Encenações de Rogério de Carvalho e estreia da nova peça de Nuno Cardoso em destaque nos Festivais Gil Vicente

“Tartufo” da Companhia de Teatro de Almada, “Demónios” da Ao Cabo Teatro e “Na Solidão dos Campos de Algodão” do Teatro Oficina

Depois do clássico de Shakespeare, “A Tempestade”, dos galegos Voadora, da versão moderna do intemporal “Feiticeiro de Oz” com um toque contemporâneo da companhia teatro meia volta e depois à esquerda quando eu disser, e ainda de “Trahisons”, de Harold Pinter, produzido pelos belgas tg STAN, a segunda semana dos Festivais Gil Vicente volta em força com grandes textos, dois encenados por Rogério de Carvalho e outro por Nuno Cardoso, cuja estreia acontece em Guimarães.

GUICUL @ 9-6-2014 11:30:56

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A segunda semana de Festivais Gil Vicente começa em grande, abrindo com um clássico que se tornou uma referência da literatura francesa. No dia 12, esta quinta-feira, às 22h00, o Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor recebe, no seu palco, a peça “Tartufo”, de Molière. Uma das mais famosas comédias da literatura mundial vem a Guimarães pela mão da Companhia de Teatro de Almada que regressa, assim, aos grandes textos. A obra é dirigida, pela terceira vez, pelo encenador Rogério de Carvalho e trata temas sempre atuais, o oportunismo, o individualismo e a hipocrisia. Como o encenador explica, “Tartufo pode ser uma metáfora do nosso tempo. É uma questão de olharmos para as estruturas sociais que Molière enfrentou e olharmos para as nossas estruturas de hoje.” Rogério de Carvalho afirma que não se cansa de revisitar este clássico. Não descurando tratar-se de um texto intemporal e de qualidade inquestionável, o encenador justifica que “o texto assenta como uma luva na atualidade”.


No dia 13, sexta-feira, às 22h00, o Pequeno Auditório do CCVF recebe a estreia de “Demónios”, do famoso dramaturgo contemporâneo Lars Norén, encenado por Nuno Cardoso com produção da Ao Cabo Teatro. Na história, que aparenta a simplicidade da vida quotidiana, quatro personagens, dois casais que se vão cruzar e vão perceber que os pequenos dramas do dia a dia escondem algo maior. O desenrolar da trama vai fazer com que as personagens se confrontem não só com os seus demónios mas também com os dos outros. O maior demónio de todos a espreitar a cada esquina da história: a solidão. A simplicidade dos gestos e das palavras num texto que traduz a nossa existência enquanto indivíduos que, inevitavelmente, precisam uns dos outros.


No último fim de semana dos Festivais Gil Vicente, sábado 14 e domingo 15, às 22h00 e 17h00 respetivamente, a Black Box da Fábrica ASA recebe a peça “Na Solidão dos Campos de Algodão”. Escrito pelo dramaturgo francês Bernard-Marie Koltès, e com encenação de Rogério de Carvalho, este espetáculo terá certamente um sabor especial visto ser a primeira produção deste ano do Teatro Oficina, companhia nascida e criada em Guimarães. Rogério de Carvalho, num gesto de absoluta modernidade, fazendo corar os encenadores Miguel Moreira e Marcos Barbosa, agarra este texto furioso e transforma os atores Miguel Moreira e Marcos Barbosa em instrumentos de uma tragédia contemporânea. Como o título sugere, a solidão está presente neste texto. A solidão que lança dois homens numa noite em que cada um tem as suas motivações, apesar de as mesmas nunca serem claras. Esses segredos tão nossos que só revelamos para dentro, esses mistérios que se guardam na profundidade da noite, na viela mais escura e solitária, como se a noite fossemos nós. “Na Solidão dos Campos de Algodão” promete ser uma celebração do teatro, numa coprodução do Teatro Oficina e da companhia Útero, que também habita a cidade.


Os Festivais Gil Vicente não estariam completos sem a vertente formativa e festiva que sempre os caracterizaram e onde o teatro se afirma como espaço de poética, de tertúlia e de encontro de gerações. Assim, de forma paralela, ao longo da segunda semana dos Festivais Gil Vicente, as Turmas de Iniciação Teatral do Teatro Oficina e algumas escolas de teatro da região circundante prometem multiplicar as possibilidades de vivência da criação teatral no máximo número de experiências possíveis.


No dia 11 (quarta-feira), a Black Box da Plataforma das Artes e da Criatividade acolhe dois espetáculos. O primeiro, às 19h00, é “ADN”, espetáculo da Turma de Iniciação Teatral do Teatro Oficina (Adolescentes), de Dennis Kelly, com encenação Diana Sá e Emílio Gomes. O segundo, desta vez da Turma de Iniciação Teatral do Teatro Oficina (Adultos), a realizar-se às 22h00 no mesmo local, é “Sangue no Pescoço do Gato”, de Rainer Werner Fassbinder, com encenação de Diana Sá. No dia 14, às 19h00, há “Rua Acima”, espetáculo da Turma de Iniciação Teatral do Teatro Oficina (Adultos), encenado por Emílio Gomes com texto de Pedro Bastos que acontece num percurso desde a Av. D. Afonso Henriques culminando no CCVF. 


Além das Turmas de Iniciação Teatral do Teatro Oficina foram também convidados a participar no Festival as turmas de Teatro da ESAD de Vigo, da Universidade do Minho e os alunos do 3º ano do Curso de Teatro da Escola Profissional Balleteatro. Assim, no dia 12 (quinta-feira), às 19h00, a ESAD de Vigo traz à Black Box da Plataforma da Artes a peça “A State Affair (Unha Cuestión de estado)”, de Robin Soans, com encenação Delfina Miguélez-Val. No dia seguinte, também às 19h00, é a vez da Universidade do Minho subir ao palco da Black Box da Plataforma das Artes com o espetáculo “Estudos | Fragmentos | Tchékhov”. Por fim, o mesmo espaço acolhe no sábado, dia 14, às 16h00, os alunos do 3º ano do Curso de Teatro da Escola Profissional Balleteatro com a peça “Milli Vannili”, escrita por Marcos Barbosa em parceria com os estudantes. 


Durante todo o festival, o CAR - Círculo de Arte e Recreio será um ponto de encontro oficial, onde artistas e público se juntam, para uma reflexão mais ou menos ruidosa sobre os espetáculos, num espírito de tertúlia e com uma programação alternativa e fora de horas.

GUICUL @ 9-6-2014 11:30:56


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