NOS Primavera Sound 2016
O NOS Primavera Sound está de regresso ao Parque da Cidade do Porto entre os dias 9 a 11 de junho de 2016. A programação será novamente distribuída por 4 palcos diferentes, que vão ser pisados por uma extensa lista de artistas. Já conhece o cartaz completo do festival?
cardapio.pt @ 7-6-2016 14:45:00
PROGRAMAÇÃO DIÁRIA
QUINTA-FEIRA - 9 DE JUNHO DE 2016
Animal Collective
Quatro anos após a revolucionária “Centipede Hz”, os Animal Collective voltaram a estúdio para demonstrar por que setornaram a banda que melhor soube exemplificar as mutações sonoras dos últimos tempos. O resultado é “Paiting With”, umálbum que conta com participações de John Cale e Colin Stetson e que Avey Tare, Panda Bear e Geologist conceberam comoum exercício de optimismo colorido e energia polirítmica. Seguindo o caminho marcado por trabalhos como “MerriweatherPost Pavilion” e “Strawberry Jam”, a banda de Baltimore virou mais uma vez de pernas para o ar a música pop e electrónicae embarcou numa nova viagem experimental que atinge o seu clímax no NOS Primavera Sound. Este ano, a banda norteamericana também comemorou quinze anos de carreira com o lançamento de “Live At 9:30”, o seu primeiro álbum ao vivo
Deerhunter
Uma década depois de se darem a conhecer com o seu álbum de estreia homónimo, que revolucionou as bases do noisepop e apresentou à sociedade o inquieto e esbelto Bradford Cox, os Deerhunter continuam a traçar o seu caminho e aredefinir a sua identidade a cada novo lançamento. Assim, depois de piscar o olho ao abstracto e de se empanturrar emdistorção com “Cryptograms” e exibir melodias com orgulho em “Microcastle” e “Halcony Digest2”, a banda de Atlanta temvindo a reformular o pop. O último exemplo é “Fading Frontier”, um álbum que dá seguimento a “Monomania” e que, mais umavez, troca de estilos para acabar a soar a sonhador e luminoso e tão perto do noise como do garage.
Julia Holter
O talento de Julia Holter era um segredo bem conhecido desde que apresentou “Tragedy” e começou a destacar-se comocriadora atípica de art-pop que era tão acessível quanto indescritível. No entanto, foi agora, com o lançamento de “Have YouIn My Wilderness”, que a californiana se estabeleceu como voz fundamental da canção contemporânea. De volta a cançõesde amor e deixando de lado as referências a Viriginia Wolf, Colette ou Grécia Clássica, que salpicavam as suas gravaçõesanteriores, a americana entregou-se ao pop como nunca antes e assinou um dos discos essenciais do ano. Uma viagemcomovente e intimista ao coração da pop e da criação que coloca Holter à altura de grandes artistas como Laurie Anderson
Parquet Courts
Herdeiros da audácia de Pavement, os Parquet Courts chegam de Brooklyn com a intenção de acenar a bandeira do queeles próprios chamam de punk americana, uma mistura de raízes e energia visceral que começou a ganhar forma no seuálbum de estreia “Light Up Gold”. Desde então, a banda metade novaiorquina metade texana confirmou-se como uma fiávele robusta locomotiva de punk alimentado pelo folk e rock nervoso. Um bom exemplo disto mesmo é “Sunbathing Animal”, umálbum no qual apostam em força com canções memoráveis e descargas de electricidade. Representados pela Rough Trade,os americanos acabam de lançar “Monastic Living”, um surpreendente EP experimental e de acabamento quase industrialque podia ter sido o seu próprio “Mental Machine Music”
Sensible Soccers
Os Sensible Soccers editaram o seu primeiro EP em 2011, ano em que também se estrearam nas actuações ao vivo. Alémdo primeiro EP, editaram também “Fornelo Tapes Vol.1”, o single “Sofrendo Por Você” e em 2014 lançaram o primeiro longaduração, intitulado “8”, unanimemente considerado pela imprensa nacional como um dos melhores discos editados nesseano. Seguiram-se 14 meses de concertos de apresentação do novo trabalho, maioritariamente em Portugal, mas incluindo,também, passagens por Espanha e França. A sonoridade dos Sensible Soccers aborda estéticas muito variadas, dasmelodias pop a estruturas e arranjos em progressão, que ganham uma energia extra nos espectáculos ao vivo. Nestemomento, a banda já se encontra a preparar o novo álbum, a ser editado ainda este ano.
