12/5/2026 a 12/5/2026
Policial "Sangue e Silêncio no Poço dos Mortos", de Francisco Moita Flores, nas livrarias
A Casa das Letras edita na próxima terça-feira, 12 de maio, "Sangue e Silêncio no Poço dos Mortos", o segundo policial escrito por Francisco Moita Flores, após "O Mistério do Caso de Campolide". Numa madrugada de fevereiro de 1969, em plena primavera marcelista, um contínuo da PIDE é violentamente assassinado no Poço dos Negros. Estará a chave do caso na edição desse mesmo dia do Diário de Notícias dedicada a Salazar?
cardapio.pt @ 7-5-2026 15:47:51
"Os leitores vão ser confrontados com a actividade quotidiana de uma Brigada de Homicídios. É um tempo de uma polícia sem a ajuda de aparatos técnicos científicos, época em que os agentes eram decisivos para a resolução dos crimes. Naquela época, a Polícia Judiciária continuava a ser um parente pobre da investigação, sendo a PIDE determinante. Investigar crimes assentava no esforço pessoal, no sacrificio individual e nas vulnerabilidades que a História resolveu com a queda do regime e com a revolução técnico-científica que sacode o século XXI", escreve Francisco Moita Flores na introdução sobre um romance que decorre no tempo em que Salazar ainda estava vivo, mas claramente enfraquecido após ter sofrido uma queda e um acidente vascular cerebral. No Palácio de São Bento, está montado um quotidiano forjado, cativo numa gaiola de mentiras que tanto o iludem face ao que se passa com a governação do seu país, como iludem o país face à sua capacidade de governação.
É então que uma afoita brigada de homicídios chefiada por Simão Rosmaninho se vê confrontada com um caso tão enigmático quanto hediondo: o assassinato de um contínuo da PIDE esfaqueado múltiplas vezes no peito e no pescoço.
As únicas pistas relevantes de que a brigada dispõe para iniciar a investigação são, para além do corpo, uma carteira cheia de dinheiro, umas chaves de casa, um porta-chaves com o símbolo da Mercedes, uma faca ensanguentada e uma edição do Diário de Notícias do mesmo dia em que o assassinato ocorrera. Ao longo da trama, outros homicídios vão parar às mãos desta brigada, mas os holofotes incidem especialmente sobre o crime do Poço dos Negros, sobretudo quando se descobre, após a autópsia ao corpo encontrado, que o assassino é canhoto.
Com a ajuda da sua equipa e, principalmente, do seu grande amigo e companheiro de trabalho Arengas, Simão traça um plano audaz e arriscado para encontrar o misterioso e fugidio assassino, levando os leitores a viajar pelas ruas lisboetas do final dos anos 60 e a visitar as tabernas, as tascas e as casas de jogo e prostituição. Um policial na linha de "O Mistério do Caso de Campolide", publicado em 2018, pela Casa das Letras.
Francisco Moita Flores é dos autores de língua portuguesa mais conhecido quer pela sua obra literária: A Fúria das Vinhas, Segredos de Amor e Sangue, A Opereta dos Vadios, Mataram o Sidónio!, O Mensageiro do Rei, O Mistério do Caso de Campolide, Os Cães de Salazar, que deu origem à série O Atentado, e A Despedida de Ulisses, entre muitos outros títulos; quer pelos brilhantes trabalhos para cinema e televisão, entre os quais se recordam A Ferreirinha, Ballet Rose, Alves dos Reis, O Processo dos Távora e O Bairro, além da adaptação de clássicos, nomeadamente, de Eça de Queirós, Júlio Dinis e Aquilino Ribeiro.
Mestre na arte dos diálogos, dá corpo e alma às personagens à medida que desenvolve a narrativa dramática, assumindo em cada romance a sua dimensão humanística e de intervenção cívica através de uma forma simples carregada de duplo sentido.
cardapio.pt @ 7-5-2026 15:47:51
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