4/8/2016 a 14/8/2016
Gulbenkian apresenta "Jazz em Agosto 2016"
Entre os dias 4 e 14 de agosto, a Fundação Calouste Gulbenkain apresenta a 33ª edição do Festival Jazz em Agosto. A programação inclui onze concertos no anfiteatro ao ar livre, três na Sala Polivalente do Centro de Arte Moderna, três documentários, duas conferências e a apresentação de um livro. Dez dias que voltam a transformar Lisboa na capital do Jazz.
cardapio.pt @ 29-7-2016 12:22:55
O programa, da responsabilidade de Rui Neves, assenta sobretudo na contemporaneidade e pretende mostrar o que hoje se faz em torno deste tipo de música, com prestações assinadas por alguns dos nomes mais conceituados da actualidade, provenientes do norte da América e da Europa.
O festival começa no dia 4 de agosto com o regresso do guitarrista Marc Ribot. Figura de destaque no "Jazz em Agosto 2014", o guitarrista norte-americano Marc Ribot regressa agora com o projeto The Young Philadelphians, quarteto que se atira com idêntica sanha à herança punk-funk de Ornette Coleman (ao leme da banda Prime Time) e ao período áureo da soul de Filadélfia na década de 1970. Em cada atuação deste pulsante ensemble em que Ribot divide as guitarras com o vanguardista Chris Cochrane, o grupo faz-se acompanhar por um trio de cordas local. Um concerto de abertura vibrante e rigoroso nas suas referências.
À actuação dos The Young Philadelphians junta-se o Lisbon String Trio, um agrupamento de cordas constituído para o efeito. No dia seguinte, Marc Ribot acompanha a solo a projecção do filme "Shadows Choose Their Horrors ", às 18h30, na Sala Polivalente do CAM.
Na sexta-feira, 5 de agosto, é a vez de Tim Berne, e os seus Snakeoil subirem ao palco do Anfiteatro. Iniciada em 2011 pelo saxofonista na busca por uma instrumentação incomum, agrega um conjunto de jovens músicos seguindo a regra de Berne em recrutar “o tipo de músicos que nunca seria primeira escolha”, “que não obedecem muito bem a ordens ou que não se limitam às coisas óbvias”. Desde a estreia pela ECM que o quarteto Snakeoil se tornou uma das mais celebradas formações do jazz atual – ampliado para quinteto com a entrada do guitarrista Ryan Ferreira –, uma reunião explosiva de almas indomáveis.
No sábado, à tarde, Evan Parker e David Toop vão protagonizar uma intervenção sobre músicas antigas e em ameaça de extinção. Já à noite, no Anfiteatro, é a vez do concerto com o projeto do super-trompetista Peter Evans "Pulverize The Sound". Partilhando composições e arranjos dos três músicos, Peter Evans, Tim Dahl e Mike Pride, o projeto Pulverize the Sound desafia a mais enciclopédica das catalogações na atitude exploratória empregue em cada tema. Vale tudo, da improvisação livre da música avant-garde a reminiscências jazz, pós-punk, noise ou thrash metal, tudo recombinado de uma forma improvável.
No domingo o palco pertence à Eve Risser White Desert Orchestra. Durante o período de regência de Daniel Yvinec à frente da Orchestre National de Jazz (2009-2013), Eve Risser inscreveu o seu nome enquanto uma das mais estimulantes pianistas do jazz europeu contemporâneo. Aos poucos, foi depois enformando o coletivo White Desert, estreado em 2015, veículo à medida da sua criação para um decateto e dois coros, uma das várias formações com que tem afirmado a sua marca de compositora e líder do solo à orquestra.
Os Tetterapadequ iniciam a nova semana de concertos na segunda-feira, 8 de agosto. A bizarra designação desta formação composta por músicos portugueses e italianos corresponde a um anagrama de De Patter Quartet, homenagem ao clube de jazz em Haia em que os quatro tocaram repetidas vezes aquando do seu encontro original enquanto alunos do conservatório local. Música de uma imensa liberdade, oscilante entre o explosivo e o contemplativo, entre o melódico e o abstrato, sempre guiada por um inalienável compromisso com a improvisação.