Sigur Rós
Prestes a embarcar numa revisão de alguns dos seus trabalhos mais emblemáticos, a banda islandesa Sigur Rós regressa àestrada para testar novas canções e experimentar ao vivo algumas das composições que pode incluir no seu novo trabalho,successor de “Kveikur”. Uma boa oportunidade para descobrir se a banda de Jon Thor Birgisson segue o caminho escuroe íngreme no qual se aventurou no último álbum ou se está de volta às paisagens cristalinas e celestiais do post-rock de“Ágætis Byrjun” e “() “, registos que lhes trouxeram a fama há mais de uma década.
U.S. Girls
Foi uma das grandes revelações da edição passada do Primavera Club e regressa agora para continuar a aproveitar oexcelente momento que vive desde o lançamento de “Half Free”, o primeiro trabalho da artista para a 4AD. Algures entre oglam, o pop dos anos sessenta e a electrónica sabiamente retorcida entre sintetizadores, “Half Free” não é mais do que aconfirmação de todas as pistas que Meghan Remy tinha andado a deixar dispersas em gravações como “Go Grey” ou “Gem”.Um feito aplaudido pela crítica e ao qual a artista de Illinois chegou sem necessidade de medir as palavras ou adocicar avocação experimental que casa na perfeição com a sua imagem de diva vinda de outra época.
Wild Nothing
Seguindo os passos de The Pains Of Being Pure At Heart e a sua devoção à actualização do som de C-86 e do shoegazeadocicado, os Wild Nothing começaram como uma explosão de pop poderoso e, pouco a pouco, moldaram a sua sonoridadeaté encaixar numa visão pessoal e angular do dream-pop. A banda liderada por Jack Tatum estreou-se em 2010 com “Gemini”e quatro anos depois de “Nocturne”, o seu segundo trabalho, regressa com “Life Of Pause”, um registo que o prórpio Tatumapresenta como “mais maduro e honesto” e no qual incorpora texturas vaporosas, deliciosos jogos de vozes e ritmos maisvariados e complexos. Um cunho pessoal capaz de revolucionar o pop mais evocativo
SEXTA-FEIRA - 10 DE JUNHO DE 2016
Brian Wilson performing Pet Sounds
Notícia de última hora: A lenda de “Pet Sounds”, o registo que mudou a história da pop e consagrou Brian Wilson como océrebro por trás dos Beach Boys e como compositor excepcional, está de volta aos espectáculos ao vivo. Coincidindo como quinquagésimo aniversário do lançamento do álbum, e impulsionado pela resposta do público ao filme biográfico “Love &Mercy”, Wilson vai voltar à estrada para celebrar a vida de uma das obras-primas da pop. Não é à toa que falamos sobre otrabalho que levou a pop à maturidade, marcou um caminho para os Beatles e influenciou praticamente todos os aspectosda música popular. Acompanhado por Al Jardine e Blondie Chaplin, bem como por alguns dos músicos que o ajudaram arealizar “Pet Sounds” ao vivo em 2002, Wilson está de volta com uma oportunidade histórica para ver ao vivo um dos álbunsmais bonitos alguma vez gravado.
Beach House
Conquistaram a Apolo, em Barcelona, com dois concertos mágicos no passado mês de Novembro e estão de regressopara contar e cantar as virtudes de “Depression Cherry” e “Thank Your Lucky Starts”, ambos lançados em 2015. Firmementeestabelecidos no topo do pop sonhador e cativante, Victoria Legrand e Alex Scally saíram há muito da sombra dos CocteauTwins para se reinvindicarem como artesãos excepcionais de melodias sombrias e do pop esponjoso. Com quase umadécada de carreira, e impulsionados pelo impacto de álbuns como “Bloom” e “Teen Dream”, o duo de Baltimore está deregresso ao festival que os viu crescer e revelar-se em 2012.
BEAK>
Nasceu como uma experiência, um projecto impulsionado por Geoff Barrow para combater os largos períodos de inactividadedos Portishead, e acabou por se tornar num rolo compressor massivo de krautrock mutante que é cada vez mais difícilde classificar. Acompanhado por Billy Fuller e Matt Williams, Barrow deu forma a um organismo sonoro que se alimenta daelectrónica experimental, do hip hop, do rock avant-garde e da música industrial que engendrou os primeiros dois álbuns,editados em 2009 e 2012, e que agora levam ainda mais longe com o EP que lançaram com <KAEB, alter ego que a bandautiliza para dar voz à paixão pelo folk e por conecções impossíveis. A banda está também a preparar a sua participação nabanda sonora de “Couple In A Hole”, filme de Tom Geens.
