21/10/2021 a 24/10/2021 Teatro da Didascália estreia espetáculo-percurso no Antigo Quartel de Bombeiros de Riba d’Ave

Segundo ato de "Paisagem Efémera - industrial e urbana" explora impacto da industrialização no Rio Ave

A obra e legado de Narciso Ferreira, considerado um dos maiores industriais nacionais, continua a fazer-se sentir pelas ruas de Riba d’Ave. Da fábrica têxtil, à escola primária, passando pelo mercado, teatro, estalagem, correios, sem esquecer o quartel de bombeiros, a sua presença nesta freguesia de Vila Nova de Famalicão é quase como que “omnipresente”, tal como a do rio que a percorre na sua margem esquerda: o Rio Ave. É nesta relação, que espelha o impacto que a indústria tem sobre o rio, que o segundo ato de "Paisagem Efémera – industrial e urbana" se irá debruçar. O espetáculo, que irá percorrer o Antigo Quartel de Bombeiros de Riba d’Ave, estreia-se já a 21 de outubro e fica em cena até 24 de outubro.

cardapio.pt @ 20-10-2021 17:11:35

"Paisagem Efémera - industrial e urbana (2º ato)"  © Paulo Pimenta

"Paisagem Efémera - industrial e urbana (2º ato)" © Paulo Pimenta

Um quartel dos bombeiros localizado, precisamente, em frente a um teatro. Coincidência? Um verdadeiro conhecedor da organização urbanística “ferreirina” – fruto da obra e legado de Narciso Ferreira, um dos maiores industriais portugueses – decerto saberá que “os teatros sempre foram lugares inflamáveis”, sendo, por isso, necessário apagar o mais pequeno sinal de “inflamação insurgente”. Mas será possível extinguir a de Paisagem Efémera – industrial e urbana?

Uma excursão por Riba d’Ave, uma vila “Art Deco”. O convite para esta visita guiada à freguesia (re)conhecida pela sua forte relação à indústria têxtil é lançado logo na primeira cena de Paisagem Efémera – industrial e urbana, na qual um guia turístico recebe o público para esta viagem pela vila, recuando até ao período “ferreirino”. Nesta expedição é possível perceber um pouco melhor a arquitetura característica “da época”, observável nos vários exemplares do seu estilo espalhados um pouco por toda a vila: da fábrica localizada no centro (“enquanto motor do desenvolvimento económico e social”), ao edifício do mercado, quartel dos bombeiros, antiga estalagem, ou, o Café Riba d’Ave.


"Paisagem Efémera - industrial e urbana (2º ato)"  © Paulo Pimenta

"Paisagem Efémera - industrial e urbana (2º ato)" © Paulo Pimenta

Riba d’Ave é uma vila que espelha a paisagem industrial e urbana do Vale do Ave, marcada pela “ocupação” sucessiva das margens do Rio Ave por fábricas e edifícios “de todos os géneros e feitios”. Aquilo que pode ser visto como desenvolvimento, com vantagens para o mundo “moderno” e “civilizado”, é questionado pelo Teatro da Didascália: “estamos exatamente a falar de vantagens para quem e a que custo?”. A realidade é que durante décadas o rio que nasce nas encostas da Serra da Cabreira, em Vieira do Minho, com água pura e límpida, vai desaguar, em Vila do Conde, contaminado pela poluição das fábricas que descarregam nele os seus despojos.

O segundo ato de Paisagem Efémera – industrial e urbana pode ser visto de quinta-feira a domingo, às 21h00, no Antigo Quartel de Bombeiros de Riba d’Ave (em frente ao Teatro Narciso Ferreira). O preço dos bilhetes é de cinco euros, sendo que os ingressos podem ser adquiridos através da bilheteira online do Teatro da Didascália (teatrodadidascalia.bol.pt). No dia 21 de outubro, a sessão conta com interpretação em Língua Gestual Portuguesa. Mais informações disponíveis através do e-mail rp@teatrodadidascalia.com ou do contacto 924 305 850.


"Paisagem Efémera - industrial e urbana (2º ato)"  © Paulo Pimenta

"Paisagem Efémera - industrial e urbana (2º ato)" © Paulo Pimenta

Grupo Coral perpétua história oral da freguesia

“Água do rio que lá vai / Ai quem ma dera recolher / A água corre e canta bem / Cantar com ela é um prazer”. São estes alguns dos versos que vão ecoar pelas paredes do Antigo Quartel de Bombeiros pela voz dos elementos que compõem o Grupo Coral da Associação Reformados de Riba d’Ave (ARRA). O grupo foi convidado a participar no segundo ato de Paisagem Efémera – industrial e urbana com o objetivo de incentivar a partilha da história oral da vila famalicense, através da interpretação musical da expressão popular.

Paisagem Efémera – industrial e urbana vai contar com mais um ato

O primeiro ato de Paisagem Efémera – industrial e urbana foi apresentado em maio deste ano, num local “habitado” pelo silêncio e o vazio, considerado o “átomo gerador do big-bang da revolução industrial de Riba d’Ave”: a Fábrica Sampaio Ferreira. Nesse espetáculo, os criadores e intérpretes Bruno Martins (responsável pela direção artística), António Júlio, Margarida Gonçalves e Rui Souza deram voz aos operários “anónimos” que permanecem na sombra da “glória” da indústria têxtil da freguesia de Vila Nova de Famalicão. O terceiro e último ato continuará a explorar a paisagem industrial e urbana do território ribadavense, sendo que “reina” a dúvida: qual será o próximo espaço “ferreirino” a ser ocupado?

Informações

Local: Antigo Quartel dos Bombeiros de Riba d’Ave (em frente ao Teatro Narciso Ferreira)

Data: De 21 a 24 de outubro

Preço dos bilhetes: 5 euros

Horário: De quinta-feira a domingo, às 21h00

cardapio.pt @ 20-10-2021 17:11:35

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