mortalidade, o sentido, a retórica, o ritual. O que escondem as palavras, de onde emerge o seu poder?
BoCA – Biennial of Contemporary Arts
Júlio César – Peças Soltas
Intervenção dramática sobre William Shakespeare
Conceção e direção Romeo Castellucci
Assistência de direção Silvano Voltolina
Som Andrea Melega
Interpretação Gianni Plazzi, Maurizio Cerasoli, Sergio Scarlatella e dois figurantes a
designar
Produção Socìetas Raffaello Sanzio
Com a colaboração de Accademia di Belle Arti di Bologna
Informações
Datas: 30 e 31 de março de 2017
Local: Mosteiro de São Bento da Vitória
Horário: Quinta e Sexta às 17h00 e às 21h00
Duração aproximada: 45’
M/14 anos
Espetáculo em língua italiana, legendado em português.
Preço: €10,00
7ª parte - Romeo Castellucci
Quando há 20 anos nos visitou no primeiro festival PoNTI, Romeo Castellucci não seria ainda o artista internacionalmente aclamado – e frequentemente controverso – que é hoje. Duas décadas depois, pomos em perspetiva o seu percurso artístico e damos a palavra ao encenador da Emilia-Romagna antes de vermos o seu estilhaçado Júlio César no claustro do Mosteiro de São Bento da Vitória. Na tarde do Dia Mundial do Teatro, a investigadora teatral Alexandra Moreira da Silva (professora no Instituto de Estudos de Teatro da Universidade Sorbonne Nouvelle – Paris III) dirige um seminário sobre a estética de Castellucci, inventor de toda uma gramática cénico-teatral e criador de uma imagística alucinatória e apocalíptica. No dia seguinte, Romeo Castellucci fala-nos do seu processo dramatúrgico e dos seus questionamentos, nos quais parece absorver todas as formas de inteligência do mundo – da música à teologia, da política à medicina, da filosofia à pintura. A propósito do seu teatro, disse certa vez: “Falo para te fascinar, falo para te corromper, para te ter diante de mim, para te levar onde não queres.” Quem fala assim?
Informações
Escritas, Reescritas, Traduções
Fazer mundo com o espanto dos mundos: Romeo Castellucci e a criação partilhada
seminário com Alexandra Moreira da Silva
Data: 27 de março de 2017 Horário: 15h00 - 18h30
Masterclass Romeo Castellucci
Data: 28 de março
Horário: 15h00
Iniciativas com um número limitado de participantes.
Inscrição prévia junto do departamento de Relações Públicas (oficinas@tnsj.pt)
cardapio.pt @ 7-3-2017 11:59:48
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