16/10/2015 a 16/10/2015
Nuno Figueiredo recebe Prémio Literário Orlando Gonçalves
Amanhã, dia 16 de outubro (sexta-feira), pelas 19h00, terá lugar a sessão pública de entrega do galardão ao vencedor da 18.a Edição do Prémio Literário Orlando Gonçalves – Modalidade Ficção Narrativa, no auditório da Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos.
cardapio.pt @ 15-10-2015 12:33:35
“Gramática da Melancolia” é o título da obra premiada, um romance escrito por Nuno Figueiredo, sob o pseudónimo de Emília Gonçalves, que receberá cerca de 5 mil euros e verá a sua história publicada em livro.
A par desta distinção, o júri, constituído por Rogério Rodrigues, representante da Câmara Municipal da Amadora, José Correia Tavares, representante da Associação Portuguesa de Escritores e António Torrado, representante da Sociedade Portuguesa de Autores, deliberaram ainda atribuir uma Menção Honrosa à obra ”Um Sopro Numa Vela Acende a Escuridão”, escrita por João Carlos Costa da Cruz, sob pseudónimo de Maria.
"Gramática da Melancolia" | Sinopse
“Gramática da Melancolia” conta diversas histórias numa história mantida com o humor e a complacência que um certo passado sempre nos sugere. Desenrola-se numa cidade comum, em época facilmente reconhecível, onde fenómenos meteorológicos desmedidos ou a simples rotação das estações têm uma acção determinante em comportamentos e sucessos.
Romance de muitas personagens com destinos cruzando-se no limitado espaço de um microcosmo simbólico e perturbador, nele se pressente um vasto manto diáfano transfigurando imagens, sentidos e conceitos, um sopro melancólico pairando sobre um mundo vivido com ardorosos desejos, com paixões imaculadas, no meio de encontros equívocos e desencontros fulminantes. Trata-se na realidade de captar das coisas e das pessoas, dos sentimentos, emoções e circunstâncias, a faceta prodigiosa que em tudo existe e a um olhar mais atento se manifesta. Em “Gramática da Melancolia” relatam-se vidas trágicas ou felizes, risíveis ou lamentosas mas sempre profundamente humanas, patéticas e empenhadas na busca de uma felicidade que as redima e justifique. A vida é para todos – nuns, consciente, noutros inconscientemente – como um rio que parece estarparado mas corre nas suas águas profundas arrastando tudo inexoravelmente para a foz.
Quando se olha para o deambular infatigável, para o agir em desespero, para os métodos empregues a fim de alcançar objetivos quase sempre enviesados, descobre-se dissimulada mas indelével uma provocação cheia de ingénua postura – uma inocência primordial própria dos tempos de outrora – e de uma nova dor, e de uma novíssima inquietação, como se em “Gramática da Melancolia” homens e mulheres tivessem nascido naquele momento, após a expulsão do paraíso, e fossem os primeiros exemplares deslumbrados de uma raça original.
E quem lê sentirá seguramente essa melancolia que sempre se intromete nos actos desamparados e sem maldade, fora de moda e condenados ao fracasso. Na verdade, é sombriamente melancólica a nítida sensação de estar-se a caminhar para nenhum progresso, essa quase certeza de que, faça-se o que se fizer, nada irá resultar num perene devir de felicidade plena.
As personagens de “Gramática da Melancolia” buscam desesperadamente o amor e por caminhos ínvios, pouco esclarecidos, fantásticos, até, e custosos, algumas acabam por encontrá-lo. Outras, apesar dos propósitos mais sérios, honestos e genuínos, vêm escapar-se-lhes a oportunidade, são ultrapassados pelas circunstâncias. A tragédia atinge em algumas personagens proporções monstruosas, levando-as a atitudes desesperadas, mas nem desse desespero em rigor se saem bem, talvez um sentimento de humor benévolo que atravessa o romance não consinta amargura excessiva nem pactue com lágrimas escusadas.
