“Terceira Idade” é uma peça para agitar consciências que chega agora a Guimarães
“Terceira Idade” marca o regresso do Teatro Praga aos textos de José Maria Vieira Mendes. Depois de “O Avarento ou A Última Festa” (também apresentado no CCVF) e de “Padam Padam”, esta é a terceira tentativa. O espetáculo tem lugar este sábado, dia 17 de maio, às 22h00, no Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor. Em “Terceira Idade” os atores, antes de começarem, já se reformaram. Gente com passado, que apresenta rugas onde não as vemos. O horizonte mais próximo é a morte, mas a melancolia é comédia e o desespero gargalhada. Nesta peça, a trama serve de pretexto para adensar o “Quem sou eu?” ou ainda “O que é isto de terceira idade?”. Ou também, “Será que digo que sou velho porque sou velho ou sou velho porque digo que sou velho?”. Está lançado o mote.
cardapio.pt @ 12-5-2014 17:10:50
Baseada no texto homónimo de José Maria Vieira Mendes, a peça procura explorar as questões relacionadas com a idade e o envelhecimento. Pretende abordar a reação, sob perspetiva individual e coletiva, deste processo que leva, inevitavelmente, o ser humano à sua morte.
“Terceira Idade” é tempo e velhice, sabedoria e esquecimento, artroses e pilates. Mas também é hoje e foi ontem. É uma construção por fazer com palavras conhecidas, uma inevitabilidade a preencher. Uma reinvenção dentro da invenção. Uma comunicação aos tropeções. É, finalmente, a possibilidade de dizer com os corpos de agora e cabelo de futuro: ”Terceira Idade” é aqui e agora.
A peça vai mais longe, não se limitando a projetar a ideia para fora, mas especulando o que será a terceira idade dos próprios atores num jogo que vai obrigar os espetadores a envolverem-se com a obra. Trata-se de uma continuidade, todos estão na mesma história, todos estão no mesmo barco.
Partindo deste texto, o Teatro Praga chegou a um espetáculo em que testa a sua terceira idade. Como será daqui a 40 anos? E na especulação da resposta acrescenta matéria a um conceito por abrir. Nos espetáculos do Teatro Praga, os artistas estão em constante mutação, existe a constante imprevisibilidade deles próprios. O Teatro Praga tem o intuito de questionar a condição física do próprio teatro enquanto objeto ficcional. Trata-se quase de uma exigência para a “responsabilidade máxima do público” para buscar e atingir a fruição da obra e do conteúdo que a mesma propõe.
Esta comédia responde às comédias tradicionais em que as portas se usam com fartura: entra-se e sai-se em alturas erradas, vê-se o que não se devia. Entretanto perderam-se casas. Ou abriram-se. Nos espetáculos do Teatro Praga não há paredes de cena ou portas construídas. E por isso a comédia de portas pode saltar para a comédia de identidades: um ator que é tanta gente e que entra e sai dos nomes como quem entra e sai por portas. “Terceira Idade” questiona tanto o conteúdo que fez nascer esta peça, como o teatro enquanto objeto artístico como a vida e existência da própria companhia de atores que concebe estes universos paralelos. É uma peça que pede ao espetador que seja parte integrante da obra, que se una ao palco para ir buscar respostas.
Os bilhetes têm um custo de 10,00 euros e podem ser adquiridos na bilheteira do CCVF, bem como nas lojas Fnac e El Corte Inglês, entre outros pontos de vendas, e via online em www.ccvf.pt, www.facebook.com/GUICUL e oficina.bilheteiraonline.pt.
Haley Fohr a.k.a Circuit Des Yeux visita o Café Concerto do CCVF no dia 16 de maio
Haley Fohr foi uma de muitas faces que surgiu no final da década passada, quando o lado B da música contemporânea norte-americana se deixava embrenhar nos destroços após o tufão do noise e ainda conectado à bolha de ar do pós punk e afins. Inca Ore, US Girls, Zola Jesus ou Cro Magnon acompanharam-na nessa aurora do negrume com porta aberta ao experimentalismo de resultados anímicos. Vocalmente situada entre Nico, Diamanda Galás ou até Buffy Sainte-Marie, o veneno insinuado por tais referências cruza-se ocasionalmente com a fragilidade das suas composições. Na sua recente passagem por Portugal, durante a primeira parte do concerto de Bill Callahan, ficou bem clara a capacidade rara de saber preencher um palco. Sozinha, apenas munida dos seus instrumentos e do seu mundo interior, Haley Fohr (sob o nome de Circuit Des Yeux) convida-nos a sentir as tempestades, as ondas e as brisas que definem a sua existência. Uma elegância possante, que poderá ser comprovada já esta sexta-feira, a partir da meia-noite, no Café Concerto do CCVF, em Guimarães. O bilhete tem um custo de 3,00 euros.
cardapio.pt @ 12-5-2014 17:10:50
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