21/11/2014 a 22/11/2014
Kin de David Marques no CCB
Em 1968, Louis Malle filmou o documentário ‘L’Inde Fantôme’. Para sua surpresa a população indígena que ele capturava em filme olhava directamente para a câmara.
cardapio.pt @ 17-11-2014 12:36:31
Malle pensou que esta era a primeira vez que isso acontecia, até se aperceber que outros realizadores antes de si tinham instruído os nativos filmados para ignorar a câmara. No entanto, ele decidiu manter esse novo olhar agora presente. Obviamente, a presença estrangeira da equipa de filmagem intrigava os nativos indianos e estes, olhando directamente a câmara, intrigavam Malle. Como outros realizadores com propósitos antropólogos, Malle partiu do desejo de decifrar as formas de parentesco primitivo, (‘kinship’) para descobrir posteriormente a necessidade de reflectir sobre o seu próprio cinema.
Em KIN, a dança é um terreno comum para o ‘nativo’ e para o ‘estrangeiro’. Não como em ‘L’Inde Fantôme’, onde a câmara criava deliberadamente distância entre eles. Neste solo, a dança funcionará como mais do que uma ferramenta antropológica clássica para entender o ‘nativo’. Ela é a linguagem do ‘estrangeiro’, que por sua vez é um ‘nativo’. “É através do meu próprio corpo – através da experiência física pessoal – que, como performer eu posso investigar o ‘parentesco’ e os seus atributos como ‘estrangeiro’ ou ‘nativo’. Eu, como performer em cena procurarei uma matriz de identidades imaginárias e reais que se tocam. Este ‘tecido do folclore’ será criado pela dança, o que poderá expor os limites do desejo individual, diferenciação individual e mudança.’
Criação e interpretação David Marques
Dramaturgia Ido Feder
Espaço Cénico Tiago Pinhal Costa
Desenho de luz Rui Monteiro
Produção executiva Francisca Rodrigues
Apoio em residência O Espaço do Tempo, Alkantara, Teatro Virgínia
Apoio EIRA
Co-produção Centro Cultural de Belém – BoxNova2014, Artists Curate (Maya Levy & Hannan Anando Mars 2014) Projecto financiado por Fundação Calouste Gulbenkian
Fotografia de Pietro Romani e António Ferraz
INFORMAÇÕES
21 Nov 2014 - 21:00
22 Nov 2014 - 19:00
Local: Sala de Ensaio - Centro Cultural de Belém
Duração 45 min
S/intervalo
M/12
Preço 6,5€
BIOGRAFIA – DAVID MARQUES
Torres Novas, 1985. David Marques é licenciado pela Escola Superior de Dança de Lisboa e frequentou a formação ex.e.r.ce do Centre National Chorégraphique National de Montpellier, dirigida por Mathilde Monnier, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian. Teve formação em criação coreográfica com Mathilde Monnier, Loic Touzé, Lisa Nelson, David Wampach, Mark Tompkins, Rémy Heritier (ex.e.r.ce), Vera Mantero, Emmanuelle Huyn, Deborah Hay, Meg Stuart (Fórum Dança). Começou a desenvolver o seu trabalho como coreógrafo em 2007 com o apoio da EIRA em Lisboa. Desde então, tem vindo a apresentar as suas peças em Portugal, Espanha, França, Bélgica, Ucrânia e Israel. Criou ‘Motor de Busca’, ‘Future Plans’ e ‘Conquest’, uma adaptação coreográfica de um solo de Deborah Hay, comissariado pela Fundação de Serralves, com o apoio do Circular – Associação Cultural, no âmbito do ciclo IMPROVISAÇÕES/COLABORAÇÕES’. Com Ido Feder desenvolveu os projectos ‘Bête de Scène’ e ‘Images de Bêtes’, em colaboração com o fotógrafo Uri Gershuni, para o Festival Temps D’Images. Tem sido regularmente apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Secretaria de Estado da Cultura/ Direcção-Geral das Artes para a criação dos seus projectos. Como intérprete destaca o trabalho com Francisco Camacho (‘im-‘ e ‘ANDIAMO!’), Filipa Francisco (‘A Viagem’), Tiago Guedes (‘Materiais Diversos’), Lígia Teixeira (‘Algum Dia Tinha que Ser a Sério…’), Maya Levy&Anando Mars (‘Renaissance’), Bosmat Nossan (‘Insect’) e Loic Touzé (’19 mélodies’). Tem dirigido ateliers de composição coreógráfica nomeadamente na Jerusalem Academy of Music and Dance e no âmbito do projecto Dance Research (SIDance) em Seoul.
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