23/4/2015 a 23/4/2015
Conferência "O valor da vivacidade: a pintura como um índice de agência na nova economia" por Isabelle Graw em Serralves
Esta conferência pretende desenvolver uma noção de pintura não-específica do meio, mas que seja no entanto capaz de captar a sua distinção residual sob as condições que conduziram às suas fronteiras difusas. Porque é que a pintura ainda figura como um "meio de sucesso” (Niklas Luhmann) na chamada condição pós-meio? Se a pintura se expandiu e tende a estar em todo o lado, como defenderei, parece fazer pouco sentido delimitar o seu âmbito.
Serralves @ 15-4-2015 10:08:07
Mas ao optar por uma noção semiótica da pintura, que a define como uma produção de signos que é experienciada como fortemente pessoal, tentarei fazer justiça a ambas: a sua especificidade e a sua inespecificidade. Uma abordagem semiótica permite-nos ver como os seus códigos operam em outras formas artísticas (inespecificidade) e como a sua indexação é especial (especificidade).
Em vez de considerar mais uma vez a indexação como um instrumento antissubjetivo, proporei que a indexação da pintura consiste em sugerir uma ligação física àquele que (supostamente) deixou as suas marcas. Por outras palavras: é devido à sua indexação que a pintura é capaz de evocar o sentido de uma força similar ao sujeito. Enquanto produto sugere a presença da pessoa (ausente) que a criou. O facto de a pintura – talvez mais do que outras formas de arte – operar como um "índice de agência” (Alfred Gell) será finalmente relacionado ao valor que ainda lhe é atribuído. A teoria marxista do valor é útil neste aspeto, pois Marx já tinha notado que não há valor sem "trabalho vivo”. Tendo Marx em mente, proporei que a forma de valor específica da pintura tem algo a ver com o sentido de vivacidade que é capaz de produzir. Uma vez que tradicionalmente se esperava que a pintura produzisse vivacidade em todos os sentidos, ela parece ser o candidato ideal para a produção de valor, especialmente se considerarmos como circula na nossa nova economia, que procura vivacidade e olha a vida como um recurso.
Moderação: Suzanne Cotter, Diretora do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Porto
Local: Auditório do Museu de Serralves
Data: 23 de Abril de 2015
Horário: 18h30-21h00
Lotação: 250 pessoas
Acesso: gratuito mediante levantamento de bilhete (emitido no dia)
Isabelle Graw (Frankfurt am Main/Berlin) é professora de Teoria da Arte e de História da Arte na Escola Superior Estatal de Belas Artes – Städelschule de Frankfurt am Main. De 1988 a 1989 trabalhou como editora na revista Wolkenkratzer Art Journal. Em 1990 fundou com Stefan Germer a revista Texte zur Kunst, tendo até hoje conceptualizado e coeditado 89 números. Entre 1995 e 1997 foi professora convidada na Escola Superior de Artes Aplicadas em Viena e dirigiu a masterclass "Meisterclasse für bildnerische Erziehung”. Trabalhou como assistente na Academia Jan van Eyck em Maastricht entre 1996 e 1998. Em 2003 foi cofundadora com Daniel Birnbaum do Institut für Kunstkritik [Instituto para a Crítica de Arte] na Städelschule. Presentes áreas de investigação: a crítica e os seus mercados, julgamento e criação de valor sob novas formas de capitalismo, vestígio e agência em pintura. As suas publicações incluem: Die bessere Hälfte. Künstlerinnen des 20. und 21. Jahrhunderts (2003); Der große Preis. Kunst zwischen Markt und Celebrity Kultur (2008); High Price. Art between the Market and Celebrity Culture (2010); Texte zur Kunst. Essays, Rezensionen, Gespräche (2011); Erste Wahl. 20 Jahre "Texte zur Kunst”, 1. Dekade e Erste Wahl. 20 Jahre "Texte zur Kunst”, 2. Dekade (coedição com Helmut Draxler e André Rottmann), (2011). Coeditados com Daniel Birnbaum: Canvases and Careers Today. Criticism and its Markets (2008); Under Pressure. Pictures, Subjects, and the New Spirit of Capitalism (2008); Art and Subjecthood. The Power of Judgment. A Debate on Aesthetic Critique (2010); The Return of the Human Figure in Semiocapitalism (2011) e Thinking through Painting. Reflexivity and Agency beyond the Canvas (2012).
Esta sessão está integrada no ciclo de conferências internacionais "CRÍTICA E VALOR"
Serralves @ 15-4-2015 10:08:07
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