The Black Madonna
Atrás do nome artístico The Black Madonna está Marea Stamper, uma activista da música house que nos últimos anos setornou uma das disc jockey mais solicitadas tanto na Europa como nos Estados Unidos, onde partilhou com Derrick Cartere Frankie Knuckles o posto de DJ residente do Smart Bar de Chicago. Com uma concepção de música electrónica na qual assessões cheias de pedras preciosas obscuras são tão importantes como o feminismo e o hedonismo, a artista de Kentuckyé também uma produtora talentosa com sucessos soberbos como “Exodus” e “Stay”, entre outros. Nos seus sets, sempreagradáveis e reveladores, há espaço para um caleidoscópio de géneros que podem ir de Arthur Baker a Metro Area passandopor Merle e The Flirts.
Cass McCombs
Passou mais de uma década a explorar de trás para a frente todos os cantos da música folk e da canção de autoramericana sem nunca se repetir nem lançar dois álbuns iguais ou ter actuações parecidas. Assim, se em “Big Wheels AndOthers” transitava entre o country-folk da mais alta qualidade e delícias psicadélicas, o artista californiano voltou a virartudo do avesso com “A Folk Set Apart”, uma colecção de raridades e lados B nos quais revela o seu lado mais domésticoe eclético. Uma nova distinção para um artista que, antes de se dar a conhecer com vários trabalhos excelentes, ganhouprestígio e reconhecimento com “Catacombs”, disco com que marcou o seu lugar entre o que há de mais selecto na inquietaAmericana.
Destroyer
Duas décadas de trabalho, um talento inato para a composição e colaborações com os luminosos The New Pornographers,converteram Dan Bejar num dos grandes tesouros da música canadiense. Compositor de feitos clássicos mas com umuniverso próprio cada vez mais rico, o natural de Vancouver não fez mais do que crescer com cada lançamento de Destroyer,projecto que estreou em 1996 com “We’ll Build Them a Golden Bridge” e que chegou a 2015 em plena forma com o soberbo“Poison Season”, trabalho em que reinterpreta à sua maneira o romanticismo dos clássicos dos anos setenta como Bowie,Springsteen ou Lou Reed. Entretanto, o canadiense também teve tempo de criar amizade com Antonio Luque e gravar umEP de versões de Sr. Chinarro.
Dinosaur Jr.
Depois de comemorarem o trigésimo aniversário do seu furioso e estrondoso álbum de estreia com uma maratona de seisconcertos no Bowery Ballroom de Nova Iorque, os Dinosaur Jr. continuam sem dar sinais de possível reforma e cruzam oAtlântico para celebrar essa segunda juventude que começou em 2005 com a sua reunião e o lançamento de “Beyond”. Umadécada mais tarde, e consagrados como lendas do indie americano graças a trabalhos como “Bug”, a banda de J Mascisregressa ao festival para soltar uma nova tempestade de pop sem remorso e noise complexo e ir na crista de “I Bet On Sky”,o seu mais recente álbum. Enquanto espera que o trio volte a estúdio, J Mascis já se encontra a gravar “Slow Boy” com KimGordon.
Empress Of
Lorely Rodriguez precisou de pouco mais de dois anos para que o seu projecto Empress Of passasse de veículo prometedorde pop sintetizada a assombrosa revelação do ano. Foi esse o caminho que percorreu a artista nascida nas Honduras, ecriada em Brooklyn, entre o EP “Systems” e o seu primeiro álbum “Me”, uma abundância de talento, produções sofisticadas,sintetizados pujantes e ritmos descarnados que lhe valeram comparações com Grimes e Björk. Confirmada por cançõescomo “How Do You Do It” e uma voz imcomparável, a novaiorquina por adopção converteu-se num nome fixo nas listas domelhor de 2015 e na grande revelação pop do ano, como mostrou na última edição do Primavera Club.
Floating Points (live)
Atrás de Floating Points esconde-se o DJ e productor britânico Sam Shepherd, um artista capaz de se mover com desenvoltura entre o soul, o hip hop e o jazz, liderar uma banda de dezasseis músicos chamada Floating Points Ensemble ou mudar de divisão por completo e tornar-se Dr. Sam Shepherd, neurocientista que aproveitou o pouco tempo livre que ainda tinha enquanto preparava o seu doutoramento para dar asas à sua paixão pela música electrónica. Daqui surge a sua faceta de criador inquieto e um trabalho como “Elaenia”, estreia discográfica em que, o também fundador da editora Eglo Records, funde jazz e música electrónica numa fascinante odisseia experimental.
Freddie Gibbs
Com um passado conturbado e uma representação frustrada na Interscope em 2006, Fredrick Tipton, mais conhecidocomo Freddie Gibbs, não parou desde que se juntou com Madlib e encontrou em “Piñata” uma via de escape para o hip hop.Desse exercício de funk de velha guarda, R&B galático, soul psicadélico e visitas a 2Pac e RZA saiu um MC que relatava asua ascenção ao estrelato e cantava sobre o lado obscuro do sonho americano. Um ano depois, o rapper de Indiana volta àcarga com “Shadow Of A Doubt”, nova viagem pelo rap que tem tanto foco no futuro como respeito pelo passado.