“Gramática da Melancolia” é um romance que faz pensar na nossa transitoriedade, que relativiza o descontentamento e as emoções, ensinando que nada se consegue sem obstinada busca, verdadeira entrega e árduos combates. Ver de cima este dédalo de passos e intenções, este formigar de sentimentos e atitudes, esta teia de vertigens e desassossegos, este cosmo restrito de vidas fervilhando numa dobadoira incansável – dá-nos a pálida ideia de uma sociedade absorvida no seu mundo menor, tentando sobreviver às vicissitudes quotidianas da mais corrente humanidade. E esta visão deslumbra-nos, deixa em nós o lastro sumptuoso da melancolia: e apetece descrevê-la com os princípios elementares da técnica romanesca, a que aqui se chama a sua gramática
Nuno Figueiredo | Biografia
Nuno de Figueiredo nasceu em Coimbra, onde reside e trabalha. É licenciado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico. Publicou em 1985 o seu primeiro livro de poesia, O Desencanto em Canto (ediçãode autor), e em 2014 os dois últimos, Crepúsculo, Prémio Fernão de Magalhães Gonçalves (Editora Tartaruga) e Longo Caminho Para Casa, Prémio Florbela Espanca (Minerva Coimbra). Referem-se ainda A Única Estação, Prémio Cesário Verde, e Amargas Cores do Tempo, Prémio Natércia Freire, ambos editados pela Quasi. No romance, cuja publicação iniciou em 1997/8 com Os Dias Gloriosos do Império, A Revoada Palavrosa e Poder em Bárbaras Mãos (trilogia com título genérico de Vida e Morte de Inocêncio editada pela Escritor), destacam-se Os Sinos de S. Bartolomeu (Temas e Debates), A Ilha de Arcangel, Prémio Vasco Branco (Casa das Letras), Rendição e Trevas, Prémio Alves Redol (Minerva Coimbra), Vida e Sombra, Prémio Miguel Torga (Casa das Letras). Aprender a Perder foi Prémio João José Cochofel e aguarda publicação. Pelo meio ficam cerca de três dezenas de obras – poesia, contos, romances – a muitas das quais foram atribuídos prémios literários. Escreve para jornais e revistas de letras e está representado em diversas recolhas e antologias. Gramática da Melancolia, galardoado com o Prémio Orlando Gonçalves, é o seu último romance e será editado brevemente.
Distinções Literárias
PRÉMIO ORLANDO GONÇALVES 2015, C.M. Amadora
Gramática da Melancolia. Romance
PRÉMIO JOÃO JOSÉ COCHOFEL 2013, C.M. Coimbra/Casa da Escrita
Aprender a Perder. Romance
PRÉMIO MIGUEL TORGA 2012, C.M. Coimbra
Vida e Sombra. Romance. Casa das Letras, 2013
PRÉMIO ALVES REDOL 2011, C. M. V. F. Xira
PRÉMIO CARLOS DE OLIVEIRA 2009, C. M. Cantanhede (m. honrosa)
Rendição e Trevas. Romance. Minerva Coimbra, 2013
PRÉMIO VASCO BRANCO 2005, C.M. Aveiro
A Ilha de Arcangel. Romance. Casa das Letras, 2006
PRÉMIO NATÉRCIA FREIRE 2005, C.M. Benavente
Amargas Cores do Tempo. Poesia. Quasi, 2006
PRÉMIO OLIVA GUERRA 2004, C.M. Sintra (m. honrosa)
Clara Noite de Trevas. Poesia. (inédito)
PRÉMIO CESÁRIO VERDE 2001, C.M. Oeiras
A Única Estação. Poesia. Quasi, 2003
PRÉMIO VASCO BRANCO 2000, C.M. Aveiro
De Que Mais Precisamos. Romance. C.M. Aveiro, 2000
