1/2/2018 a 10/2/2018 8ª edição do GUIdance desvenda futuros da dança em Guimarães

9 espetáculos, 4 estreias, masterclasses, sessões nas escolas, conversas e debates compõem o cartaz da 8ª edição do GUIdance - Festival Internacional de Dança Contemporânea de Guimarães.

cardapio.pt @ 29-1-2018 17:35:54

Dois nomes incontornáveis da dança contemporânea, Wayne McGregor e Peeping Tom, abrem e encerram, respetivamente, o festival, que decorre de 1 a 10 de fevereiro de 2018 em dois espaços de Guimarães: Centro Cultural Vila Flor (CCVF) e Black Box do Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG). 

No espetáculo inaugural da 8ª edição do GUIdance, no dia 1 de fevereiro, às 21h30, Wayne McGregor regressa a Guimarães e ao Centro Cultural Vila Flor com mais uma estreia em solo nacional. O visionário coreógrafo, que nunca cessa de explorar limites, decidiu mergulhar fundo na combinação do seu ADN para criar “Autobiography”, espetáculo em que parte de uma busca à mais notável tecnologia existente, o seu corpo, para lançar possibilidades que apontem à construção de futuros.

“O Limpo e o Sujo” é o espetáculo agendado para o segundo dia do festival, 2 de fevereiro, também às 21h30, onde os corpos de Vera Mantero, Elizabete Francisca e Francisco Rolo dançam para desabafar, dançam para expelir, dançam para absorver. Expurgam, limpam e expulsam as contaminações do interior dos seus corpos. Há corpos educados e há corpos deseducados. Há, sobretudo, um alegre chafurdar na fusão entre estas duas espécies de corpos. “educados e deseducados” atravessados por informação acumulada procuram um novo lugar.

No mesmo sentido, Joana von Mayer Trindade & Hugo Calhim Cristóvão apresentam “Da insaciabilidade no caso ou ao mesmo tempo um milagre” às 18h30 do dia seguinte, partindo de Almada Negreiros e da sua velocidade em despertar cérebros no corpo. Simultaneidade, velocidade, incongruência com o exclusivo, assimilação e sobreposição conduzem ao maximalismo em associação com a eternidade rápida e urgente de Almada e unem com o gesto, mais que com a teoria, de atos dadaístas e surrealistas de hibridismo de linguagens e de espontaneidade. Uma coreografia focada no excesso, na sobreposição de padrões, na associação de elementos díspares, no sem sentido, não discursivo, não demonstrável. Na multíplice experiência do irrepetível.


A primeira semana da 8ª edição do festival termina com a nova criação de Rui Horta no sábado, 3 de fevereiro, às 21h30. “Humanário”, uma obra criada em conjunto com Tiago Simães, responsável pela direção musical do projeto, tem estreia absoluta no GUIdance e integra cerca de 40 intérpretes, entre estes amadores, onde o traço de união é a capacidade vocal. “Humanário” reflete a importância da coesão da comunidade em diálogo com as idiossincrasias dos intérpretes. Uma obra sobre a diversidade, mas igualmente sobre a construção de um objeto comunitário. Reduzida à voz e ao corpo, a peça cria um traço de união, numa celebração da diferença de géneros, idades e culturas.

A segunda semana de espetáculos abre a 7 de fevereiro, quarta-feira, no mesmo horário, com a “Vespa” de Rui Horta, peça que estreou no CCVF em abril do ano passado, aquando da celebração dos seus 60 anos de vida, e que agora é reposta no GUIdance. Um solo, interpretado pelo próprio. Uma peça sobre uma cabeça a explodir, sobre o que nem sequer falhámos porque nos coibimos de cumprir. Um espetáculo extremamente pessoal, em que teve de lidar consigo próprio através da solidão e do confinamento, testando os limites da mente e do corpo. Após 30 anos de ausência dos palcos, o coreógrafo e bailarino português – em destaque nesta edição – dança existência fora, projetando num plano infinito a ideia do eterno começo, criando futuros.

A peça de Patricia Apergi, “Cementary”, espetáculo que esteve em residência artística no Centro de Criação de Candoso (Guimarães), apresenta-se agora em estreia nacional no palco do CCVF a 8 de fevereiro, também às 21h30, assinalando a segunda visita de Patricia Apergi à cidade berço e ao GUIdance, depois da presença no festival em 2015 com “Planites”. Neste espetáculo, a coreógrafa grega continua a indagar sobre um tópico central na sua obra, o labirinto urbano, focando-se agora na cidade como lugar de caos. Um lugar de abandono, onde vagueiam os sem-abrigo, onde edifícios que outrora tinham vida são largados à ruína, lugar que foi de encontro e efervescência, mas que no futuro será sinónimo de desolamento.