Holly Herndon
Na vanguarda das últimas tendências electrónicas e convertida por direito próprio em diva da hipertecnologia, Holly Herndonexemplifica como ninguém a comunhão entre teoria e prática na criação contemporânea. Estudante de doutoramento emComputer Music na Universidade de Stanford, a artista do Tennessee desenvolveu uma linguagem musical complexa feitade colagens, indagações electroacústicas, beats delicados e múltiplas camadas de sons. Tudo isto levou a comparaçõescom Matmos e transformou-a numa das artistas mais visionárias da cena electrónica. Depois de se estrear, em 2013,com “Movement”, a americana acaba de lançar “Platform”, uma fascinante viagem digital pelos mais recentes avanços natecnologica na qual, mais que nunca, forma e conteúdo se aliam na busca da obra de arte 2.0
Kiasmos
Kiasmos é o ponto de encontro de Ólafur Arnalds e Janus Rasmussen, um projecto a quatro mãos centrado na exploração dominimalismo experimental e nas suas múltiplas possibilidades. Com uma bagagem que vai do pop electrónico de Bloodgroup,no caso de Rasmussen, ao celebrado piano clássico, no caso de Arnalds, lançaram, em 2014, um álbum homónimo quefunde o clássico e o sintético e sobrepõe atmosferas e ambientes abstractos com a ajuda de um quarteto de cordas, umpiano (o de Ólafur) e um punhado de sintetizadores e caixas de ritmos. O resultado é uma fascinante travessia pela caramais cativante e orgânica da música electrónica.
Mudhoney
São história viva do rock americano e a banda que colocou Seattle no mapa antes dos Nirvana começarem sequer a afinaros seus intrumentos mas que acabou enterrada na avalanche do grunge dos anos noventa. Surgidos das cinzas de GreenRiver, os autores de “Touch Me I’m Sick” passaram mais de duas década fiéis a uma monolítica e demolidora concepçãode rock que bebe do punk, da psicadélica pesada e do garage e, longe de estarem prestes a terminar, continuaram aacrescentar à lenda de álbuns como “My Brother The Cow” e o incónico EP “Superfuzz Bigmuff” novos êxitos incluindo “TheLucky Ones” e “Vanishing Point”, que gravaram em 2013.
Mueran Humanos
Carmen Burgess e Tomás Nochteff são Mueran Humanos, um inquietante duo argentino radicado em Berlim que foi descritocomo “uns Lux e Ivy pósindustriais, uns Chris e Cosey garage rock ou até uns psicadélicos Johny Cash e June Carter”.Credenciais impossíveis que correspondem a canções encharcadas de post-punk e servidas entre sintetizadores poderosose rugosidades industriais. Depois de se apresentarem, em 2011, com um álbum de estreia homónimo, o dúo acaba de assinarcom a ATP Recordings para lançar “Miseress”, uma reinivenção obscura e agonizante das partes menos exploradas dos anosoitenta com guitarras de Jochen Arbeit (Einstürzende Neubauten) e letras que são uma verdadeira ode à inquietação.
PJ Harvey
Depois de agitar Inglaterra e, com ela, uma grande parte do planeta, com o cativante “Let England Shake”, PJ Harvey estáde volta com um novo álbum que será lançado em meados deste ano e com o qual vai acrescentar um novo capítulo auma das carreiras mais notáveis e ingovernáveis da história do rock das últimas décadas. Mais de vinte anos depois de seestrear com “Dry” e depois de fazer história com álbuns como “Rid On Me” ou “Stories From The City, Stories From The Sea”,a artista de Dorset continua a moldar a lenda em que se tornou ao cantar sobre a vida, sobre morte e sobre a guerra ealternando cargas eléctricas com a mais amarga das carícias. A partir daqui vem o magistral “Let England Shake” agraciadocom o Mercury Prize de 2011 e “The Hollow Of The Hand”, uma coleção de poemas ilustrados pelo fotógrafo Seamus Murphyque Harvey lançou o ano passado
Protomartyr
Vindos de uma cidade em ruínas como Detroit, a música de Protomartyr é uma bola de demolição poderosa e lançada àsentranhas do post-punk, um choque eléctrico violento e ritmos secos que começaram a ganhar forma em “Under Color OfOfficial Right” e que são agora definitivamente explorados em “The Agent Intellect”. Com vozes mais recitadas que cantadase letras dolorosamente narrativas de Joey Casey em primeiro plano, o quarteto americano mostra a sua admiração porbandas como Pere Ubu e transforma o post-punk numa cortante e imponente cascata de sons que, tal como aconteceucom os primeiros trabalhos de Gang Of Four, é inquietante e enervante sem necessidade de recorrer a gritos
Roosevelt
Elegante e nostálgica são dois adjectivos que podem ser usados para descrever a música do produtor alemão Marius Lauber,mas nem assim estaria feita justiça ao som que este jovem de Colónia consegue obter, com influências tanto de New Ordercomo de Caribou. Com um pé na disco pop e outro na música house, Lauber estreou-se como Roosevelt com “Elliot”, um EPde pop sintetizado e electrónica intimista lançado pela Greco-Roman. Foi aliás nesta editora, que lançou também Disclosuree Tottaly Enormous Extinct Dinosaurs, que o alemão levou a sua fórmula ainda mais além, aproximando-se do pop líquido edo hedonismo calmo de A.R. Kane com “Hold On/Night Moves”, delicioso EP de confirmação.