Dia 9 é a vez da estreia dos Petite Moutarde, um quarteto que reúne o violinista Théo Ceccaldi com Alexandra Grimal (saxofones e voz), Ivan Gélugne (contrabaixo) e Florian Satche (bateria). Eleito músico revelação francês de 2014 pela revista Jazz Magazine, o violinista e violista Théo Ceccaldi tem-se revelado um dos mais inventivos músicos da cena jazz europeia desde que, em 2010, formou o projeto Tricollectif. Acompanhado por Alexandra Grimal na liderança do quarteto Petite Moutarde, Ceccaldi encabeça uma desenfreada inquietude sonora, por vezes próxima ao jazz de câmara. No Jazz em Agosto, o grupo acompanhará filmes do surrealismo dos anos 1920 – um interesse particular do músico –, realizados por René Clair, Marcel Duchamp e Man Ray.
Ainda no dia 9 vai ser apresentado o filme "Off the Road", que homenageia o contrabaixista alemão Peter Kowald (1944-2002).
Dia 10 é a vez da estreia absoluta do projecto português Tuba and Drums Double Duo. Dedicado a um pouco habitual instrumento de relevo em formações de jazz, Sérgio Carolino vem ensaiando há vários anos uma série de declinações de música para tuba e outros instrumentos (entre os quais o popular trio TGB) que atinge um novo zénite com este duplo duo – em estreia mundial e resultante de uma encomenda ao músico. O reportório visita tanto o jazz mais mainstream como a música clássica ou a improvisação mais desabrida, colocando uma tónica óbvia numa visão contemporânea e aventureira das extensas possibilidades da tuba no contexto do jazz.
No dia 11 vai ser apresentado o filme "Chicago Improvisations" (novamente com Peter Kowald no centro das atenções) e à noite o grupo Ava Mendoza Unnatural Ways apresenta-se pela primeira vez em Portugal. Blues, punk, psicadelismo e jazz em ebulição encontram-se de forma inesperada no trio comandado por Ava Mendoza. Após ter-se mudado de Oakland para Nova Iorque em 2013, o projeto principal da guitarrista seria reconfigurado com Tim Dahl e Max Jaffe, impulsionando todo o potencial de frenesi até níveis proibitivos. A intensidade e a originalidade presentes na música de Mendoza não demoraram a ser detetadas pelo exigente radar de John Zorn, que logo a puxou para o catálogo da Tzadik, editora pela qual publicará em 2016.
Dia 12 é projectado o terceiro filme escolhido para esta edição, "Electric Ascension live at Guelph Jazz Festival 2012", que apresenta a versão alargada que o Rova Saxophone Quartet idealizou para homenagear um dos mais simbólicos álbuns de John Coltrane.
No palco do Anfiteatro a música vai estar a cargo do grupo Z-Country Paradise, que agrupam músicos da Alemanha, Finlândia e Sérvia, liderados pela voz de Jelena Kuljic. Z-Country Paradise é o paraíso sonhado por Frank Gratkowski e traduzido no desejo antigo de juntar uma banda com inequívoca inclinação para o rock. Durante anos, o saxofonista foi testando várias formações até se fixar no presente conjunto de músicos (com a presença nuclear da cantora Jelena Kuljic), coincidentes nesta forma endiabrada de promover o encontro entre música com uma pulsação vigorosa e a poesia de Jean-Arthur Rimbaud, Charles Simic e Gabriele Günther. Palavras e notas numa irresistível combustão sonora.
O penúltimo dia do festival (13) começa com o lançamento de um livro, "The Sound of the North – Norway and the European Jazz Scene", que vai contar com a presença do autor, o jornalista italiano Luca Vitali. Segue-se o concerto a solo do baterista norueguês Paal Nilssen-Love. Praticamente criado no interior de um clube de jazz gerido pelos pais, Paal Nilssen-Love cresceu a aprender com os músicos que por ali passavam todas as noites. Esse conhecimento acumulado faria dele, antes sequer de completar 30 anos, um dos mais requisitados músicos europeus, integrando as bandas Atomic, The Thing ou Peter Brötzmann Chicago Tentet, os trios de Sten Sandell e Frode Gjerstad, ou os duos com Mats Gustafsson e Ken Vandermark. Desde 1999 tem também desenvolvido a sua linguagem a solo, cujo mais recente capítulo se intitula News from the Junk Yard.
