David Fonseca edita "Christmas Songs - Vol. 1"

Apaixonado por esta época do ano, David Fonseca reúne neste "primeiro volume" algumas das suas canções preferidas de Natal, ficando desde já prometida a edição da “sequela” em finais da presente década.

cardapio.pt @ 4-12-2020 11:31:19

Em 2020, e porque este período do ano vai ser efectivamente vivido de forma diferente da habitual, a escolha do tradicional lançamento de Natal que David Fonseca apresenta todos os anos recaiu na junção de todas essas reinterpretações de clássicos de Natal na edição digital “Christmas Songs – Vol. 1”, com a reinvenção de 13 canções que há muito habitam o nosso imaginário natalício.


O resultado é inevitavelmente surpreendente, ora revelando abordagens musicais inesperadas, ora respeitando o formalismo a que estas sonoridades estão associadas - dos tradicionais “Jingle Bells” ou “Little Drummer Boy”, aos clássicos contemporâneos como “Last Christmas” ou “Do They Know It’s Christmas?”, David reinterpreta-os sem desvirtuar o espírito da quadra. Ou que dizer da inclusão nesta lista dos improváveis “My Favorite Things”, imortalizado por Julie Andrews em “Música no Coração”, ou “Driving Home For Christmas” de Chris Rea?


Sobre o álbum “Christmas Songs – Vol 1”

1. Little Drummer Boy

Foi a primeira música que eu fiz a sério para este "postal de Natal" e a primeira vez que filmei também o projecto de fazer música em casa. A maior parte das pessoas não têm a noção de que a grande parte destes instrumentos são gravados por uma pessoa só e Acho que até aí as pessoas olhavam para mim como cantor. A abordagem é simples, muito caseira, e usa aqueles truques do livro dos Pixies de há 25 anos, que é começar tudo muito lento, ir montanha acima e depois montanha abaixo. É uma fórmula que acaba por funcionar muito bem, porque torna a canção épica na forma como se desenrola.

2. O Come All Ye Faithful

Abordagem radicalmente diferente. Em 2008, estava a fazer a digressão do Dreams in Colour, em que eu entrava com um fato de astronauta em palco para tocar o "Rocket Man". Resolvi fazer uma versão da "O Come All Ye Faithful" do ponto de vista do homem que vem do espaço e que canta uma canção de Natal. Daí a forma espacial como foi produzida, com um coro meio estranho. É a versão mais experimental de todas.

3. Last Christmas

Era muito difícil tocar nela porque é um clássico. Durante muito tempo evitei os clássicos porque achei que as pessoas não iam gostar. É tocada com piano, guitarra a vozes, uma espécie de versão acústica [a que se acrescentam] pequenas percussões e pouco mais. Foi um dos mais vistos de todos os meus "postais de natal". Teve a ver com a popularidade da música e com a abordagem acústica, meio folk.

4. All I Want From Christmas Is You

O original é uma música festiva, com guizos. Quando isolei a letra da música, percebi que era sobre algo difícil, duro, por isso interpretei aquilo à minha forma. Transformou-se numa música melancólica, meio trágica, mas que se cola bem ao Natal - é quentinha, tem qualquer coisa de muito próximo.

5. Happy Xmas (War Is Over)

Essa foi uma das abordagens mais radicais à canção original: é uma espécie de electro/Pet Shop Boys. Deu-me algum prazer a fazer porque é uma produção de estúdio muito maior - estou a gravar uma canção como se fosse para um disco. Elevo a ideia de gravação a um sentido muito mais profissional. Teve um trabalho muito longo. Queria transformar a canção em algo mais dançável, [característica] que não está no original.

6. Do They Know It's Christmas?

Essa canção foi das mais complexas de abordar. Experimentei várias ideias e a que gostei mais era a mais despida. Como a canção original é tão conhecida e tem tantas vozes, achei que seria interessante tocá-la em regime de surdina, no fundo da sala - um tipo com uma guitarra pequenina a tocar da forma mais simples possível. Fi-lo na tentativa de fazer sobreviver a letra, que é efectivamente interessante para a altura do Natal.

7. Oh Christmas Tree

Nasceu por uma razão muito simples: ao navegar na internet encontrei à venda um fato de árvore de Natal. Foi assim que foi decidida a canção. Achei o fato tão estúpido, mas tão estúpido, que pensei assim: "vou comprar este fato e fazer uma versão do "Oh Christmas Tree"". Fiz a versão de uma forma muito egoísta - só porque queria vestir aquele fato.

8. Jingle Bells

Há uns anos, o director da escola [de um filho] perguntou-me se eu podia fazer uma canção para um CD para oferecer na escola no Natal. Fiz o "Jingle Bells" e na canção eu conto até 10 porque a ideia era que os miúdos aprendessem [os números] em Inglês. Inseri uma personagem diferente, a rena Rodolfo, para tornar o momento caricato. Ao fazer isto, lembrei-me de uma versão do "Hurdy Gurdy Man" pelos Butthole Surfers que está na banda-sonora do Dumb and Dumber.

9. Driving Home For Christmas

É uma das minhas canções preferidas do Natal, mesmo que não seja uma canção típica da quadra. A ideia de voltar a casa para o Natal e ir de encontro às raízes e família desperta uma série de recordações nostálgicas de infância que associei sempre a este original de Chris Rea. No vídeo desta canção, cantada ao vivo em cima de uma Vespa de 1965 a percorrer a orla da zona oeste, adaptei a letra de forma a ir ao encontro da acção.

10. Have yourself A Merry Little Christmas

Uma das coisas mais intrigantes para mim no mundo das canções de Natal é a melancolia gigante que está agarrada a muitas delas. Talvez por isso seja tão interessante desconstruí-las e observá-las mais de perto. Esta canção, cantada pela primeira vez por Judy Garland no musical de 1944 “Meet Me in St. Louis”, fala de uma antecipação do futuro, projectando-o como melhor e livre de problemas. A letra foi alterada algumas vezes ao longo da história para servir melhor o mote de um Natal feliz, mas confesso que adoro a ideia de que uma das canções mais populares de sempre ligadas ao Natal seja tão dramática e pesada. Para evidenciar o que a canção diz, toquei-a e cantei-a ao vivo ao piano para que a letra se destacasse ainda mais.

11. My Favorite Things

Apesar de não ser propriamente uma canção que fale do Natal, está completamente associada a esta quadra para mim. Foi popularizada por Julie Andrews no filme “The Sound of Music” de 1965, filme esse que passou (e ainda passa) quase todos os anos na televisão desde que sou criança. Habituei-me a ouvi-la como uma canção de Natal e por isso resolvi tentar a minha versão deste clássico incrível.

12. Blue Christmas

Popularizada por Elvis Presley em 1957 no disco  “Elvis Christmas Album”, esta canção já existia em várias outras versões desde 1948. De novo, a ideia do Natal a carregar uma certa melancolia, desta vez pela ausência de alguém em plena quadra festiva. É uma das que mais gostei de cantar, talvez por ser grande fã do Elvis e da sua voz impressionante.

13. White Christmas

É provavelmente a canção de Natal mais popular de sempre, mas demorei quase 15 anos a pegar nela, isto porque o cenário que descreve é tão distante do nosso. Nunca tive um “White Christmas” na vida, foram sempre mais chuvosos do que cheios de neve. No entanto, gosto da mensagem positiva que transmite e a nostalgia doce que carrega. Trenós, neve, guizos, transformei tudo isso numa festa musical que, quem sabe, pode originar um passo de dança junto à árvore de Natal :)

cardapio.pt @ 4-12-2020 11:31:19


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