17/10/2019 a 10/11/2019
Ciclo “Noites de Queluz – Tempestade e Galanterie"
Temporada de Música da Parques de Sintra
O ciclo “Noites de Queluz – Tempestade e Galanterie é o terceiro ciclo da Temporada de Música da Parques de Sintra. Esta quinta edição decorre de 17 de outubro a 10 de novembro, no Palácio Nacional de Queluz e inclui, pela primeira vez, concertos para famílias.
cardapio.pt @ 2-10-2019 16:21:42
As “Noites de Queluz - Tempestade e Galanterie” celebram em 2019 a sua quinta edição e estão de regresso com 10 concertos imperdíveis que conjugam excelentes intérpretes e grandes obras-primas da música, num espaço privilegiado da história portuguesa.
Iniciativa conjunta da Parques de Sintra – Monte da Lua e do Divino Sospiro – Centro de Estudos Musicais e Setecentistas de Portugal, e com direção artística de Massimo Mazzeo, as Noites de Queluz deste ano contam com uma grande novidade: dois concertos para as famílias - com entrada gratuita para crianças e jovens até aos 16 anos – onde se poderão ouvir duas das “Quatro Estações” de Vivaldi e a muito engraçada “Cantata do Café” de Johann Sebastian Bach, num ambiente descontraído que promove a aproximação à música e o contacto próximo com os seus intérpretes. Estes dois espetáculos contam com a participação e comentários do ator João Reis.
À semelhança do que aconteceu em anos anteriores, as “Noites de Queluz” voltam a trazer às salas do Palácio de Queluz alguns dos nomes mais importantes do panorama musical mundial, como são os casos do violinista Giuliano Carmignola, do violoncelista Christophe Coin, da mezzo-soprano Angelika Kirchschlager do Ensemble Zefiro de Alfredo Bernardini ou do Quarteto Chiaroscuro da violinista Alina Ibragimova.
A apresentação integral dos famosos Concertos Brandeburgueses de Bach, um concerto dedicado às cantatas sacras do mesmo compositor ou a execução do raro Quarteto de cordas de Fanny Mendelssohn são outros destaques das Noites de Queluz, numa edição que permitirá uma viagem pela pela Itália, Alemanha e França, desde 1700 até aos anos 30 do século XIX.
Programação 2019
17 de outubro - 21h30 - Sala do Trono
O APOGEU DO CONCERTO BARROCO
ENSEMBLE ZEFIRO / ALFREDO BERNARDINI (Oboé e Direção)
Como em tantos outros domínios, também no género ‘concerto’ soube Johann Sebastian Bach operar uma síntese, nesse processo criando algo de novo. Isso mesmo o mostram os seis ‘Concerts avec plusieurs instruments’ (assim, em francês, consta no frontispício do manuscrito), que dedicou em 1721 a Christian Ludwig de Brandenburg-Schwedt (1677-1734), meio-irmão do primeiro rei da Prússia. Mais de um século depois (1873), o musicólogo Philipp Spitta, na sua monumental biografia de Bach, haveria de baptizá-los de ‘Brandeburgueses’ e é por esse nome que são desde então conhecidos.
Bernardo Mariano (Musicólogo)
24 de outubro - 21h30 - Sala da Música
PRELÚDIO A UMA GRANDE FESTA
TRIO GIULIO PLOTINO (violino) / CHRISTOPHE COIN (violoncelo) / PATRICK COHEN (pianoforte)
Um pouco por todo o mundo, as temporadas de música 2019-20 terão em (ainda maior) destaque o nome de Beethoven, por via da passagem, em 2020, dos 250 anos sobre o seu nascimento. Um ano festivo antecipado na 2.ª parte deste concerto, preenchida com o famoso Trio ‘dos Espíritos’, de 1808. A ele se “contrapõe” o conhecido Trio de Haydn com o ‘Finale’ de acentos húngaros. Obras de Mozart e de Viotti permitem admirar, respectivamente, o violino e o violoncelo em diálogo com o pianoforte Clementi do Palácio de Queluz.
