15/11/2019 a 1/12/2019 Companhia Cegada estreia "Fronteira Fechada" de Alves Redol em Alverca do Ribatejo

Meio século após o falecimento do escritor Neo-Realista Alves Redol, e três décadas depois da queda do muro de Berlim, a companhia Cegada leva ao palco do Teatro-Estúdio Ildefonso Valério, em Alverca do Ribatejo, Fronteira Fechada, uma peça sobre a coragem de quem passa fronteiras clandestinamente. A peça vai estar em cena de 15 de novembro a 1 de dezembro.

cardapio.pt @ 11-11-2019 18:13:44

Inspirada na realidade portuguesa da década de sessenta, a peça revela que muitos homens já se tinham aventurado pela travessia clandestina fugindo do seu país e propõe-se partilhar a realidade das mulheres que os seguem, em busca do sonho de uma vida melhor junto dos que (ainda) julgam seus. Este é o momento histórico em que o autor apoia o seu última peça de teatro, editada postumamente em 1972.

Num abrigo de traficantes (o pai, o filho e um colaborador) passa um grupo de migrantes, cinco mulheres. No primeiro acto apresentam-se ao que vêm e partilham os sonhos que as motivam a colocarem-se, de forma tão vulnerável, sob as regras dos contrabandistas - únicos que devido à sua actividade profissional conhecem as fragilidades das autoridades vigilantes, os segredos da montanha, e deles fazem uso a troco de dinheiro. São todas mulheres - o autor faz regularmente uso da ideologia associada à estética Neo-Realista para expor o ponto de vista do feminino, o papel da Mulher e a sua condição entre os homens na miséria.

O traficante (a personagem com o nome de Velho) é um homem traumatizado pela perda da juventude. Assombrado pela aproximação da morte pela idade decide enriquecer a todo o custo para garantir evitar a miséria na velhice. Permite que todas migrantes passem, continuem a sua travessia, excepto uma que o este dono do negócio impede de continuar caminho, alterando assim a sua condição de migrante para prisioneira.

Ao compreender a sua posição de clausura esta mulher (nunca definida claramente pelo autor - por se tratar de uma migrante ideológica e a sua indefinição permitir a fuga da obra dramática à censura literária do regime) irá então promover um jogo de sedução e conflito no seio da quadrilha (pai e filho: contrabandistas) até descobrir o caminho secreto que lhe permite a fuga pela montanha e recuperar a liberdade.

MULHER: "Haja o que houver, o país para se viver é o nosso. (...) Há que procurar nele a felicidade .Exigi-la, se for necessário.(...) Vou entrar num jogo difícil para sair daqui, mas liberdade não tem preço.
(…)
VELHO: "Um dia também tu chegarás à minha idade. Só então saberás o que é a incurável doença da idade. (...) Vê se imaginas o que é caminhar todos os dias para qualquer coisa de irremediável."

Sinopse

Na Europa, do tempo em que os regimes totalitários iam caindo à vez, pessoas das mais diversas condições migravam para as recentes democracias na crença de melhores condições de vida - presas fáceis aos passadores de migrantes que, tal como hoje, lucram a vender o sonho de uma vida sem necessidades do outro lado. Em linha com a actualidade, esta obra neorealista leva a crer que, não é apenas no Mar que se vendem vidas em fuga mas sempre que o desespero força a um caminho desconhecido, que só o passador e sua família sabem decifrar.

Trinta anos depois da queda do muro de Berlim, há quem acredite que fronteiras e vedações, construídas pelo Homem, podem impedir o que nem o Mar nem a Montanha alguma vez conseguiram conter.


Ficha artística e técnica

TEXTO: Alves Redol
ENCENAÇÃO: Rui Dionísio
ELENCO: João CabralSusana SáMarques d'Arede, Elisabete PiechoErica Rodrigues, Tó Zé SantosFátima Encarnado Bruna Costa
PRIMEIRA ASSISTENTE: Sara Monteiro
CENOGRAFIA E FIGURINOS: Ana Paula Rocha
MONTAGEM E CARPINTARIA DE CENA: Abel DuarteFábio Duarte e Rui Santos
ILUMINAÇÃO E SONOPLASTIA: Vladimiro Cruz
GESTÃO ADMINISTRATIVA E FINANCEIRA: Eduarda Oliveira
ESTAGIÁRIOS: Bruna CostaMargarida Lourenço e Ricardo Resende
CRIAÇÃO: Cegada Grupo de Teatro

APOIO INSTITUCIONAL
Junta de Freguesia de Alverca do Ribatejo e Sobralinho
Junta de Freguesia de Vils Franca de Xira
Câmara Municipal de Vila Franca de Xira
Museu do Neo-Realismo

APOIOS PRIVADOS
Palfima - Paletes, lda
The Navigator Company

CRIAÇÃO FINANCIADA
Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo
Câmara Municipal de Vila Franca de Xira
República Portuguesa, Direcção-Geral das Artes 


Informações

Datas: 15 de novembro a 1 de dezembro de 2019

Local: Teatro-Estúdio Ildefonso Valério, Alverca do Ribatejo (Vila Franca de Xira)

Horários:  Sextas e sábados às 21:30, domingos às 16:00 (sessões para escolas, mediante marcação, de 15 de novembro a 6 de dezembro.)

Mais informações e reservas: 926 941 164 / 910 923 397 | publico.teiv@gmail.com

cardapio.pt @ 11-11-2019 18:13:44


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