À noite, o projecto Thomas De Pourquery Supersonic presta tributo ao espírito musical de Sun Ra. Supersonic é o nome do Sexteto que o saxofonista Thomas de Pourquery montou em 2012 para homenagear a música do cósmico e visionário Sun Ra (a designação, aliás, remete diretamente para o seu reportório). O mote é dado pelas várias facetas estilísticas de Sun Ra, sublinhadas pelos arranjos escritos por Pourquery para uma banda fluente em jazz, eletro-rock ou drum’n’bass, possuidora de uma versatilidade sem fim. Com o objetivo de instalar o transe em cada um dos temas interpretados, Supersonic recupera a urgência da música de Ra, nessa sua sobreposição particular de passado e futuro.
O festival termina no domingo, dia 14 de agosto. À tarde é possível assistir a mais um concerto a solo, desta feita, por Frank Gratkowski Tendo estudado com lendas do jazz como Charlie Mariano, Sal Nistico e Steve Lacy, Frank Gratkowski vem espalhando o seu talento de saxofonista em variadíssimos projetos desde os anos 1990, entre os quais o seu trio com Dieter Manderscheid e Gerry Hemingway. Solista convidado de incontáveis formações internacionais, obteve rápido reconhecimento a solo, começando por sair vencedor do concurso Musik Kreativ com o seu primeiro programa. Esse percurso solitário está documentado nos dois volumes Artikulationen, dedicando-se nos últimos anos tanto ao clarinete-baixo quanto ao processamento eletrónico do saxofone em concerto.
O encerramento do festival fica a cargo de Paal Nilssen-Love Large Unit, com o baterista à frente de mais 13 músicos, arriscando-se uma noite de força. Pois, que a força esteja connosco, numa edição que tem tudo para demonstrar a vitalidade de um dos mais importantes acontecimentos culturais do nosso país.
Na sua prolífera atividade, o baterista norueguês Paal Nilssen-Love tem integrado várias grandes formações às quais empresta o seu habitual inconformismo. Depois de uma experiência acumulada com o Peter Brötzmann Chicago Tentet, a Territory Band (de Ken Vandermark) e a Circulasione Totale Orchestra (dirigida por Frode Gjsertad), Nilssen-Love criou em 2013 o seu Large Unit, formada por alguns dos mais promissores jovens talentos do jazz escandinavo. Música com um aguçado sentido de liberdade e de caminhos sempre imprevistos.
INFORMAÇÕES
Datas: 4 a 14 de agosto de 2016
Local: Gulbenkian, Lisboa
Preços:
Marc Ribot The Young Philadelphians + Lisbon String Trio (AAL) 20,00€
Paal Nilssen-Love Large Unit (AAL)
Tim Berne Snakeoil (AAL) 15,00€
Pulverize The Sound (AAL)
Eve Risser White Desert Orchestra (AAL)
Ava Mendoza Unnatural Ways (AAL)
Thomas de Pourquery Supersonic (AAL) 12,00€
Tetterapadequ (AAL)
Petite Moutarde (AAL)
Tuba & Drums Double Duo (AAL)
Z-Country Paradise (AAL)
Marc Ribot solo 7,50€
Passe Anfiteatro - Válido para os concertos no Anfiteatro ao Ar Livre (AAL) 110,00€
Eventos de Entrada Livre*
Paal Nilssen-Love solo
Frank Gratkowski solo
Filmes RogueArt
Sharpen Your Needles – David Toop & Evan Parker em conversa
Lançamento de livro “The Sound of the North”
* Entrada livre (sujeita à lotação da sala) mediante levantamento prévio no próprio dia a partir das 17h30
Descontos
50% – jovens até aos 25 anos
20% – maiores de 65 anos
Mais informações em https://gulbenkian.pt/musica/jazzemagosto/
cardapio.pt @ 29-7-2016 12:22:55
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