"Menos Emergências" de Martin Crimp no Teatro Meridional de 7 a 18 de Maio

"Numa altura em que a Europa tem um peso cada vez mais esmagador em Portugal, o Teatro Meridional  queremos trazer à cena um texto que espelha a realidade não só de um país específico, mas de um conceito de “primeiro-mundismo" solitário, flácido, perigoso e infértil a que toda a Europa arrisca cair". Martin Crimp

cardapio.pt @ 5-5-2014 11:45:09

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Menos Emergências é uma trilogia de peças ou 3 episódios de uma crónica sobre a miséria humana, contada pela voz do que poderá ser uma certa burguesia florida e suburbana europeia. É um texto político e moralmente incorrecto, onde a pobreza de espírito das personagens espelham uma certa mediocridade entre as relações humanas e a forma como lidam com a violência e a crueldade. É uma peça fria, sofisticada, porém bárbara, hesitante e um excelente retrato sobre a hipocrisia educada e elegante, presente nas relações humanas.


Menos Emergências poderá ser uma mentira. A narrativa que os actores contam poderá não ser a descrição de uma acção passada, mas a criação de uma história onde as personagens têm o (cruel) prazer de criar. Trata-se de um equívoco, uma distorção dos factos e um apelo à consequência e ao superficial para explicar a existência.


Num tempo indefinido e em terreno árido, as personagens que se encontram neste episódio prefiguram um questionamento do plano ético sobre a estrutura da ordem civilizacional que conhecem. É um olhar atento, mas ingénuo, crédulo e simples sobre a paisagem social e intelectual, as oscilações de bem-estar e de poder, numa realidade desconhecida, mas cujos vértices tocam a nossa.


No plano estético de representação e na linguagem dramatúrgica há a desconstrução do “razoável”, a procura de um imaginário grotesco e absurdo, um convite à entrada do artifício e do ridículo.


A influência da Música e a sua aplicação funcional no texto, na estética visual e no movimento é fundamental. O texto tem um movimento sonoro que roça o conceito musical, que a encenação poderá sublinhar através de signos musicais e visuais.


Esta é uma peça num acto, com a sucessão rápida e diluída de cenas, que marcam o levantamento de questões e uma viragem da disposição conveniente do poder.


O discurso é assente num dispositivo cénico e plástico simples, procurando uma essencialidade monocromática, que suportam firmemente a complexidade, sonoridade e movimento do texto. A cenografia em estreita relação com a luz, deverá recorrer à maior simplicidade de meios possível. Assim, o desenho criado pela forma e polifonia do texto, manipulados pela encenação e pelos atores, potência o cariz frio e cruel do mesmo. O mecanismo cénico frontal, próximo em termos visuais do que é tradicionalmente associado à Ópera, assume e mostra o artifício teatral e a transparência da 4ª parede, criando um jogo teatral na contracena entre atores e o público (este não se assume enquanto uma terceira personagem, mas enquanto destinatário consciente da acção). O movimento dos actores, mais livre na máscara que no corpo, deverá obedecer a uma partitura rigorosa com a criação de imagens que potenciem o movimento do texto.

Ricardo Neves-Neves - encenador

FICHA TÉCNICA

Com Bruno Huca, Catarina Rôlo Salgueiro, Filomena Cautela,José Leite, Márcia Cardoso, Rafael Gomes, Rita Cruz, Tânia Alves, Teresa Coutinho e Vítor Oliveira 

Direcção musical Rita Nunes (Saxofone barítono) 

Orquestra Ana Teófilo (Saxofone alto), Bruno Mimoso (Bateria), Eduardo Jordão (Baixo), Emília Santos (Trompete), Fernando Soares (Saxofone tenor), Gil Henriques (Violino), Ivo Rodrigues (Trompete), José Massarão (Saxofone soprano), Mário Amândio (Trombone) Raquel Cravino (Violino), Rita Nunes (Saxofone barítono) Simon Wadsworth(Pianista) 

Apoio vocal Sara Belo 

Coro Feminino Ana Amaral, Ana Leppanen, Ana Lopes, Ana Lopes Gomes, Ana Lúcia Magalhães, Ana Paula Almeida, Ana Valentim, Andrea Pereira, Catarina Campos Costa, Célia Jorge, Diana Costa e Silva, Fernanda Paulo, Filipa Duarte, Inês Gonçalves, Inês Laranjeira, Joana Almeida, Judite Dias, Katrin Kaasa, Mariana Norton, Marta Inocentes, Nídia Roque, Rita Brutt, Sara Gonçalves, Silvana Peres, Soraia Tavares, Stephanie Silva 

Coro Masculino André Albuquerque, Bernardo Almeida, Diogo Tomás, Isac Graça, João Ascenso, João Barros, João Craveiro, João Serra Rodrigues,José Lobo, José Sotero, Marco Mendonça, Mário Abel, Nuno Fonseca, Rafael Barreto, Romeu Vala, Ruben Santos, Sílvio Vieira Desenho de Luz Eldupl

Direcção e Operações Técnicas Filipe Pureza Fotografia Raquel Albino 

Assistência de encenação Ana Lopes Gomes Encenação Ricardo Neves-Neves 

M16


INFORMAÇÕES


Local: Teatro Meridional


Datas: 7 a 18 de Maio de 2014


Horários: Quarta a domingo às 22h00


Morada: Rua do Açúcar, 64 1950-009 Lisboa


Reservas: 218689245 / 918046631

cardapio.pt @ 5-5-2014 11:45:09


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