“Antissemitismo, uma Palavra na História”, do historiador britânico Mark Mazower

Livro do ano segundo a The New Yorker

A Dom Quixote editou, "Antissemitismo, uma Palavra na História", de um dos mais importantes historiadores britânicos, Mark Mazower. Considerado livro do ano pela revista "New Yorker", traça a evolução da palavra, desde a invenção do termo, em 1879, na Alemanha, até ao presente. Porque, embora seja a mesma, o significado da palavra mudou radicalmente, mas "a verdadeira tragédia é o antissemitismo persistir", de acordo com o autor.

cardapio.pt @ 14-4-2026 16:21:40

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Do que falamos, então, quando falamos de antissemitismo?  O termo tornou-se fundamental para compreender o século XX e o extermínio de seis milhões de judeus durante a II Guerra Mundial pelo partido de Adolf Hitler, a identidade judaica e a formação do estado de Israel no pós-guerra, além de seus usos contemporâneos nos conflitos no Médio Oriente. Neste ensaio, alicerçado numa extensa e rigorosa investigação, o professor de História da Universidade de Columbia traça assim a história da palavra, para compreender as suas utilizações atuais e as disputas políticas ao seu redor.   

O preconceito - quando não o ódio - aos judeus é uma herança milenar, com motivações étnicas e religiosas, considera o autor. Ligado durante muitas décadas à extrema-direita europeia e ao genocídio nazi, o termo agora é muitas vezes usado para criticar o governo de Israel.  Isto porque, no início do século XX, a maioria dos judeus do mundo vivia na Europa. Para eles, não havia dúvidas de quem os ameaçava com políticas antissemitas – que culminaram no pesadelo da Alemanha nazi e do Holocausto.

Mark Mazower argumenta que o panorama é agora muito diferente. Mais de quatro quintos dos judeus do mundo vivem em dois países: Israel e Estados Unidos, e o domínio militar do primeiro na sua região é garantido pelo segundo. Antes da II Guerra Mundial, os judeus eram uma minoria à parte e foram conduzidos, através da oposição ao fascismo, a uma aliança com outros povos oprimidos. Hoje, pelo contrário, os judeus são considerados "brancos" e, para os atuais anticolonialistas, o tratamento dos palestinianos por parte de Israel tornou-se uma questão crítica.

As vozes mais sonoras a denunciar o antissemitismo vêm agora da esquerda e Mazower demonstra como chegámos até aqui, contando uma história que procura elucidar em vez de culpar. Demonstra como o surgimento de uma sensibilidade pessimista pós-Holocausto, juntamente com críticas internacionais crescentes a Israel, produziu uma gradual fusão entre os interesses dos judeus e os do Estado judaico. Há meio século, poucas pessoas consideravam que o antissemitismo estivesse relacionado com a hostilidade a Israel; hoje, muitas vozes judaicas equiparam as duas realidades.  

Mark Mazower defende que, se permitirmos que a acusação de antissemitismo seja aplicada de forma demasiado vaga e ampla, para silenciar argumentos legítimos, estaremos a deslegitimar o termo e a ameaçar quebrar algo essencial no funcionamento das democracias. "Antissemitismo" é uma tentativa importante de traçar essa linha necessária.

"Há apenas meio século o inimigo era, por consenso geral, a extrema-direita, cujos estereótipos racistas, teorias da conspiração e negação do Holocausto tinham feito tanto mal e causado sofrimentos indizíveis. A confusão em que hoje nos encontramos começou quando a luta contra estes extremistas se enredou numa questão que, até há pouco tempo, parecia não ter ocorrido a quase ninguém: quando é que a crítica a Israel se torna antissemitismo? Até que ponto um Estado (uma entidade política) é essencial para se ser judeu (uma identidade étnica ou religiosa) é uma questão vital, mas ainda não resolvida, que tem sido, e ainda hoje é, apaixonadamente discutida entre os próprios judeus, além de fazer parte do debate mais alargado sobre a questão de Israel e da Palestina. O resultado é uma incerteza generalizada sobre o que se pode dizer acerca de Israel sem correr o risco de ser acusado de antissemitismo. Como chegámos a este dilema é a pergunta a que este livro procura responder."

«Uma contribuição imensa... Ao traçar a evolução do significado de “antissemitismo”, Mazower demonstra de forma convincente como podemos transformá-lo de uma arma de novo numa palavra... Rigoroso e lúcido.»

– The New Republic

MARK MAZOWER é Professor Ira D. Wallach de História na Universidade Columbia, onde dirige o Institute for Ideas and Imagination. Entre os seus livros anteriores contam-se Salónica, Cidade de Fantasmas, O Continente das Trevas, Governar o Mundo e O Império de Hitler. Com The Greek Revolution venceu o Prémio Duff Cooper.

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