Projecto Pioneiro “EmoMúsica”: A expressividade emocional de Pedro Abrunhosa.

O cantor e compositor português, Pedro Abrunhosa, exibe uma expressão facial e vocal emocional «congruente, consistente e verdadeira», segundo o director do Laboratório de Expressão Facial da Emoção (FEELab) da Universidade Fernando Pessoa, Porto, Professor Doutor Freitas-Magalhães.

FEELab/UFP @ 2-2-2015 10:09:04

Facebook Twitter Pinterest LinkedIn WhatsApp

Para o Professor Doutor Freitas-Magalhães, que falava hoje na apresentação dos resultados no âmbito do projecto pioneiro em Portugal “EmoMúsica”, «os movimentos e linguagens faciais de Pedro Abrunhosa são simétricos e articulados com o discurso verbal e contexto nos quais são produzidos e exibidos».

O Laboratório de Expressão Facial da Emoção desenvolveu um estudo inédito da expressão e linguagens faciais e vocais de Pedro Abrunhosa, ao longo dos 20 anos de carreira do cantor, avaliando e validando mais de um milhar de horas de vídeos, sons e imagens, e concertos ao vivo, e integrado no projecto científico pioneiro «EmoMúsica”.

Para o Professor Doutor Freitas-Magalhães, «a matriz científica consensual que se aplica no exercício do estudo da expressão facial revela coerência psicofisiológica, particularmente das unidades de acção muscular associadas aos estados emocionais».

Um dos exemplos daquela «harmonia facial» é “a emocionalidade impregnada na face, na voz e nas letras” de Pedro Abrunhosa, definido pelo Professor Freitas-Magalhães como «um modelo de comunicação verdadeira, porque cumpre, na íntegra, os pressupostos da intensidade, duração e congruência contextual».

O Professor Doutor Freitas-Magalhães classificou Pedro Abrunhosa como um “escritor de emoções” e que dá “ressonância emocional intensa através do exercício musical”.

O estudo incidiu na face e na voz. As palavras são estímulos essenciais na construção da emoção.

Pedro Abrunhosa impregna as letras e as músicas na interação permanente entre um Eu e um Tu, às vezes uma mulher, às vezes um homem. Noite, dia, luz, corpo, fogo, chão, voar, frio, sol, lua, sozinho, anjo, nada, tudo, sempre, momento, barco, manhã, preto, deserto, resistir, partir, cais, beijo, céu, madrugada, vento, pássaros, mar, chorar, tempo, lágrimas, marés, tempestade, são alguns dos termos que o cantor usa permanentemente numa “dialéctica emocional, por vezes de intensidade máxima, para justificar a força da comunicação e a partilha de momentos biográficos”.

Para o Professor Doutor Freitas-Magalhães, Pedro Abrunhosa “força as palavras, por vezes em jeito de grito que vem lá do fundo da emoção, numa vivência quase de memória de quem sabe do que está a falar ou a cantar”, para enfatizar que estamos perante uma “emocionalidade de intervenção que parte quase sempre de um Eu para um Tu, sendo este último o objecto da metáfora musical”.

“Pedro Abrunhosa, quer nos seus álbuns quer nos concertos ao vivo, pretende que as palavras e as músicas façam parte, lado a lado, da emocionalidade de quem está envolvido a ouvir. É uma partilha emocional”, considerou o Professor Freitas-Magalhães, para quem o repertório “inscreve palavras e sons que apelam à emoção pura”.

“O cantor tem a preocupação de fazer com que a música ajude à respiração das palavras, daí o silêncio da voz em inúmeros momentos certos”, anotou, para esclarecer que “Pedro Abrunhosa pretende que as suas canções, ou melhor, que as suas emoções, sejam intemporais, por configurarem uma emocionalidade humana intensa”.

“Viagens” do álbum “Viagens” (1994) é um perfeito retrato emocional do Pedro Abrunhosa. Está ali toda a emoção de quem a viveu, sem amarras. É um grito emocional, um emblema, um testemunho de vida. A viagem das palavras e dos sons pela vida emocional do Pedro”, classificou o Professor Doutor Freitas-Magalhães, para quem o cantor “é um exemplo da emocionalidade portuguesa. Consegue dizer e cantar uma emocionalidade forte de proximidade, de quase saudade de estar sempre em construção emocional”.

“Por vezes, e mais do que os vestígios faciais, o compositor consegue que a voz grave e forte provoque a construção emocional de quem ouve”, caracterizou o Professor Doutor Freitas-Magalhães, para acrescentar que tal “é notório em diversas composições musicais, das quais emerge, por exemplo, “Viagens” e “Se Eu Fosse Um Dia o Teu Olhar”.

Para o pioneiro em Portugal dos estudos científicos sobre a expressão facial da emoção na comunicação humana, «a expressividade emocional verdadeira e espontânea justifica a facilidade, a aceitação e o sucesso nacional da interacção comunicativa» de Pedro Abrunhosa e representa «um estudo de caso público exemplar no âmbito da ciência da face humana associada à música”.

Aquele linha de investigação denominada "EmoMúsica", integra um projeto mais amplo, o "FACE", lançado, em 2009, por aquele laboratório, e que vai permitir cartografar, ao nível neuropsicofisiológico, a expressão facial dos portugueses, com recurso a tecnologia de imagiologia.

Segundo o Professor Freitas-Magalhães, diretor do organismo, o projeto visa "mapear a emocionalidade nos diversos tipos de música portuguesa e qual a sua função no contexto da comunicação e das interações sociais".

“A música é uma dimensão de interação humana, e de partilha de emoções, e identificar e reconhecer o conteúdo emocional que a impregna é, certamente, compreender a matriz portuguesa”, enfatizou o responsável durante a apresentação.

Entre as temáticas que são analisadas estão, por exemplo, as raízes emocionais da evolução da música, a contribuição da música na produção das emoções, a emoção de interação e as reações do ouvinte à música ou a interpretação emocional da voz.

Os investigadores pretendem que os resultados sejam um contributo para a constituição de um banco de dados de expressão facial disponível para as mais diversas aplicações sociais como, por exemplo, na saúde, na justiça e na educação.

“No final de uma década de estudo da emoção dos portugueses, que terminará em 2019, será possível traçar um retrato emocional de Portugal", concluiu o diretor do FEELab/UFP, que considera o "EmoMúsica" um "contributo indispensável” para o fazer.

O Laboratório de Expressão Facial da Emoção, fundado em 2003, é o único do género no nosso país, sendo que o "pioneirismo e inovação" do seu trabalho científico lhe tem valido distinções por parte de diversas entidades nacionais e internacionais.

FEELab/UFP @ 2-2-2015 10:09:04


Clique aqui para ver mais sobre: Música


Facebook Twitter Pinterest LinkedIn WhatsApp