18/4/2015 a 27/6/2015
Abel A Casa
Exposição de pintura de Maria da Paz Menezes
@ 20-4-2015 13:21:16
ABEL A CASA - Maria da Paz Menezes
Maria da Paz Menezes expõe no pavilhão Gulbenkian da Casa-Museu Abel Salazar o projecto Abel A Casa.
Num conjunto de 34 pinturas produzidas entre 2008 e 2015, a artista plástica trabalha a ideia do Lugar - A Casa de Abel Salazar não apenas como espaço, mas enquanto estrutura de sentido. Espaço e ideia confundem-se tornando indiscernível: sujeito e objecto, lugar e memória. É nesta fronteira delével que o próprio título nos lança através do jogo de linguagem: Abel/ A (Bela) Casa.
A exposição estará patente até 27 de Junho de 2015
Nas palavras de Valter Hugo Mãe:
Não estar, sobre o trabalho de Maria da Paz Menezes
A ausência define o trabalho de Maria da Paz Menezes. Vemos ninguém. Os lugares são um absoluto, como se existissem por sua própria emanação, sem ninguém. Induz-me sempre à ideia da cegueira. O que não tem gente não vê, como se não pudesse ser visto também. Sem gente, as imagens de Maria da Paz aparecem como sem tempo nem garantia. Não sabemos se assistimos ao lugar ou a uma sua refracção, vinda de outra época, vinda de uma impossível distância. Todos os lugares se tornam imaginários. Miragens. Gosto de dizer que as imagens aparecem, porque elas são espectrais, tremeluzentes, como uma claridade breve feita sobre os elementos tímidos. Penso nas telas de Maria da Paz como o efeito de um certo clarão. Estamos já no instante do seu declínio, depois do fulgor que nos teria queimado, mas estamos na oportunidade de ver. Por isso, as formas se tornam rudes, como destituídas do pormenor, porque no declínio vemos névoa, vemos o fosco. Tudo parece uma memória mais do que a própria matéria. Uma memória que preserva linhas de força, e sempre um incómodo, um qualquer mistério. A pintura de Maria da Paz Menezes é um desajuste. Não existe para representar simplesmente o mundo, ela quer transfigurar, como se devolvesse cada elemento a uma matriz primordial, a uma ideia pura da matéria. Assim, qualquer casa é o símbolo de todas as casas. Pousa na tela como uma ideia, mais do que como a aturada necessidade de representar uma realidade proposta. Maria da Paz não se interessa pela especificação. Ela trabalha na identidade mais profunda, a que serve de padrão para cada elemento, a única linguagem verdadeiramente universal.
@ 20-4-2015 13:21:16
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