23/2/2019 a 9/6/2019 Centro Internacional das Artes José de Guimarães inaugura ciclo de exposições dedicado ao Pensamento Ameríndio

Este sábado, 23 de fevereiro, o Centro Internacional das Artes José de Guimarães inaugura o novo ciclo de exposições dedicado ao ‘Pensamento Ameríndio’. "Variações do Corpo Selvagem: Eduardo Viveiros de Castro, Fotógrafo", com curadoria de Veronica Stigger e Eduardo Sterzi, e "Carõ – Multidões da Floresta", uma exposição de João Salaviza e Renée Nader Messora realizada em colaboração o Doclisboa, irão ocupar os pisos 0 e -1 do Centro até ao dia 9 de junho de 2019.

cardapio.pt @ 22-2-2019 15:31:00

Variações do Corpo Selvagem: Eduardo Viveiros de Castro, Fotógrafo é uma exposição antológica do trabalho de Eduardo Viveiros de Castro, reconhecido internacionalmente como um dos mais importantes antropólogos da atualidade. Com a teoria do perspetivismo ameríndio, desenvolvida a partir de meados da década de 1990, Viveiros de Castro passou a ter uma notável influência noutros campos do conhecimento – na estética, na teoria literária, na filosofia política, na filosofia do direito e, sobretudo, na prática artística. O que poucos sabem é que antes de ser antropólogo, foi fotógrafo, sendo responsável por algumas das imagens mais emblemáticas do artista plástico Hélio Oiticica e do poeta Waly Salomão, assim como pelas fotografias de cena de filmes do cineasta Ivan Cardoso. Esta exposição – que já passou por São Paulo, Araraquara e Frankfurt – apresenta, pela primeira vez, um amplo recorte do trabalho fotográfico de Eduardo Viveiros de Castro, agrupando cerca de 200 imagens realizadas ao longo de sua atividade como etnólogo junto aos índios Araweté, Kulina, Yanomami e Yawalapíti.

Antes da inauguração da sua exposição, marcada para as 18h00, Eduardo Viveiros de Castro realizará uma conferência, pelas 16h00, no Salão Nobre da Sociedade Martins Sarmento, uma oportunidade imperdível de conhecer de perto um dos mais conhecidos antropólogos brasileiros, professor do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, instituição destruída pelo fogo, em setembro do ano passado, que arrasou quase totalmente uma coleção de mais de 20 milhões de peças, com um valor incalculável.

Em simultâneo com a mostra de Eduardo Viveiros de Castro, o Centro Internacional das Artes José de Guimarães inaugura Carõ – Multidões da Floresta, uma exposição de João Salaviza e Renée Nader Messora realizada em colaboração com o Doclisboa. Carõ – Multidões da Floresta é um percurso visual e sonoro que propõe um olhar sobre as concepções acerca da morte presentes na cosmologia do povo indígena Krahô, indo ao encontro da potência estética e política das suas representações na mitologia, nos cantos e na vida ritual.

Como é habitual, neste primeiro ciclo expositivo de 2019, a coleção permanente do CIAJG sofre uma remontagem, desta vez com Clareira, um projeto de Manuel Rosa realizado em diálogo com a coleção permanente de José de Guimarães, em particular com a cerâmica Pré-Colombiana. A intervenção no piso da coleção permanente do Centro completa-se com A Morte de Ubu, de João Louro.

À noite, após a inauguração das exposições, a partir das 22h30, ‘Tiago e os Tintos’ ocupam a cafetaria do CIAJG para nos desvelar a sua música, recentemente descoberta, num concerto protagonizado por esta promissora banda da nova vaga musical portuguesa. Tiago Faria há muito que já faz canções, mas, excetuando um ou outro amigo mais próximo, ninguém mais as ouvia. Encorajado por Bruno Duarte e pelos chefes da Favela Discos, formou uma banda e deu um novo corpo à sua música, capaz de enfrentar o público sem medo e sem pudor. As letras, de um tom quase diarístico, cantadas por Tiago Faria e acompanhadas pelos Tintos – Bruno Duarte (Terebentina), no baixo, Luís Gigante (Terebentina), na guitarra e Miguel Ferreira (Marvin), na bateria – deram fruto a um som difícil de categorizar, sem desvirtuarem, no entanto, a origem pop do compositor. ‘Tiago e os Tintos’ afirmam-se como uma das bandas mais promissoras dos últimos tempos, sendo que a sinceridade das suas canções não é algo muito ouvido nos dias de hoje.

O programa inaugural do novo ciclo expositivo do CIAJG prolonga-se no domingo, 24 de fevereiro, às 17h00, com a estreia de Ponto de Fuga, uma visita performativa, da autoria de Nuno Preto. Nesta viagem, na companhia de Ângela Quintela Diaz, Gil Mac, Nuno Preto e Sara Vieira Marques, os visitantes são autorizados a deixar escapar o olhar para onde, normalmente, não olham e a deixar passar o corpo para onde ele, normalmente, não mexe. Ponto de Fuga é dirigido a maiores de 6 anos e já estão agendadas as seguintes viagens: para público geral e famílias a 24 de fevereiro, 31 de março e 28 de abril, sempre às 17h00; para público geral, grupos escolares e outras instituições a 1 e a 29 de abril, às 10h30 e 15h00, em ambos os casos. A marcação para grupos escolares e outras instituições deve ser realizada com, pelo menos, uma semana de antecedência, através de telefone 253 424 700 ou e-mail mediacaocultural@aoficina.pt.

A reflexão em torno do ‘Pensamento Ameríndio’ irá prolongar-se durante o mês de março, nos dias 20 e 21, com a Mostra de Cinema Ameríndio ‘Filmar para lembrar e nunca esquecer - Filmes feitos por indígenas no Brasil’, um programa Doclisboa, e com uma conversa onde a antropóloga Ana Morim de Lima partilha a experiência da cultura material e imaterial dos Índios Krahô e o seu trabalho de campo realizado para a exposição. Por fim, em abril, uma conversa com a antropóloga e curadora Eglantina Monteiro irá conduzir o público pela sua experiência de campo na Amazónia.

O CIAJG encontra-se aberto de terça a domingo, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 19h00. Aos domingos de manhã, a entrada é gratuita.


Programa

23 fevereiro, 16h00
[Sociedade Martins Sarmento]
Conferência com Eduardo Viveiros de Castro

23 fevereiro, 18h00
Inauguração do 1º Ciclo Expositivo do CIAJG

Salas #12-13
Variações do Corpo Selvagem: Eduardo Viveiros de Castro, Fotógrafo
Curadoria de Eduardo Sterzi e Veronica Stigger

Salas #9-11
Carõ - Multidões da Floresta
Uma Exposição de João Salaviza e Renée Nader Messora

Salas #2, 4, 5 e 8
Clareira
Manuel Rosa
Curadoria de Nuno Faria

Sala #2
A Morte de Ubu
João Louro
Curadoria de Nuno Faria

23 fevereiro, 22h30
Concerto Tiago e os Tintos

24 fevereiro, 17h00
Ponto de Fuga
Visita Performativa

20 e 21 março, 21h30
Mostra de Cinema Ameríndio

21 março, 18h00
Conferência com Ana Morim de Lima

18 abril, 18h00
Conferência com Eglantina Monteiro


Informações

Datas: 23 de fevereiro a 9 de junho de 2019

Local: Centro Internacional das Artes José de Guimarães

Mais informações em http://www.ciajg.pt

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