26/10/2024 a 26/10/2024
A beleza e o silêncio do "Ruído" faz-se ver e ouvir no Centro Cultural Vila Flor
Novo projeto artístico de Sofia Dias & Vítor Roriz
No próximo dia 26 de outubro (sábado), às 21h30, Sofia Dias & Vítor Roriz apresentam no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, o seu mais recente projeto artístico, numa sagaz abordagem ao conceito de ruído que habitualmente damos por definido e circunscrito. Em princípio, o ruído é aquilo que nos incomoda, que perturba o silêncio e nos distrai. Mas o ruído também pode ser uma fonte valiosa de informação, revelando algo que não conseguimos decifrar. Essa dualidade torna o ruído curioso. Sofia Dias e Vítor Roriz, em colaboração com investigadores do Champalimaud Center for the Unknown, mergulharam na complexidade do ruído, explorando essas camadas, para a criação deste espetáculo de dança precisamente chamado “Ruído”, que confronta os intérpretes e os espectadores com várias questões e hipóteses, começando pelo repto “what do you see?”.
cardapio.pt @ 20-10-2024 12:28:35
A natureza híbrida da pesquisa de Sofia Dias & Vítor Roriz, associada a uma vontade de experimentação, levou-os à criação de vários espetáculos para palco, desde 2006, que convocam uma linguagem coreográfica depurada em ligação com a palavra e a voz, assim como faixas sonoras, vídeos, podcasts e instalações, atravessando diferentes contextos e esbatendo limites entre áreas artísticas.
Em 2023 e 2024, são Artistas Residentes na Fundação Champalimaud, onde desenvolvem processos de investigação interdisciplinar em sinergia com investigadores/as do Champalimaud Center for the Unknown.
Foi durante esta residência que surgiu o título para esta peça: ruído. Um conceito que no campo da neurociência adquiriu uma aura de mistério pela sua omnipresença no funcionamento neural e dificuldade em ser explicado. O ruído tanto representa o nada, o irrelevante, o que perturba e polui, como também o caudal de informação significativa que (ainda) não conseguimos apreender.
No caminho que originou este “Ruído” – podendo considerar-se como ponto de partida o confronto entre criações de naturezas distintas e marcantes no seu percurso artístico como “Escala” e “O que não acontece” –, Sofia Dias & Vítor Roriz deram continuidade à procura das vozes que emergem de diferentes estados físicos. “Vamos extremar a tensão entre a voz a solo e a voz coral.” A voz como um apelo, uma dissuasão, uma celebração, uma delimitação de território, um modo de orientação, uma manifestação de força coletiva, uma afirmação da singularidade, um modo de fusão ou fonte de prazer. E voltaram igualmente às narrativas míticas sobre a transformação e a metamorfose de pessoa em animal, mas também de pessoa em máquina e planta com inspirações animistas e transumanistas.
A propósito daquilo que o ruído representa, desde o nada ou o que perturba até ao muito que (ainda) não conseguimos assimilar, a dupla afirma que “A aura poética desta ambivalência, entre tudo ou nada, e a semântica acústica a que nos remete, tem tudo que ver com o trabalho sobre a voz, o som, o texto e o mito que temos vindo a desenvolver.” O modo como os atores se movem, como se não tocassem o chão, leva-nos a um suspense profundo e alegre. O paradoxo da liberdade possível, sobre as nossas cabeças.
Como muitos outros conceitos, “ruído” serve-lhes agora de lente para olharem a realidade e lhes sugerir um campo semântico que permite associações entre elementos aparentemente desconexos. Para além disso, “Ruído” parece tocar num problema fundamental de sensibilidade e que não é apenas acústica: o que antes era inaudível ou que parecia apenas barulho, o que era negligenciável ou supérfluo, pode, com outra sensibilidade, tornar-se significativo."
Neste sentido, tudo é válido, diz-nos “Ruído”, não há certo nem errado, apenas um contínuo convite à relação individual com o espetáculo, libertando o espectador para responder à pergunta “what do you see?” da forma que entender.
"Ruído" é um espetáculo dançado e falado em português, espanhol, inglês e francês, reflexo do elenco de intérpretes que compõe a peça: Connor Scott, Lewis Seivwright, Maria Ibarretxe, Natacha Campos e Vi Lattaque. No final da apresentação, os coreógrafos irão juntar-se ao público para uma conversa, num momento de aproximação, partilha, esclarecimento e escuta, sobre o espetáculo. Os bilhetes têm um custo de 10 euros (ou 7,50 euros com desconto) podendo ser adquiridos online em oficina.bol.pt e presencialmente nas bilheteiras dos equipamentos geridos pel’A Oficina como o Centro Cultural Vila Flor (CCVF), o Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG), a Casa da Memória de Guimarães (CDMG) ou a Loja Oficina (LO), bem como nas diversas entidades aderentes da BOL.
Fotografia de Bruno Simão
cardapio.pt @ 20-10-2024 12:28:35
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