Bernardo Mariano (musicólogo)
25 de outubro - 21h30 - Sala da Música
UMA COMPOSITORA ENTRE DOIS GIGANTES
CHIAROSCURO QUARTET: ALINA IBRAGIMOVA (violino) / PABLO HERNÁN BENEDÍ (violino) / EMILIE HÖRNLUND (viola) / CLAIRE THIRION (violoncelo)
Secundando o seu irmão Felix no talento para a música, Fanny Mendelssohn (1805-1847) soube, enquanto adulta, enfrentar a repressão sobre a criatividade feminina na música típica do seu tempo e continuar a compôr, mesmo após o seu casamento, em 1830, com Wilhelm Hensel. O conjunto da sua obra, porém, só há cerca de meio século viria a ser conhecido e descobriu-se então um quarteto de cordas, único que deixou. Ao lado de Fanny, dois autores que foram decerto as suas grandes referências no género: Haydn e Beethoven.
Bernardo Mariano (musicólogo)
26 de outubro - 21h30 - Sala da Música
UM PIANO E TRÊS CORDAS: DIÁLOGOS E DISCUSSÕES
FORTHEPIANO CONSORT: STEFANO BARNESCHI (violino barroco) / ELZBIETA STONOGA (viola barroca) / MARCO TESTORI (violoncelo barroco) / COSTANTINO MASTROPRIMIANO (pianoforte)
A formação designada de quarteto com piano foi uma invenção de Mozart e pode afirmar-se ser ela “filha” das contínuas e geniais explorações no género ‘concerto para piano’ que o compositor empreendeu nos seus primeiros anos em Viena. Admirador das três obras que Mozart viria a deixar nesse formato (duas com cordas, uma com sopros), Beethoven contribuiria também ele para o género com uma espécie de “dois em um”: o seu op. 16, editado em simultâneo como quinteto (sopros+piano) e como quarteto (cordas+piano).
Bernardo Mariano (musicólogo)
27 de outubro - 19h00 - Sala do Trono
CONCERTO PARA FAMÍLIAS: CAFÉ PÕE FAMÍLIA EM EBULIÇÃO
LÚCIA RIBEIRO (soprano - Lieschen, a filha) / MIGUEL REIS (tenor - Narrador) / ANDRÉ HENRIQUES (baixo - Schlendrian, o pai) / JOÃO REIS (comentador) / DIVINO SOSPIRO / MASSIMO MAZZEO (violeta e direção)
Ao contrário do que se possa imaginar, a interminável discussão sobre os benefícios e malefícios do café não é nem de longe tema recente. Prova-o esta cantata com quase 300 anos de idade, assinada por um compositor que quase sempre associamos à seriedade: Johann Sebastian Bach, que viveu na Alemanha entre 1685 e 1750. Ora aqui, bem pelo contrário, o “sério” Sr. Bach mostra-se um atento e divertido observador da sociedade do seu tempo, tratando o tema com tanto de incisivo e pícaro quanto de humorístico.
Bernardo Mariano (musicólogo)
31 de outubro - 21h30 - Sala do Trono
BACH E A VOZ QUE NOS LEVA A DEUS
ANGELIKA KIRCHSCHLAGER (mezzo-soprano) / PEDRO CASTRO (oboé, oboé d’amore) / LUÍS MARQUES (oboé) / PAOLO PERRONE (violino) / DIVINO SOSPIRO / MASSIMO MAZZEO (direção)
Manifestação da fé pessoal, encomenda de determinada personalidade ou instituição, ou obrigação por inerência de funções. Estes três factores estão na origem da maior parte da música sacra da tradição ocidental. No caso de Bach, a ‘inerência de funções’ foi determinante, mas ele soube impregnar do seu génio musical essa obrigação e fazer de cada uma delas uma afirmação da sua sincera fé luterana, elevando-as ao mais alto grau artístico e expressivo. A ilustrá-lo, neste concerto, uma das grandes ‘mezzos’ do nosso tempo: Angelika Kirchschlager.
Bernardo Mariano (musicólogo)
1 de novembro - 21h30 - Sala do Trono
O VIOLINO ENTRE O RIGOR E A FANTASIA
GIULIANO CARMIGNOLA (violino) / RICCARDO DONI (cravo)
Um dos fenómenos mais notáveis da era barroca foi o aperfeiçoamento dos instrumentos de corda, em particular da família dos violinos (violino, violeta e violoncelo) até um nível que permitiu um elevadíssimo grau de virtuosidade na literatura para os mesmos. Este fenómeno, evidente sobretudo no violino e centrado principalmente em Itália, envolveu construtores e compositores e ocorreu em paralelo. Um espectro ilimitado de possibilidades, explorado quer nas formas abertas e mais improvisatórias, quer nos géneros “fixos” que o Barroco foi consagrando.
Bernardo Mariano (musicólogo)
3 de novembro - 19h00 - Sala do Trono
CONCERTO PARA FAMÍLIAS: VIVALDI, FAÇA CHUVA OU FAÇA SOL!