Savages
Se “Silence Yourself”, a sua estreia em 2013, já foi uma demolidora demostração de força e uma debandada de post-punkem bruto, Savages superaram-se com “Adore Life”, um cortante rolo compressor com o qual o quarteto de Londres levou aolimite a sua airada e inclemente revisão do punk mais feroz. Com apenas quatro anos de carreira, a banda formada por AyseHassan, Fay Milton, Gemma Thompson e Jenny Beth já alcançou um grau de intensidade que poucas bandas podem igualar.Os seus concertos, como o que se viu em Fevereiro de 2014 na sala Apolo de Barcelona, são a melhor prova disto, algo quese poderá comprovar com a sua actuação no festival.
Tortoise
Pioneiros em quase todas as frentes que saíram da reunião entre rock, jazz e música experimental, os Tortoise estão de voltacom “The Catastrophist”, o primeiro disco da banda após quase sete anos e o mais recente exemplo da sua capacidadede construir pontes estilísticas e abrir novos diálogos entre o popular e o avant-garde. Liderados por John McEntire e comcolaborações pontuais de Todd Rittmann (U.S. Maple) e Georgia Hubley (Yo La Tengo), a banda de Chicago retoma assimuma carreira impecável e influente que abrilhantou o post-rock e math-rock, piscou o olho à electrónica, sublimou o quepensávamos da música instrumental e deixou obras fundamentais como “Standards”, “Millions Now Living Will Never Die” ouo seu álbum de estreia homónimo, de 1994.
White Haus
João Vieira é DJ, músico e produtor. Iniciou a sua carreira em Londres nos finais dos anos 90, onde trabalhou como DJ, músico e promotor de clubes. Em Portugal, editou 4 álbuns com X-Wife, banda que fundou e da qual é vocalista, guitarrista e coprodutor. Como DJ Kitten, e a partir do Porto, reescreveu a cena clubbing em Portugal nos anos 2000, com o seu inovadorClub Kitten. Com o alter-ego White Haus, deu início à aventura da composição e produção electrónica. O resultado desteprocesso foi a edição de um EP em 2013 e do álbum de estreia, pela Valentim de Carvalho, em 2014. Tendo já percorrido opaís em vários espectáculos e com presença em todos os principais festivais de Verão, o projecto apresenta-se ao vivocomo uma banda de 4 elementos.
SÁBADO - 11 DE JUNHO DE 2016
Air
Em plena época de comemoração de alguns dos seus grandes sucessos, com a reedição da banda sonora de “As VirgensSuicidas” e recordando o pop etéreo e a electrónica sedosa que marcaram a carreira depois de “Moon Safari”, Nicolas Godine Jean-Benoît Dunckel estão de regresso. Embaixadores estabelecidos da elegância pop, usam o french touch mais inquietoe a electrónica súbtil como ponto de partida para construir imponentes sinfonias lunares. Vinte anos após a sua formação,o duo de Versailhes continua a ser uma das grandes referências da música francesa graças a trabalhos como “10.000 HzLegend”, “Talkie Walkie” e “Love 2”. Além dos projectos paralelos, como Darkel, lançaram em 2012 “Le Voyage Dans La Lune”,banda sonora moderna para o clássico cinematográfico de Mèliés. Em 2014, surpreenderam com “Music For Museum”, umEP inspirado nas obras de arte do Palácio de Belas Artes em Lille.
