Guimarães celebra o teatro com mais uma edição dos Festivais Gil Vicente
Todos os anos, como já é tradição em Guimarães, o mês de junho é o mês do teatro. Este ano não é diferente e o festival da cidade, batizado com o nome do pai do teatro português, conta 27 anos de existência num feito extraordinário de celebração desta arte milenar. São duas semanas de programação, de 05 a 15 de junho, com o que de melhor se faz em teatro.
GUICUL @ 19-5-2014 10:47:50
Os Festivais Gil Vicente oferecem, na edição deste ano, uma programação que promete chegar a vários públicos. A programação de 2014 brinda o público com o que de melhor se faz no teatro contemporâneo. Há teatro para todos os gostos: os intemporais textos clássicos, as companhias irreverentes de personalidade forte, os textos contemporâneos dos melhores dramaturgos do nosso tempo. São duas semanas em que Guimarães converge para o teatro num ano em que os Festivais se estendem a toda a cidade tendo como palco não só o Centro Cultural Vila Flor, mas também a Black Box da Plataforma das Artes e da Criatividade e a Black Box da Fábrica ASA. O teatro disperso num feito extraordinário de celebração desta arte milenar. Um convite ao pensamento.
O festival abre no dia 05 de junho, às 22h00, na Black Box da Fábrica ASA, com um grande texto do enorme Shakespeare, trazido pelos galegos da Voadora. “A Tempestade” é uma história sobre vingança mas também amor, uma história de conspirações oportunistas que contrapõe os instintos animais que habitam o homem à figura etérea, espiritualizada pelas aspirações humanas, como o desejo de liberdade e a lealdade. Em suma, o relato de uma tempestade e das consequências que a mesma provoca, imaginada pela mente brilhante de Shakespeare que aqui coloca grandes doses de magia, bem ao gosto da companhia que produz a peça.
Na noite seguinte (06 de junho), às 22h00, é a vez da Black Box da Plataforma das Artes e da Criatividade acolher o espetáculo “OZZZZZ”, de Alfredo Martins, uma peça musical em que o clássico “Feiticeiro de Oz” é deslocado para o contexto contemporâneo. O protótipo do viajante contemporâneo, que transforma a viagem em linguagem de criação e adere a um movimento planetário. Num mundo e num tempo como o nosso, em que as distâncias se encurtam pela tecnologia e pela facilidade em nos deslocarmos, aparece aqui em perspetiva a frase mais emblemática do filme original: “There’s no place like home”. Em plena era da globalização, esta peça aborda o conceito que temos de “casa”.
No sábado, 07 de junho, a Black Box da Fábrica ASA volta a ser palco privilegiado dos Festivais Gil Vicente, agora para acolher a peça “Trahisons” com texto original de Harold Pinter, Prémio Nobel da Literatura em 2005. O espetáculo, que visita Guimarães com a produção da companhia belga tg STAN, tem uma estrutura dramática invulgar, sendo contada em cronologia invertida, ou seja, a peça começa no fim e desenrola-se para o início dos acontecimentos. Escrita em 1978 e baseada na experiência de vida do próprio autor, “Trahisons” fala sobre o adultério e explora, com o brilhantismo da escrita de Pinter, os efeitos demolidores da mentira na vida das personagens. Um jogo perigoso, com um texto fabuloso e com interpretações executadas com enorme naturalidade por parte dos atores de STAN.
Na semana seguinte, é a vez do Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor receber os Festivais Gil Vicente. No dia 12 de junho, às 22h00, outro grande clássico sobe ao palco. “Tartufo”, uma das mais famosas comédias de Molière chega a Guimarães pela mão da Companhia de Teatro de Almada. A obra é dirigida, pela terceira vez, pelo encenador Rogério de Carvalho e trata temas sempre atuais como o oportunismo, o individualismo e a hipocrisia. O tema, a genialidade do texto e a crítica corrosiva tornam a peça intemporal tendo-se afirmado como um dos grandes clássicos da literatura francesa.
Na noite de sexta-feira, 13 de junho, às 22h00, no Pequeno Auditório do Centro Cultural Vila Flor é apresentado outro texto de um grande dramaturgo contemporâneo: “Demónios”, de Lars Norén, com encenação de Nuno Cardoso, e produção da companhia Ao Cabo Teatro. Na história, quatro personagens, dois casais que se vão cruzar e vão perceber que os pequenos dramas do dia a dia escondem algo maior. O desenrolar da trama vai fazer com que todos se confrontem não só com os seus demónios mas também com os dos outros. O maior demónio de todos a espreitar a cada esquina da história: a solidão.
