21/2/2019 a 21/2/2019 Escola das Artes da Católica no Porto discute o papel da censura na arte contemporânea

A segunda sessão do programa Arte & Ecologia da Escola das Artes da Católica no Porto realiza-se no dia 21 de fevereiro e é conduzida pelo crítico e curador Luíz Camillo Osório

cardapio.pt @ 20-2-2019 13:33:30

La Bête ©Humberto Araújo

La Bête ©Humberto Araújo

Durante a exposição “Panorama de Artes Brasileiras”, presente no Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 2017, a performance “La Bête”, do artista Wagner Schwartz, foi censurada pela opinião pública como uma “incitação à pedofilia”. Mas qual será a linha que separa a arte da não arte? Centrada nesta temática, a Escola das Artes da Católica no Porto recebe, esta quinta-feira, 21 de fevereiro, a conferência “Arte e Censura em nossos tempos sombrios” – um encontro que integra o programa de aulas abertas “Arte & Ecologia”. O encontro, dinamizado no campus Foz da Católica no Porto, irá contar com a presença do crítico Luiz Camillo Osório, que foi, em 2017, curador da exposição que esteve no centro da polémica.

Apesar dos dois anos decorridos desde a censura a Wagner Schwartz, a verdade é que mais obras de arte têm sido censuradas. Obras retiradas de exposições, performances proibidas, são muitas as polémicas, sobretudo nos contextos brasileiro e americano, em que, por motivos conservadores, grupos de cidadãos – como é o caso da mal sucedida petição para remover uma pintura de Balthus do MoMA de Nova Iorque –, ou políticos (como o governador Wilson Witzel que proibiu uma série de performances que iriam encerrar a exposição “Literatura Exposta”), interferem na divulgação de arte contemporânea. É, neste contexto, que o curador e crítico Luíz Camillo Osório propõe analisar a capacidade da arte de expor as tensões latentes da sociedade e os impasses da democracia contemporânea. A sessão coloca, ainda, em debate a possibilidade de se estar a assistir a um aumento da censura na arte como consequência do crescimento da intolerância em relação a tudo o que é diferente e da perseguição às minorias.

Wagner Schwartz e a censura de “La Bête” Inspirada nos “Bichos” de Lygia Clark – esculturas que podem ser dispostas em várias formações –, a performance de Wagner Schwartz coloca o artista nu no centro da apresentação. Num sentido semelhante ao que acontece com as figuras de Clark, o público é chamado a interagir com o corpo do artista. A polémica referente à performance começa quando um vídeo de uma criança a tocar no pé de Wagner Schwartz se torna viral. O debate em torno de “La Bête” acaba por resultar numa acusação ao artista de “incitação à pedofilia” e à investigação por parte da Polícia de Repressão à Pedofilia. De destacar que a performance, existente desde 2005 e exibida mais de 10 vezes no Brasil e na Europa, nunca tinha recebido uma reação igual.

Esta sessão integra o programa “Arte & Ecologia”, que pretende debater a arte como um meio capaz de problematizar as questões relacionadas com a ecologia e a biodiversidade.


Informações

Data: 21 de fevereiro de 2019

Local: Escola das Artes da Universidade Católica do Porto - Auditório Ilídio Pinho

Horário: 18h00

Preço: Entrada livre

Mais informações aqui

cardapio.pt @ 20-2-2019 13:33:30