12/9/2015 a 12/9/2015 “Pântano” sobe ao palco do CCVF para abordar o percurso solitário de uma incursão para dentro

Este sábado, 12 de setembro, às 22h00, o Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, acolhe a última criação do Útero. “Pântano” aborda a solidão e o sacrifício dos peregrinos. Romeu Runa, Catarina Félix e Francisco Camacho dão corpo ao espetáculo que encerra um ciclo iniciado pelo Útero há cinco anos.

cardapio.pt @ 7-9-2015 16:29:29

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Depois de “The Old King” (2011), “Europa” (2012), “Pele” (2013) e “Under” (2014), “Pântano” encerra um ciclo de criações do Útero alicerçado numa “ideia de paisagem” e na exploração das potencialidades dramatúrgicas de elementos como a água e a luz. “Pântano” é um espaço construído por peregrinos, pessoas que resolvem fazer uma profunda reflexão sobre si mesmos em movimento. “Há um palhaço louco que espera por si próprio. Há uma mulher magra que finge a dança que foi clássica, lugar. Há o homem nu perdido”. Organizando-se numa sucessão de quadros, “Pântano” retira-nos da nossa zona de conforto através de movimentos, entre a solidão e o sacrifício, que despertam em nós a urgência de pensar o lugar que ocupamos no mundo. O espetáculo é uma criação de Miguel Moreira, e tem Catarina Félix, Francisco Camacho e Romeu Runa como cocriadores e intérpretes.

Este ciclo de peças apesentado pelo Útero culmina aqui, neste “Pântano”, “o lugar da memória, do pó, do que passou por nós e já não volta, do que deixou marcas. É um pouco negro, um pouco melancólico, mas tem zonas absolutamente surpreendentes”, conforme explica Miguel Moreira. Ao longo destas cinco peças há elos de união, momentos que estão ligados por marcas que se vão repetindo, muitas vezes nos aspetos técnicos como a luz ou a cenografia que por vezes se desfaz, ou é água ou é pó. Outra questão transversal a este ciclo de peças do Útero é a questão das cores, do tempo e da paisagem, desenhando uma estética que traz ao de cima o lado mais perverso da dança, a libertinagem em forma de movimento.

Miguel Moreira explica que “podia ser uma história mas não é. São ambientes, paisagens de um mundo que já existiu.” Neste Pântano “ficaram bocados soltos, descosidos como fantasmas que já não fazem estremecer alguém. Não sabem das emoções. Perderam-nas. Não as identificam.” “Este lugar belo, perdido, chama-se Pântano. Esta beleza não nos diz nada porque já não sabemos o que isso seja. No lugar mágico cheira-se o tempo, vê-se. Ele é o movimento do corpo.” A obra expressa a necessidade de sermos livres, a procura desenfreada de cada um buscar dentro de si próprio a liberdade. Daí a peça se desenrolar sempre em solos ou duetos, porque a liberdade parte de cada um e implica uma viagem para dentro, como os peregrinos cuja viagem que fazem é muito mais interna do que externa.

Em “Pântano”, espetáculo assumidamente provocador e que pode levar o público (e os próprios bailarinos) ao limite, cada espetador vai encontrar o seu caminho, trilhando, ao lado da peça, a sua própria peregrinação. Para Miguel Moreira, os bailarinos são o centro de tudo, são a fonte, são o princípio e o fim. A ligação do bailarino com o corpo é algo que muito apraz ao criador. A busca pelo limite físico, a obsessão com o corpo, a luta constante contra o tempo que desgasta o corpo, o amor e o ódio que resultam deste duelo. Estão lançados os ingredientes que fascinam Miguel Moreira e que acabam, invariavelmente, por ser o centro do seu trabalho.

cardapio.pt @ 7-9-2015 16:29:29


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