Algiers
A sua estreia homónima foi um dos disco que marcaram 2015 e também umas das explosões musicais que maisconvincentemente combinou estilos que aparentemente não estão relacionados como o gospel, a música industrial, o funke o post-punk abrasivo. O trio formado por Lee Tesche, Ryan Mahan e Franklin James Fisher dedicou-se de corpo e alma aeste potpourri formidável depois de se dar a conhecer com um par de singles auto editados. Foi assim que se apresentaramem Barcelona, dando um dos concertos mais destacados da última edição do Primavera Club. Agora, regressam em grandepara continuar a abanar essa agitação implacável também alimentada por um insurgente discurso político e social.
Autolux
Estrearam-se em 2005 com “Future Perfect”, disco que os transformou na grande esperança branca do shoegaze do novoséculo mas, depois de seis anos de silêncio e algum ou outro problema com a editora, os californianos não tiveram outraescolha que não regressar à casa de partida e recomeçar com “Transit Transit”. Agora, cinco anos depois e após a fusãoda sonoridade de Sonic Youth com as cascatas de distorção de My Bloody Valentine, a banda norte-americana começou adar pistas sobre o som do seu novo álbum, trabalho que vai aparecer em 2016 e no qual saltam do dream pop para a últimageração de ritmos urbanos sob a supervisão de Boots, produtor de Beyoncé, Run The Jewels, entre outros.
Bardo Pond
Sobreviventes da onda psicadélica que influenciou o indie dos anos noventa e que chegou imbuída de folk obscuro, rockácido e apontamentos de Sonic Youth e Acid Mothers Temple, Bardo Pond ainda continuam no seu caminho. Mais de duasdécadas depois da sua estreia e de assinarem com editoras como a Matador ou ATP Recordings, continuam capazes deexplorar completamente a mistura de ruído, mística e hipnotismo lisérgico. Um bom exemplo disso é “Peace On Venus”,álbum que a banda de Filadélfia lançou em 2013 e que enriquece uma carreria feita de sucessos como “Set And Setting”e “Dilate” com drones, fuzz e intensidade. Desde então, o quinteto tem tido tempo para lançar um punhado de cançõesexclusivas e EPs
Battles
Nasceram como uma célula criativa semelhante ao math-rock e post-rock, mas os novaiorquinos Battles cedo mudaramde direcção para embarcarem numa viagem alucinante pelas margens da experimentação. Daí surgiu o espantoso “GlossDrop”, repleto de ritmos quebrados, maratonas instrumentais e colaborações com artistas do calibre de Gary Numan, MatíasAguayo e Kazu Makino. Agora, surge “La Di Da Di”, uma nova reviravolta sonora na qual a banda deixa de lado as vozes erecupera um formato estrictamente instrumental para capturar o ouvinte com uma colecção de texturas minimalistas epaisagens hipnóticas que bebem tanto do free jazz como do avant-garde. Mais uma surpresa agradável vinda destes magosdo ritmo e da elegância instrumental.
Car Seat Headrest
Através da perseverança e do lançamento de mais de uma dezena de discos no seu Bandcamp, o jovem Will Toledoconseguiu chamar a atenção da Matador Records e, consequentemente, de um bom número de ouvintes que puderamficar viciados na sua habilidade em reinterpretar a receita de bandas como Yo La Tengo, Pavement e Guided By Voices. Porconta própria e enterrado em toneladas de distorção, feedback e pop lo-fi. Assim, com um equilíbrio perfeito entre melodia edistorção, entre lo-fi caseiro e pop radiante, o artista de Virginia deu forma a “Teens Of Style”, um álbum delicioso e viciantede indie amuado que chegou às listas dos melhores de 2015 sem grandes dificuldades.
Chairlift
Caroline Polachek e Patrick Wimberly só precisaram de dois álbuns para converterem Chairlift num delicioso e inclassificáveltorpedo de synth-pop capaz de marcar lugar nas listas de vendas, seduzir através de anúncios de televisão e explodir asbarreiras de estilo, bebendo do mesmo pop dos anos oitenta, da electrónica lustrosa e do folk retorcido. Depois de seestrearem em 2008 com “Does You Inspire You” e de se apresentarem como um cruzamento improvável de Chromatics eStereolab com o seu segundo trabalho, “Something”, a banda de Brooklyn prepara o seu grande salto com “Moth”. Nele, dãoa volta à sua sonoridade para tirar os proveitos de algumas das suas colaborações mais célebres seja com Das Racist ou,no caso de Polachek, com Beyoncé, e aproximarem-se dos ritmos urbanos e de misturas de pop com R&B e bases hip hop.
