18/7/2019 a 28/7/2019 A "Primavera Selvagem" de Arnold Wesker no Teatro Nacional São João

Primavera Selvagem, com encenação e cenografia de Jorge Pinto, estreia-se no Teatro Nacional São João, no Porto, no dia 18 de julho, e vai estar em cena até 28 de julho.

cardapio.pt @ 17-7-2019 16:29:50

"Primavera Selvagem" / ©João Tuna

"Primavera Selvagem" / ©João Tuna

Em 2005, o Ensemble – Sociedade de Actores descobriu Arnold Wesker com Cartas de Amor em Papel Azul e, um ano depois, regressava ao mesmo autor para apresentar Quando Deus Quis um Filho. A peça Primavera Selvagem resulta de mais uma viagem a um dos mais reconhecidos dramaturgos britânicos e coloca em palco a vida pessoal, profissional e relacional de Gertrude, atriz de sucesso, mas insegura do seu talento.

Com apenas dois atos e num período temporal de quinze anos, Primavera Selvagem é uma “peça dentro da peça”, com a representação levada para o palco através da personagem de Gertrude (representada por Emília Silvestre), mas é, também, um espetáculo sobre o declínio da vida. O jovem Samson, inteligente, mas num trabalho sem imaginação, e Kennedy, o homem que admira Gertie, mas que a despede, tornam-se naquilo “a que a sociedade de consumo reduz os seres humanos: mercadoria útil, quando jovem, coisa descartável e desnecessária, quando envelhecida”, como escreve a tradutora Ana Luísa Amaral, no programa de sala.


"Primavera Selvagem" / ©João Tuna

"Primavera Selvagem" / ©João Tuna

Crítica social adaptada à realidade portuguesa

Em nota que antecede a peça, Arnold Wesker escreve: “Se for representada num país fora do Reino Unido onde não exista comunidade negra, essa comunidade pode ser substituída por outro grupo social discriminado.” A tradutora Ana Luísa Amaral entendeu seguir a última parte da cedência de Wesker, e assim Samson e Kennedy ficaram a pertencer à etnia cigana, o que naturalmente obrigou a ajustes na tradução. Contudo, esta diferença entre a peça original e a tradução portuguesa em nada prejudica a história, como justifica a tradutora, porque “a problemática da discriminação, a culpa e a precariedade impostas pelo sistema familiar ou político atravessam grupos colonizados, sejam eles os negros, os ciganos, os árabes – ou as mulheres”.

A representação do declínio no teatro e na vida real

As três personagens representam as pessoas mundanas: “ridículas e generosas, apaixonadas, solitárias, inteligentes, medrosas, temerárias e especiais”. Quem o diz é Jorge Pinto, capaz de ver nesta característica de Arnold Wesker aquilo que o Ensemble mais gosta nas suas peças, porque apreciam os textos com “gente que ri, dança, chora e ama despudoradamente”. Como acabam por admitir: “Gostamos de peças com gente dentro!”


"Primavera Selvagem" / ©João Tuna

"Primavera Selvagem" / ©João Tuna

Atividades paralelas 

Após a sessão de sexta-feira, dia 19 de julho, o público é convidado a participar numa conversa pós-espetáculo: um debate de impressões com a equipa artística da peça. Já no sábado, dia 27, decorre a iniciativa Carta-Branca, um serviço de babysitting e oficinas para crianças a partir dos 4 anos. A inscrição tem o valor de 2,50 euros.

Primavera Selvagem é uma coprodução do Ensemble – Sociedade de Atores e TNSJ, sendo que pode ser vista à quarta-feira e sábado, às 19h00; à quinta e sexta-feira, às 21h00; e ao domingo, às 16h00. O preço dos bilhetes varia entre os 7,50 e os 16 euros.

cardapio.pt @ 17-7-2019 16:29:50


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