PRÉMIO JOSÉ RÉGIO 2000, C.M. Celorico da Beira
Escritos no Inverno. Poesia. (inédito)
PRÉMIO POLÍBIO GOMES DOS SANTOS 1998, C. M. Ansião (ex aequo)
Rumores. Poesia. C.M. Ansião, 1999
PRÉMIO VÍTOR MATOS E SÁ 1997, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra
Parábolas de Salvação. Poesia. Ed. Escritor, 1998
PRÉMIO FÂNZERES 1997, J. F. Fânzeres
Casa Coração do Fogo. Poesia. J. F. Fânzeres, 1998
PRÉMIO SEBASTIÃO DA GAMA 1997, J.F. Azeitão
No Coração do Tempo. Poesia. in Trio Para Cordas Sensíveis. Editorial Escritor, 1997
PRÉMIO AMORIM ROSA 1997, C.M. Tomar
Arquipélago. Romance. C. M. Tomar e O Contador de Histórias, 1998
PRÉMIO JOAQUIM NAMORADO 1996, C.M. Figueira da Foz
Equinócio do Outono. Conto. in Equinócio do Outono. Editorial Escritor, 2000
PRÉMIO MANUEL DA FONSECA 1996, C. M. Santiago do Cacém (m. honrosa)
Uma Campanha no Feminino. Conto. Excerto de A Revoada Palavrosa. Editorial Escritor, 1997
CONCURSO CONTE UM CONTO 1996, Diário As Beiras (2o prémio)
O Natal do Meu Pai. Conto. Diário As Beiras, 1996
CONCURSO CONTE UM CONTO 1996, Diário As Beiras (1o prémio)
O Anjo do Sorriso. Conto. Diário as Beiras, 1996
PRÉMIO FERNÃO DE MAGALHÃES GONÇALVES 1996, C.M. Chaves (ex aequo)
O Livro de Santiago. Poesia. C. M. Chaves, 1996
PRÉMIO JOAQUIM NAMORADO 1995, C.M. Figueira da Foz (2o Prémio)
Viva Espanha. Conto. in Hotel Paraíso. Editorial Escritor, 2000
PRÉMIO SEBASTIÃO DA GAMA 1990, J.F. Azeitão
Fontes de Palavra. Poesia. in Trio Para Cordas Sensíveis. Editorial Escritor, 1997
PRÉMIO JOSÉ SILVÉRIO DE ANDRADE 1985, C.M. Vila Nova de Foz Côa (m. honrosa)
Ardamos. Poesia. in Trio Para Cordas Sensíveis. Editorial Escritor, 1997
Sobre o Prémio Literário Orlando Gonçalves
O Prémio Literário Orlando Gonçalves, instituído em 1998 pela Câmara Municipal da Amadora, tem por objetivo, por um lado, homenagear a memória do escritor e jornalista Orlando Gonçalves e por outro incentivar a produção literária, contribuindo para a defesa e enriquecimento da língua portuguesa.
Este prémio destina-se a galardoar, anualmente e de forma alternada, uma obra de ficção narrativa e um trabalho jornalístico de investigação ou grande reportagem. Orlando Bernardino Gonçalves, um dos percursores do movimento neorrealista português, foi escritor e jornalista de imprensa escrita e de rádio, tendo sido inclusive Diretor do jornal Notícias da Amadora durante mais de trinta anos, atividade que sempre desenvolveu a par das suas intervenções cívicas e políticas na defesa dos direitos e deveres de uma cidadania plena, consciente e esclarecida, sustentada pelo enriquecimento intelectual.
Orlando Gonçalves foi agraciado com a Medalha de Ouro da Cidade da Amadora em 1989, em 1993 o seu romance Enredos da Memória foi galardoado com o Prémio Literário Cidade da Amadora e em 1997 foi mais uma vez homenageado pela Câmara Municipal da Amadora, por ocasião das comemorações do 25 de Abril.
cardapio.pt @ 15-10-2015 12:33:35
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