Drive Like Jehu
Sim, tínhamos Rocket From The Crypt, Hot Snakes e Obits, mas faltava o ponto de partida original, a pista de descolagemde onde John Reis e Rick Froberg tomaram impulso das cinzas da Pitchfork para plantarem a bandeira em cima de umpost-hardcore que estava à espera de ser descoberto. Contemporâneos de Fugazi, os Drive Like Jehu estrearam-se em1991 com um vulcânico álbum homónimo que seguiram com o implacável “Yank Crime”, em 1994, imediatamente antesde desaparecerem para se dedicarem a outros projectos. Agora, duas décadas depois, Mike Kennedy e Mark Trombinoregressam aos palcos para demonstrar por que são considerados padrinhos do emocore, uma das vozes mais ferozes dohardcore e uma das maiores influências do punk do século XXI.
Explosions In The Sky
Com quinze anos de carreira e uma capacidade sobrenatural para transformar o post-rock em complexas malhas sonoras,atmosferas shoegaze e guitarras ardentes, ninguém questiona o lugar dos Explosions In The Sky como grandes guardiõesdo rock instrumental contemporâneo. Cada vez mais afastados dos vestígios de Mogwai, com os quais são comparadosdesde o início, a banda de Austin segue o seu caminho. Depois de provarem o seu valor com álbuns como “How Strange,Innocence” e “All Of Sudden I Miss Everyone”, mudaram de divisão com o impecável “Take Care, Take Care, Take Care”. Desdeentão, os texanos não pararam de crescer e de injectar vida no seu progresso instrumental hipnótico, participando nasbandas sonoras de filmes como “Lone Survivor”, de Peter Berg, e “Prince Avalanche” e “Manglehorn”, de David Gordon Green.
Fort Romeau
O produtor britânico Mike Green estreou-se, em 2012, com “Kingdoms” e, em apenas três anos, conseguiu converter-se numadas grandes referências da música electrónica contemporânea graças à sua facilidade em renovar o house sem perder devista as raízes do género nem a denominação de origem distintiva de Chicago. Nome habitual nas cabines dos melhoresclubes europeus, o londrino combina o som cru e directo com acabamentos mais sofisticados como os que brilham em“Insides”, registo que oferece leituras refrescantes do house, dance e música disco. Uma aposta segura para agitar comelegância a pista de dança.
Linda Martini
Linda Martini é um dos nomes de maior culto na música portuguesa. Com uma carreira feita junto de um público devotodas opções musicais que a banda tomou, o grupo tem construído um legado desde 2004, com EPs e álbuns que traçamum cunho único à banda de André Henriques, Cláudia Guerreiro, Hélio Morais e Pedro Geraldes. “Olhos de Mongol” (2006),“Marsupial” (2008), “Casa Ocupada” (2010) e “Turbo Lento” (2013) encontram-se certamente entre os registos obrigatórios damúsica portuguesa dos últimos anos. Para 2016 o grupo já está a preparar novo disco.
Loop
Lançaram apenas três álbuns antes de se separarem no início dos anos noventa mas o nome continua a ser partefundamental do desenvolvimento do rock britânico do final dos anos oitenta e a sua influência pode ser associada àevolução do space-rock, shoegaze e melodias regadas com drones e distorção. Algures entre a crueza de MC5 e TheStooges e os ritmos repetitivos de Can e Suicide, a banda de Robert Hampson foi, com Spacemen 3, precursora do rockrepetitivo e primário, máxima estilística que exploraram em “Heaven’s End”, “Fade Out” e “A Glided Eternity”. Depois disso, abanda londrina de Robert Hampson parou a actividade e entrou em hibernação até 2013, ano em que voltou à estrada. Umregresso que não se ficou por aí já que a banda regressou a estúdio para gravar o EP “Array 1”.
Manel
Já estrearam o seu terceiro álbum, o aclamado “Atletes, baixin de l’escenari”, no Primavera Sound e regressam agora parafazer o mesmo com o seu novo álbum, o quarto trabalho que seria o da consolidação mas não o foi porque já ninguémdiscute o lugar de Manel como referência número um do novo pop catalão. Depois de uma intensa temporada de concertose de se converterem na primeira banda pop que cantando em catalão conseguiu os lugares mais altos das listas espanholasem duas ocasiões consecutivas, os autores de “Els millors professors europeus” e “10 milles per veure una bona armadura”vão lançar em Abril um novo álbum que confirmará se a banda está de volta ao folk tradicional do primeiro trabalho ou secontinua a explorar o rock áspero e ligeiramente mais electrónico de “Atletes, baixin de l’escenari”.
Moderat
Que a união faz a força é um facto corroborado por Modeselektor e Apparat quando se transformam em Moderat, algo comouma superbanda de techno alemã e um dos projectos mais representativos do som de Berlim. Se, individualmente, os doisprojectos já são peças fundamentais no cenário alemão, a união faz explodir qualquer barreira criativa misturando techno,bass music e pop sofisticado. Com dois álbuns publicados, em 2009 e 2013, o trio apresenta agora o seu terceiro trabalho,uma nova incursão a esse ecossistema sintético que eles próprios criaram.
