11/10/2026 a 25/10/2026 O Ciclo de Outono do festival Que Jazz É Este? regressa às aldeias de Silgueiros de Bodiosa e Várzea de Calde

Depois de uma 14.ª edição marcada pela forte adesão de público e pela vitalidade da nova geração do jazz português, o Que Jazz É Este? prolonga a sua programação para o outono e volta a fazer aquilo que está na sua natureza: deslocar-se, cruzar territórios, aproximar pessoas e colocar a música em lugares onde nem sempre se espera encontrá-la. Em outubro, o festival sai do centro de Viseu e instala-se em duas freguesias do concelho — Silgueiros de Bodiosa e Várzea de Calde — propondo duas tardes de programação que aproximam o jazz, a música improvisada e outras linguagens artísticas das comunidades locais.

cardapio.pt @ 10-10-2026 17:05:09

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Nos dias 11 de outubro, em Silgueiros de Bodiosa, e 25 de outubro, em Várzea de Calde, cada domingo terá uma programação composta por uma arruada do coletivo Chinfrim, uma conversa aberta que cruza música e ciência e dois concertos, estabelecendo diferentes diálogos entre música, teatro, performance e artes visuais.

O programa começa sempre na rua, com os Chinfrim, coletivo ambulante que transforma o espaço público em palco e leva consigo uma mistura contagiante de dixieland, blues, funk, rock, latin e reggae. A música será também o ponto de partida para duas conversas que procuram abrir outras portas sobre a criação musical, aproximando-a de áreas aparentemente distantes.

Em Silgueiros de Bodiosa, João Paulo André e Carlos Fiolhais conversam com Catarina Machado sobre A Harmonia das Esferas, livro que explora as relações entre música e ciência, da matemática e física à biologia, química, ciências da Terra e do ambiente e ciências da saúde. Uma conversa sobre fenómenos que, embora muitas vezes invisíveis, estão presentes na criação e na perceção musical.

Segue-se Mar Mor + Filipa Fróis, encontro entre o duo de improvisação livre formado por Bruno Pinto e Miguel Rodrigues e a atriz e criadora Filipa Fróis. Música, corpo e palavra cruzam-se num território de improvisação que toma como mote a censura e o controlo do pensamento, numa criação em que os estímulos sonoros e performativos se influenciam mutuamente em tempo real.

A tarde termina com o João Tavares Quinteto, formação composta por cinco jovens músicos da nova geração do jazz português. Liderado pelo trompetista João Tavares, o quinteto apresenta música original e chega a Viseu depois de ter sido distinguido no 6.º Concurso Internacional de Jazz da Universidade de Aveiro com os prémios de Melhor Ensemble e Melhor Arranjo. A sua presença dá continuidade a uma das linhas fortes da programação do festival: acompanhar e dar palco a uma geração de músicos portugueses que está a renovar o jazz nacional com talento, risco e uma identidade própria.

Em Várzea de Calde, a conversa aberta será conduzida por Ana Bento com Nuno Trocado, em torno da tese de doutoramento Analogia na Música e as Metáforas do Organicismo. Pólipos, sementes, rebentos, flores, o som da natureza ou o corpo humano são alguns dos pontos de partida para uma reflexão sobre a relação entre música e organismos e sobre a forma como o pensamento organicista pode ser hoje entendido no contexto da criação musical contemporânea e das práticas improvisatórias.

A relação entre música e imagem estará no centro da atuação de Os Filhos de Hey!, projeto multidisciplinar que junta percussão, eletrónica, objetos e vídeo. Num círculo em que as fronteiras entre causa e efeito se tornam difusas, a imagem gera som e o som gera imagem, numa criação em tempo real com Pedro Melo Alves, João Carlos Pinto e Maria Mónica.

A programação termina com o João Rocha Quarteto, formação criada no âmbito do recital final de licenciatura do baterista João Rocha e composta por Gil Silva, Lucas Oliveira, Gonçalo Cravinho Lopes e João Rocha. Sem instrumento harmónico, o quarteto assume a liberdade e a responsabilidade acrescidas de uma formação em que cada músico ocupa um papel determinante na construção coletiva da música.

Em paralelo ao ciclo de concertos, o Colectivo Gira Sol Azul, sob direção artística de Ana Bento e Bruno Pinto, está a preparar o regresso da Orquestra (In)fusão, projeto de criação coletiva criado em 2015 que procura colocar em contacto diferentes pessoas, organizações e culturas musicais.

Nesta nova edição, a orquestra reúne o Grupo de Cantadeiras de Várzea de Calde, os BodiBombos e o coletivo Batalha da Visa, além dos músicos do Colectivo Gira Sol Azul, numa experiência de criação de repertório original concebido especificamente para esta formação. A (in)fusão de estilos é, mais uma vez, o ponto de partida para uma prática artística baseada na colaboração: fazer em conjunto aquilo que dificilmente se faria da mesma forma a solo.

O projeto terá ainda uma dimensão plástica, através de sessões de residência conduzidas por Mara Maravilha, envolvendo participantes das aldeias e da cidade na criação de elementos cenográficos, figurinos e adereços.

O resultado de todo este processo será apresentado no Teatro Viriato, no dia 22 de dezembro, num concerto que reunirá no mesmo palco músicos de diferentes gerações, tradições musicais e territórios.

O ciclo inclui ainda, no dia 19 de dezembro, um workshop de jazz dirigido a músicos e estudantes de música, orientado pelo guitarrista e pedagogo Luís Lapa, autor de Chave Mestra, livro recentemente publicado que reúne exercícios e ferramentas práticas para a improvisação jazz.

O workshop propõe precisamente a passagem da teoria à prática: experimentar, testar e aplicar as ferramentas apresentadas no livro, num espaço de aprendizagem coletiva que culminará também na apresentação do trabalho desenvolvido.

Entre aldeias e cidade, tradição e experimentação, ciência e música, imagem e som, o ciclo de outono do Que Jazz É Este? mantém a pergunta aberta e leva-a para novos lugares.

cardapio.pt @ 10-10-2026 17:05:09


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