21/9/2021 a 21/9/2021 "Leituras no Mosteiro" iniciam nova temporada com libretos de ópera

As Leituras no Mosteiro estão de regresso ao Mosteiro de São Bento da Vitória, no Porto, com algumas surpresas. Nesta nova temporada, o texto dramático cede lugar aos libretos de ópera, forma literária olhada com relutância, que têm em comum a ideia de renovação ou a afronta a hierarquias e a ideologias estabelecidas. A primeira sessão arranca com Ascensão e Queda da Cidade Mahagonny, ópera estreada em 1930, com libreto de Bertolt Brecht.

cardapio.pt @ 17-9-2021 13:08:15

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Em Ascensão e Queda da Cidade e Mahagonny, Brecht aplicou os métodos do seu teatro épico à ópera – operando uma separação radical entre a música, a palavra e a imagem –, para contar a história de uma cidade, desde a sua fundação, passando pelas primeiras crises, até à sua decadência. Em Mahagonny, “o mundo burguês é posto a nu, avaliado em relação a um mundo socialista que guarda silêncio”, escreveu Theodor W. Adorno. “Diante dos vossos olhos, a bela Mahagonny desmorona-se completamente.”

A atividade, com coordenação de Nuno M Cardoso e Paula Braga, decorre na próxima terça-feira, dia 21 de setembro, às 19h00, no Mosteiro de São Bento da Vitória. As Leituras no Mosteiro têm entrada gratuita, mediante inscrição prévia.


E se Mahagonny coloca a nu o mundo burguês, a próxima leitura – que se realizará no dia 19 de outubro –, O Ouro do Reno, de Richard Wagner, “prólogo” da tetralogia O Anel do Nibelungo, pode ser interpretada como uma alegoria do capitalismo, alimentando-se não só das epopeias medievais germânicas, mas também da filosofia “revolucionária” de Feuerbach. Já a 16 de novembro, será a vez de as Leituras se debruçarem sobre Amor de Perdição, que António S. Ribeiro construiu a partir do romance de Camilo Castelo Branco. A obra autodenominou-se “drama musical para cantores, atores e músicos”, sinalizando a performatividade das palavras ditas e cantadas.

Mosteiro dá voz à dramaturgia contemporânea em língua portuguesa

A partir de dezembro, as atenções estarão voltadas para a dramaturgia contemporânea em língua portuguesa, com a leitura dos textos criados no Laboratório END, uma das iniciativas-satélite dos Encontros de Novas Dramaturgias. Em 2022, a iniciativa do Centro de Documentação do TNSJ vai dar voz a um conjunto de dramaturgos que tem vindo a construir um universo multiforme e em expansão, entre autores jovens e menos jovens, emergentes ou consagrados, portugueses, brasileiros e afrodescendentes.

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