Costa Boal lança branco Homenagem de 2015 e dois varietais das castas Sousão e Tinto Cão

Os novos vinhos do Douro da Costa Boal são uma lufada de ar fresco. Estruturados, acidez viva e com capacidade de envelhecimento, os três vinhos Costa Boal que agora chegam ao mercado estão na vanguarda dos vinhos com longevidade do Douro. 

cardapio.pt @ 28-10-2020 12:08:00

©Ricardo Palma Veiga

©Ricardo Palma Veiga

O novo branco Costa Boal Homenagem 2015 nasceu e é feito na busca da longevidade. A afirmação do enólogo da Costa Boal, Paulo Nunes, é ao mesmo tempo compromisso e desafio. Um grande vinho tem sempre que mostrar capacidade de envelhecimento. Sem a longevidade não passa no teste, argumenta Paulo Nunes, lembrando o percurso inicial dos vinhos DOC Douro, com excesso de álcool, fruta concentrada e muito madura e sem a acidez necessária ao envelhecimento do vinho.

O Douro vai fazer coisas muito melhores do que fez até agora, nomeadamente nos brancos, e a Costa Boal insere-se neste espírito, acrescenta Paulo Nunes, já distinguido como “Enólogo do ano” pelas duas revistas portuguesas da especialidade: “Estamos muito no início no que toca aos vinhos DOC Douro, especialmente nos brancos. Não me recordo de um branco do Douro entrar nas listas dos melhores do mundo das revistas internacionais da especialidade”.

Nesta lógica, o Costa Boal Homenagem 2015 é um branco que “tem muito de uma nova linha do Douro”, de vinhos mais frescos e, a par, estruturados. O que implica explorar micro parcelas das vinhas Costa Boal em zonas mais altas do Douro, que possam assegurar o equilíbrio entre maturação e acidez das uvas sem necessidade de grande intervenção na adega, como é filosofia dos vinhos Costa Boal.

O novo reserva branco da Costa Boal junta-se ao tinto Homenagem 2011, um vinho igualmente com capacidade de guarda lançado em outubro de 2019. Estes dois rótulos topo de gama do produtor são também um tributo ao pai Augusto Boal, viticultor toda a vida no Douro.

Varietais com acidez bem marcada

No percurso de regresso do herdeiro António Boal às origens, a Costa Boal acrescenta às novidades deste outono dois varietais do Douro das castas Sousão e Tinto Cão.

Os novos monocasta Costa Boal contam, na realidade, com uma primeira prova no outono de 2019, quando, à mesa do lançamento do Costa Boal Homenagem tinto 2011, o produtor deu a provar aos especialistas os dois varietais agora colocados no mercado e utilizados no refrescamento do novo tinto topo de gama que então chegava ao mercado. Estes dois vinhos do Douro mereciam mais um ano de garrafa, concordaram enólogo e produtor. Estão agora prontos a dar excelentes provas.

Os novos varietais da Costa Boal têm como matriz comum a acidez bem marcada. Casta muito antiga do Douro, usada historicamente para equilibrar lotes que tinham falta de acidez, a Tinto Cão colhida na vinha da Costa Boal em Vilar de Maçada, Douro, proporciona “uma maturação fenólica excecional”, valoriza Paulo Nunes: “Deu-me muito gozo acompanhar a vindima desta casta. Não necessitamos de chegar aos 13 graus de teor alcoólico para termos a riqueza de taninos, que vai permitir ao vinho envelhecer nobremente”.

Igualmente marcante em termos de acidez, o Costa Boal Sousão 2017 revela excelente estrutura e volume de boca, proporcionando, pelo conjunto das suas qualidades, um vinho de longa guarda.

A gama Costa Boal inclui ainda dois vinhos do Porto, legado de família, um Vinho do Porto centenário, lançado o ano passado, e o Porto Vintage 2014, agora colocado no mercado. Terá ainda um branco e um tinto de gama mais acessível, já engarrafados e na linha de espera para chegar ao mercado. No momento certo.


Equipa Costa Boal ©Paulo Pereira

Equipa Costa Boal ©Paulo Pereira

Blend transmontano

Criar os novos monocastas da Costa Boal foi “desafiante”, reconhece Paulo Nunes, mas o regresso aos vinhos de lote, agora na adega de Trás-os-Montes de Costa Boal, é sempre um mundo de complementaridades que o enólogo valoriza.