A fechar os Festivais Gil Vicente, Guimarães vê subir ao palco a peça “Na Solidão dos Campos de Algodão”, do Teatro Oficina. A Black Box da Fábrica ASA é o local perfeito para acolher este espetáculo que vai estar em cena nos dias 14 e 15 de junho, às 22h00 e 17h00 respetivamente. A obra, escrita pelo dramaturgo francês Bernard-Marie Koltès e encenada por Rogério de Carvalho, dará um sabor especial aos Festivais Gil Vicente visto ser a primeira produção deste ano do Teatro Oficina, companhia nascida e criada na cidade berço. A peça promete ser uma celebração do teatro, subindo ao palco numa coprodução com a companhia Útero, que também habita a cidade. Como o título sugere, a solidão está presente neste texto. A solidão que lança dois homens numa noite em que cada um tem as suas motivações, apesar de as mesmas nunca serem claras.
Ao cartaz principal dos Festivais Gil Vicente, junta-se um conjunto de atividades paralelas que, este ano, prometem multiplicar as possibilidades de vivência da criação teatral no máximo número de experiências possíveis. Desta definição surge a ideia de convidar as Turmas de Iniciação Teatral do Teatro Oficina e algumas escolas de teatro da região circundante para participarem no Festival.
Assim, nos dias 05 e 14 de junho, pelas 19h00, há “Rua Acima”, espetáculo da Turma de Iniciação Teatral do Teatro Oficina (Adultos), encenado por Emílio Gomes com texto de Pedro Bastos, que acontece num percurso desde a Rua D. Afonso Henriques culminando no CCVF. No dia 11 (quarta-feira) acontecem mais dois espetáculos na Black Box da Plataforma das Artes e da Criatividade. O primeiro, às 19h00, é “ADN”, espetáculo da Turma de Iniciação Teatral do Teatro Oficina (Adolescentes), de Dennis Kelly, com encenação de Diana Sá e Emílio Gomes. O segundo espetáculo, desta vez da Turma de Iniciação Teatral do Teatro Oficina (Adultos), a realizar-se às 22h00 no mesmo local, é “Sangue no Pescoço do Gato”, de Rainer Werner Fassbinder, com encenação de Diana Sá.
Além das Turmas de Iniciação Teatral do Teatro Oficina foram também convidados a participar no Festival as turmas de Teatro da ESAD de Vigo, as turmas de Teatro da Universidade do Minho e os alunos do 3º ano do Curso de Teatro da Escola Profissional Balleteatro. Assim, no dia 12 de junho (quinta-feira), às 19h00, a ESAD de Vigo traz à Black Box da Plataforma das Artes a peça “A State Affair (Unha Cuestión de estado)”, de Robin Soans, encenada por Delfina Miguélez-Val. No dia seguinte, 13 de junho, também às 19h00, é a vez da Universidade do Minho subir ao palco da Black Box da Plataforma das Artes com o espetáculo “Estudos | Fragmentos | Tchékhov”. Por fim, o mesmo espaço acolhe no sábado, dia 14, às 16h00, os alunos do 3º ano do Curso de Teatro da Escola Profissional Balleteatro com a peça “Milli Vanilli”, escrita por Marcos Barbosa em parceria com os estudantes.
Durante todo o festival, o CAR - Círculo de Arte e Recreio será um ponto de encontro oficial, onde artistas e público se juntam, para uma reflexão mais ou menos ruidosa sobre os espetáculos, num espírito de tertúlia e com uma programação alternativa e fora de horas.
Ainda no âmbito dos Festivais Gil Vicente vai realizar-se um Workshop de Voz e Elocução com Luís Madureira, a acontecer entre os dias 11 a 13 de junho, entre as 10h00 e as 13h00. O preço de inscrição é de 25 euros e visa ajudar os inscritos com exercícios técnicos tendo em vista a obtenção de postura correta, respiração eficiente, disponibilidade do órgão vocal para a fala e para o canto; leitura e análise de textos em prosa e/ou verso. Este workshop é dirigido a atores profissionais e/ou amadores e as inscrições deverão ser efetuadas até ao dia 05 de junho no site do Centro Cultural Vila Flor – www.ccvf.pt – onde é possível consultar em pormenor toda a programação dos Festivais Gil Vicente.
GUICUL @ 19-5-2014 10:47:50
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