PAOLO PERRONE (violino) / JOÃO REIS (comentador) / DIVINO SOSPIRO / MASSIMO MAZZEO (direção)
‘As Quatro Estações’, de Antonio Vivaldi, adquiriram há muito tempo o estatuto de ‘hits’ da música clássica. Elas são também dos primeiros exemplos de ‘música programática’, isto é, com carácter descritivo de algo concreto. Essa faceta é reforçada pela inclusão de pequenos poemas (sonetos) alusivos, pontuando as páginas da partitura.
Nas duas estações que hoje escutaremos, deparamo-nos, no Verão, com a evocação de uma paisagem sob o calor até sobrevir uma violenta tempestade estival; já no Outono, evoca-se a Festa das Vindimas e uma caçada na floresta.
Bernardo Mariano (musicólogo)
9 de novembro - 21h30 - Sala da Música
VIENA ENTRE MOZART E BEETHOVEN
STEFANIA NEONATO (pianoforte) / EDUARDA MELO (soprano) / DIVINO SOSPIRO / MASSIMO MAZZEO (direção)
Vindo de Salzburgo, Mozart fará de Viena a sua residência a partir de 1781. Um ano após a sua morte, em 1791, chega à capital imperial, vindo da Renânia, um jovem de 21 anos desejoso de aprender e de triunfar na grande cidade: Ludwig van Beethoven. As obras em programa mostram-nos Mozart a lidar ainda com a tradição salzburguesa da serenata e Beethoven ainda a lidar com a sombra dos concertos para piano… de Mozart. Pelo meio, uma ária com que Mozart presenteou Nancy Storace (a primeira Susanna das ‘Bodas de Fígaro’) quando esta deixou Viena.
Bernardo Mariano (musicólogo)
10 de novembro - 21h30 - Sala do Trono
PARIS E A REVOLUÇÃO ILUMINISTA
ORQUESTRA DE CÂMARA PORTUGUESA / PEDRO CARNEIRO (direção)
Capital cultural da Europa de Setecentos, Paris foi o berço do ‘Iluminismo’, corrente que marca um ponto de viragem na civilização europeia. Na música, o Iluminismo está conotado com o chamado ‘estilo clássico’, aí se incluindo as várias correntes que lhe deram origem. Os compositores do presente programa ligam-se ao Iluminismo antes de mais por via da sua vinculação ao estilo clássico, mas também por outro traço: a sua filiação a lojas maçónicas, as quais foram importantes fóruns de disseminação dos ideais iluministas entre as elites sociais e culturais da época.
Bernardo Mariano (musicólogo)
LANÇAMENTO DO II VOLUME DOS “CADERNOS DE QUELUZ”:
10 de novembro - 20h45 - Sala do Trono
Prof. Dr. RUI VIEIRA NERY (Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos de Música e Dança da Universidade Nova de Lisboa)
A DIPLOMACIA E A ARISTOCRACIA COMO PATRONOS DA MÚSICA E DO TEATRO NA EUROPA DO ANCIEN RÉGIME
No âmbito da sua colaboração com a Parques de Sintra, o Divino Sospiro – Centro de Estudos Musicais Setecentistas de Portugal (DS-CEMSP) organiza, desde 2015, uma conferência anual dedicada ao teatro musical e à música vocal setecentista em Queluz, que incide especialmente na dimensão Europeia da música do sul da Europa. Em associação com o Don Juan Archiv de Viena e com o apoio da Parques de Sintra, as contribuições para essas conferências são editadas na coleção “Cadernos de Queluz”, com a chancela da Hollitzer e integrada na série Specula Spectacula.
O segundo volume dos Cadernos de Queluz aborda a circulação de criações artísticas e de executantes que a rede de relações diplomáticas entre as cortes europeias e as casas aristocráticas da época promovia na Europa setecentista. Os gabinetes dos representantes das várias cortes no estrangeiro eram importantes veículos de informação sobre a vida cultural nos outros países, tendo muitas das estratégias artísticas destinadas a constituir um legado na história das artes, em especial na música e no teatro, sido delineadas com base nessas trocas de informação.
Informações
Datas: 17 de outubro a 10 de novembro de 2019
Bilhete por concerto: 15€
Bilhete Ciclo (10 concertos): 128€
Concertos para famílias: gratuitos para crianças e jovens até aos 16 anos
Mais informações: https://www.parquesdesintra.pt/
cardapio.pt @ 2-10-2019 16:21:42
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