O Palácio dos Távoras Gold Edition 2017 é um blend feito de uvas selecionadas de uma parcela específica da vinha velha que a Costa Boal possui em Mirandela, Trás-os-Montes. Da habitual diversidade de castas destas vinhas antigas da região, resultam parcelas heterogéneas, conhecendo-se pelo olhar atento e o passar dos anos quais as manchas mais apetecíveis. É este conhecimento empírico ancestral da vinha que o enólogo assume e valoriza, propondo um tinto reserva de exceção, no qual predominam as castas Alicante Bouschet, Baga e Touriga Nacional. 

Riqueza de portefólio

Criada em 2009, a Costa Boal lançou os primeiros vinhos em 2011, na região de Trás-os-Montes (Flor do Tua e Palácio dos Távoras), iniciando, a par, investimentos no Douro, terra natal do produtor António Boal, nomeadamente na recuperação da adega centenária da família (1857), localizada na aldeia de Cabêda, Alijó.

Atualmente, a Costa Boal possui vinhas em Alijó, Murça, Foz Côa, Mirandela e Miranda do Douro, algumas com várias dezenas de anos, outras plantadas na última década. Desta riqueza de terroirs resulta um portefólio com várias gamas de vinhos de duas regiões vitivinícolas, o Douro e Trás-os-Montes. Nas referências durienses temos a gama Flor do Côa (três brancos e quatro tintos) e Costa Boal (reservas tinto e branco Homenagem, monocastas Sousão e Tinto Cão, Porto Tawny Muito Velho e Porto Vintage 2014). Da região de Trás-os-Montes, o produtor apresenta os vinhos Palácio dos Távoras (um branco e seis tintos, entre os quais os varietais Bastardo, Alicante Bouschet e Baga, bem como o topo de gama, o tinto Gold Edition), Quinta dos Távoras (um branco e três tintos) e Flor do Tua (dois brancos, um deles Moscatel Galego, e três tintos de diferentes gamas).

VINHOS EM PROVA

Costa Boal Homenagem Grande Reserva branco 2015

O branco Costa Boal Homenagem 2015 é produzido a partir de uvas colhidas numa vinha da Costa Boal localizada em Cabêda, Alijó. É um vinho de parcela e de lote, incluindo no conjunto as castas Códega de Larinho, Rabigato, Gouveio e Arinto. Teve estágio de 18 meses em barrica de carvalho francês e foi refrescado com um lote da colheita de 2017, da mesma parcela, permitindo acrescentar vivacidade ao vinho e dar-lhe um perfil muito fresco e elegante que garante a sua longevidade. 

PVP: 65 euros

Costa Boal Tinto Cão 2017

Casta tradicionalmente usada nos lotes de vinho do Porto, a Tinto Cão colhida na vinha da Costa Boal em Vilar de Maçada, Douro, resultou num vinho com grande riqueza de taninos e acidez viva. Com estágio em barricas de carvalho francês durante 16 meses, o Costa Boal Tinto Cão 2017 apresenta paladar elegante e fresco, revelando grande equilíbrio no conjunto.

PVP: 35 euros

Costa Boal Sousão 2017

A casta típica do Minho foi conquistando espaço no Douro e integra as vinhas da Costa Boal naquela região vinhateira. Vinho com cor intensa e opaca, comum na casta, o Costa Boal Sousão fez a fermentação alcoólica em lagar durante 8 a 10 dias com trabalho contínuo e temperatura controlada. Estagiou em barrica de carvalho francês durante 16 meses. Apresenta taninos vivos e elegantes e acidez elevada.

PVP: 35 euros

Palácio dos Távoras Gold Edition tinto 2017

Vinho de lote feito a partir de uvas colhidas de parcela específica da vinha velha, da Quinta dos Távoras, localizada em Mirandela, Trás-os-Montes, com predomínio das castas Touriga Nacional, Baga e Alicante Bouschet. Fermentação a temperaturas controladas e estágio durante 16 meses em barricas novas de carvalho francês.

PVP: 90 euros

cardapio.pt @ 28-10-2020 12:08:00

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