Espectáculo Piaf, toujours no Teatro Ibérico

Piaf, a imortal – 50 anos depois do seu desaparecimento, o reportório de Edith Piaf permanece vivo e testemunha, ainda hoje, a importância da herança que deixou. Se, para Marlène Dietrich, “a única palavra capaz de substituir a palavra Paris é a palavra Piaf”, aquela a quem se chamava “la Môme” continua a ser a maior embaixadora da canção francesa em todo o mundo. Se Edith Piaf é imortal, o que ela nos inspira é eterno.

cardapio.pt @ 23-1-2014 16:19:12

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Jean-François Blarel, Embaixador de França

Edith Piaf – Há pessoas assim: nascem envoltas numa tragédia que não mais as deixa. Por mais brilhantes que sejam os seus passos e as suas obras, eis de quando em vez a tragédia abate-se sobre elas. Assim aconteceu com Edith Giovanna Gassion, que no Panteão mundial da canção ficou como Edith Piaf (19/12/1915-11/10/1963). A mãe ganhava a vida cantando em café, o pai exercia a arte de circo onde calhava. Começou a cantar nas feiras da Normandia, atrás de seu pai. Com 15 anos Edith fugiu e foi viver para as ruas de Paris. Seu corpo era tão pequeno que passaram a chamar-lhe “La môme Piaf (de piaf, espécie de pardal)”. Mas a môme sabia cantar como ninguém, e encantar como poucas. Cantava as dores da rua. E um dia alguém que por ali passava a descobriu e a levou a cantar num cabaret nos Campos Elísios. Onde aparecem os grandes nomes da canção francesa da época, e alguns compositores. E depois homens vêm, homens passam, o amor não fica, a dor continua. E sempre a correria dos concertos. E a morfina no meio de tudo isto, como que para acalmar as dores da vida. E por fim a morte, por exaustão ou outra coisa qualquer, no hospital de Grasse, em 1963. Mas tantos, tantos êxitos estrondosos. Homenagem à Môme Piaf? Sim, certamente. Mas na voz de Bévinda. Semelhanças? Nenhumas. Ou talvez algumas. Apetece dizer: La Môme Bévinda. Voz poderosa em corpo pequeno. Bévinda fez o alinhamento do que quer exprimir. Lá estão Mom legionnaire, Hymne à l’amour, Les Amants d’un jour, Milord, La Vie en rose, Padam, Non, je ne regrette rien, e tantas outras canções que na voz da Môme Piaf deram a volta ao mundo.

Bévinda – Autora-compositora, e intérprete franco-portuguesa, nasceu no Fundão, mas ainda menina foi para França com seus pais. E em França cresceu e descobriu o canto, primeiro em francês e logo depois em português. Bévinda começou a sua vida artística cantando em Paris em cabarets e bares canções em língua francesa. Mas os ares da Lusitânia não tardaram a impor-se, pelo que o seu primeiro CD, Fatum, editado pela Melodia em 1994, é já uma homenagem ao fado, revisto e personalizado pelo olhar que a distância da origem impõe. E depois muitos outros CD, tal como o magnífico Serge Gainsbourg tel qu’elle (homenagem sob a forma jazzística ao grande Serge Gainsbourg). Ao aceitar o desafio para fazer no Teatro Ibérico 6 concertos com canções de Edith Piaf, monstro sagrado no Olimpo dos Deuses da canção mundial, Bévinda reafirma aquilo que tem sido desde a sua origem como artística: uma cantora com duas almas.

João Marques Domingos (pianista) – Sendo filho de um pianista e de uma cantora, desenvolveu desde muito cedo uma aptidão natural para a improvisação. Começou a tocar em público aos nove anos e rapidamente enveredou pela área do Jazz, tendo porém efectuado formação clássica no Conservatório Nacional de Lisboa. Mais tarde aperfeiçoou a técnica e interpretação pianística em vários cursos. O seu particular gosto pela música de câmara e pelo jazz, como veículo para a criação improvisada, leva-o a estudá-los e a interessar-se cada vez mais pela interacção, pela estética musical e pelo exaustivo apuramento da interpretação. Paralelamente à estética clássica, além de participar em animação cultural integrado em espectáculos para eventos e a solo, desenvolve o trabalho de composição e construção de um trio original/Jazz, abordando novos espaços estéticos e musicais.

cardapio.pt @ 23-1-2014 16:19:12


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