O “Jaguar”, de Marlene Monteiro Freitas com a colaboração de Andreas Merk, irrompe palco dentro na noite seguinte às 21h30. “Jaguar” é um cruzamento de inspirações que brotam muitas vezes sem controlo e que fazem da arte o que ela deve ser: uma força incontrolável, que não se fecha em rótulos ou denominações, mas que voa livre na cabeça de quem cria. E da cabeça passa para o corpo, que prolifera uma dança sem restrições. Marlene Monteiro Freitas é uma força da natureza e por isso esta criação não podia ter outro nome que não “Jaguar”, que explode natureza nos seus mais diversos e amplos sentidos.    


No último dia do festival, 10 de fevereiro, às 18h30, “Titans” de Euripides Laskaridis surge com todo o poder que o lugar da ficção nos reserva. Nesta peça, que chega ao GUIdance como um lembrete da frágil condição humana, evocando a importância de todos os fracassos, Euripides Laskaridis trabalha em estreita colaboração com o figurinista Angelos Mendis e cria um cenário apocalíptico para explorar a perseverança da humanidade diante do desconhecido. O desespero perante o fim da razão, um mundo desolador que evoca uma era em que os titãs governavam o universo. “Titans” traz à cena criaturas dos sítios mais recônditos da mente para refletirmos sobre quem somos, assinalando o quão frágil e enganador é o arquétipo da perfeição.

A viagem termina neste mesmo dia, às 21h30, com o regresso da companhia belga Peeping Tom que depois de “Moeder” (Mãe) – espetáculo apresentado no 12º aniversário do CCVF – nos traz, agora, “Vader” (Pai), a primeira parte desta trilogia em torno da família. “Vader” reflete sobre a decadência, o vazio, a indiferença e a fúria a que estamos sujeitos quando a vitalidade nos abandona, socorrendo-se, ainda assim, de algum humor. A ação passa-se num cenário que nos remete para um lar de idosos, muito semelhante a uma cave, um lugar onde somos muitas vezes deixados ao abandono. Um retrato de um lugar que nos remete para a solidão no fim da vida, obrigando a uma introspeção sobre um filme que já (quase) acabou. No final desta edição, regressamos, assim, àquilo que a dança em si (sempre) transporta: a relação entre o ser humano. Porque também isso carece de urgência na sua reinvenção.

As habituais atividades paralelas juntam-se ao cartaz principal para aproximar público, artistas, escolas e pensadores, estreitando ligações e o saber inerente ao processo criativo, afirmando o GUIdance como um importante acontecimento artístico no calendário de inverno. Destas fazem parte as masterclasses com as companhias Wayne McGregor e Peeping Tom (dias 02 e 09, respetivamente), conversas pós-espetáculo com os artistas (dias 01, 03, 08 e 10), debates moderados pela jornalista Cláudia Galhós (dias 03 e 10), conferências para escolas protagonizadas pela mesma (dias 08 e 09) e sessões que levarão os artistas Joana von Mayer Trindade e Rui Horta às escolas do concelho de Guimarães (dias 01 e 06). O meeting point do festival, após os espetáculos, tem lugar marcado no Café Concerto do CCVF.

À semelhança dos anos anteriores, as apresentações do GUIdance desdobram-se entre o Centro Cultural Vila Flor (CCVF) e a Black Box do Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG). Os bilhetes já estão à venda e o preço varia entre os 3,50 e os 10,00 euros, havendo ainda a possibilidade de adquirir diferentes assinaturas para o festival. Os alunos que frequentam Escolas de Artes Performativas têm um preço especial de 4 euros nos espetáculos.

Consulte o programa completo do GUIdance em www.ccvf.pt.

Programa GUIdance 2018

Quinta-feira, 1 de fevereiro
Horário: 21h30 | Local: CCVF / Grande Auditório 
Autobiography [Estreia Nacional]
Company Wayne McGregor

Sexta-feira, 2 de fevereiro
Horário: 21h30 | Local: CCVF / Pequeno Auditório 
O Limpo e o Sujo
Vera Mantero

Sábado 3 de fevereiro
Horário: 18h30 | Local: CIAJG / Black Box 
Da insaciabilidade no caso ou ao mesmo tempo um milagre
Joana von Mayer Trindade & Hugo Calhim Cristóvão

Horário: 21h30 | local: CCVF / Grande Auditório 
Humanário [Estreia Absoluta]
Rui Horta

Quarta-feira 7 de fevereiro
Horário: 21h30 | Local: CIAJG / Black Box 
Vespa [Reposição]
Rui Horta

Quinta-feira 8 de fevereiro
Horário: 21h30 | Local: CCVF / Grande Auditório
Cementary [Estreia Nacional]
Aerites Dance Company / Patricia Apergi

Sexta-feira 9 de fevereiro
Horário: 21h30 | Local: CCVF / Pequeno Auditório 
Jaguar
Marlene Monteiro Freitas com a colaboração de Andreas Merk

Sábado 10 de fevereiro
Horário: 18h30 | Local: CIAJG / Black Box 
Titans [Estreia Nacional]
Euripides Laskaridis

Horário: 21h30 | Local: CCVF / Grande Auditório 
Vader
Peeping Tom

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