Neil Michael Hagerty & the Howling Hex
Sobrevivente de Pussy Galore e líder dos Royal Trux, que transformaram o rock and roll em algo corrosivo e periogoso comtrabalhos como “Cats And Dogs”, “Thank You” e “Accelerator”, Neil Hagerty não parou desde que a banda se separou em 2002e, além de produzir Bill Callahan e Hebronix e de publicar bandas desenhadas e romances, também teve tempo para formarnovos projectos como The Howlling Hex ou Dan’l Boone. Sempre entre o rock seco e polido e a experimentação psicadélica,o novaiorquino retoma a sua carreira a solo, depois da breve reunião de Royal Trux com uma série de concertos no verãopassado. Como The Howling Hex, Hagerty lançou mais de uma dezena de álbuns enquanto, em 2012, lançou o álbum de noise maníaco “Dan’l Boone”.
Royal Headache
Celebrado como um dos melhores trabalhos do ano, “High”, o segundo álbum dos australianos Royal Headache, é o melhorexemplo de que punk e soul se podem dar bem. De facto, se o seu álbum de estreia homónimo soava a um rolo compressora esmagar o catálogo completo de Stax, “High” é uma versão mais refinada mas igualmente feroz dessa colisão estética. Umálbum que bebe de The Undertones e The Jam mas também de Motown e Otis Reeding; um trabalho com o qual a banda deSidney consegue um vibrante e aditivo equilíbrio entre guitarras nervosas, ritmo poderoso e refrões imbatíveis.
Shellac
Podia ser simplesmente a banda que mais vezes actuou no festival, mas Shellac acabou por se converter num símbolo,algo como uma banda fetiche. É por isso que, anos após ano, a banda de Steve Albini regressa para colocar em práticaesse rock insurgente que nunca deixa de surpreender nem de vencer. Livres de obrigações promocionais e inafectados pormudanças de modas, a banda de Chicago continua a mergulhar de cabeça na mistura abrasiva de hardcore, math-rock,ritmos insurgentes e guitarras nervosas que, quer emulando o som de “Dude Incredible”, o último álbum, ou recuperando aexplosividade de “1000 Hurts” e “Action Park”, o efeito é sempre o mesmo: uma experiência inesquecível e uma lição de rocktão honesto como cru e esmagador. Imperdíveis, como sempre.
Titus Andronicus
Ovelhas negras do rock urgente e do punk furioso, Titus Andronicus quiseram ir mais longe na busca de um imagináriopróprio aliado às tendências do momento e destacaram-se ao fazerem uma hora e meia de ópera punk com trinta, oumais, canções. Um trabalho conceptual sobre a loucura na qual a banda de Patrick Stickles conjuga obsessessões eapontamentos de The Who, Springsteen, The Clash e Hüsker Dü, enquanto dá asas a uma discografia que já tinha começadoa voar com álbuns como “The Monitor” e “Local Business”. Depois de uma actuação impetuosa, há dois anos, a banda deNew Jersey está de volta para apresentar um registo que promete ser explosivo e feroz ao vivo
Ty Segall and The Muggers
Não foi há muito tempo que o vimos disfarçado de Marc Bolan decadente numa fusão de glam e lo-fi na sua colecçãoparticular de versões de T-Rex e Ty Segall já prepara o seu próximo passo, um “Emotional Mugger” que vem aumentar ocatálogo hiperactivo de garage desinibido. Com a tenra idade de 28 anos, o californiano já lançou mais de 30 singles, umadúzia de LPs e inúmeras gravações ao vivo. Uma prodigiosa obra que o autor de “Sleeper” e ex membro dos Sic Alps usoupara ressuscitar o garage e o rock imprudente, ou hardrock, no caso de seu projeto paralelo Fuzz, e que o converteu no líderclaro da cena underground americana.
Unsane
Foram a ligação entre o metal e o hardcore, o ponto de união entre o noise mais violento e a vanguarda novaiorquina e,desde que se estrearam em 1991 com o álbum homónimo, não deixaram de regar com gasolina e vozes desgarradas tudoaquilo em que tocam. Crua, intensa e impiedosa, a banda de Chris Spencer construiu uma reputação à prova de bombas euma discografia que é pura dinamite. Nem sequer os altos e baixos e as paragens devido a doenças e outras complicaçõesafectaram a banda que reapareceu em 2005 com “Blood Run” e que, em 2012, rompeu cinco anos de silêncio com odemolidor “Wreck”. Regressam agora para mostrar ao vivo por que são considerados umas das instituições hardcore maisimpactantes e implacáveis.
cardapio.pt @ 7-6-2016 14:45:00
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