28/4/2021 a 2/5/2021 "Jacques ou a Submissão" estreia no Teatro Carlos Alberto

Teatro do insólito de Ionesco regressa aos espaços do São João

Poderá uma obra manter-se atual 70 anos após a data da sua criação? Ciente do desafio, o coletivo Ensemble – Sociedade de Actores pôs mãos à obra e decidiu revisitar um dos primeiros trabalhos de Eugène Ionesco, intitulado Jacques ou a Submissão. Escrita em 1950 e levada a palco, pela primeira vez, em 1955, a peça tira partido do teatro do absurdo – ou do insólito, como Ionesco preferia chamar-lhe – para, através da palavra, relatar a resignação total do seu protagonista. Após uma passagem pelo digital, Jacques ou a Submissão estreia-se esta quarta-feira no palco do Teatro Carlos Alberto, ficando em cena até 2 de maio

cardapio.pt @ 28-4-2021 13:05:00

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"Jacques ou a Submissão" © João Tuna

"Jacques ou a Submissão" © João Tuna

Contando com encenação e cenografia de Jorge Pinto, Jacques ou a Submissão apresenta um protagonista que vive preso num jogo de convenções sociais de cujas regras se quer libertar. Antecipando o conformismo das sociedades capitalistas, Jacques questiona o conceito de liberdade e como se pode viver em liberdade, acabando por ser conduzido “até à mais completa submissão”, chegando mesmo a resignar-se a “uma espécie de quietude biológica”.

A ação, plena de situações surreais, vai sendo pontuada por elementos de humor e de histeria, desenvolvendo-se sobretudo no plano das palavras. A linguagem e o nonsense são os instrumentos de poder desta comédia fatalista, onde se opera a transformação do burlesco risível numa apoteose do grotesco moderno. Na versão que sobe agora ao placo do TeCA, Alexandra Moreira da Silva foi a responsável pela tradução do texto, que é interpretado por atores bem conhecidos do público, como é o caso de Emília Silvestre, António Afonso Parra ou Clara Nogueira, entre outros.


"Jacques ou a Submissão" © João Tuna

"Jacques ou a Submissão" © João Tuna

Jacques ou a Submissão, considerada uma obra menor de Ionesco, é, ainda assim, a par de A Cantora Careca O Novo Inquilino, um dos trabalhos mais representados da vasta dramaturgia do escritor. À época saudado pela originalidade do texto e talento do seu autor, o espetáculo verte para a representação teatral as linhas de pensamento filosófico da década de 50, desde o fatalismo materialista ao determinismo, adaptando-o aos dias de hoje.

Em cena até ao dia 2 de maio, o espetáculo, que resulta de coprodução com o São João, pode ser visto de quarta a sexta-feira, às 19h00, e sábado e domingo, às 11h00. A récita do dia 30 de abril terá tradução simultânea em Língua Gestual Portuguesa, estando ainda agendada uma Conversa com o Jorge no final – uma atividade orientada por Jorge Louraço Figueira, com o intuito de promover uma maior proximidade entre o público e atores e encenadores. A peça é para maiores de 12 anos e os bilhetes têm um custo de 10 euros.


"Jacques ou a Submissão" © João Tuna

"Jacques ou a Submissão" © João Tuna

cardapio.pt @ 28-4-2021 13:05:00


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