3/7/2020 a 5/7/2020 "Turismo Infinito" e "al mada nada" juntam-se no palco online do Teatro Nacional São João

Dois “velhos” amigos e figuras expoentes da literatura portuguesa. Fernando Pessoa e Almada Negreiros têm encontro marcado na “sessão” dupla que compõe a programação digital deste fim de semana do Teatro Nacional São João (TNSJ). Turismo Infinito, história de uma eterna viagem pelas várias escritas de Fernando Pessoa, e al mada nada, retrato caleidoscópico de uma tradicional vila portuguesa, que parte de Saltimbancos, de Almada Negreiros, vão guiar o público pela eloquente expressão do ecletismo artístico de Ricardo Pais.

cardapio.pt @ 3-7-2020 16:57:08

"Turismo Infinito" ©João Tuna

"Turismo Infinito" ©João Tuna

As peças vão ser transmitidas esta sexta-feira, 3 de julho, a partir das 22h00, de forma seguida, no site, no Vimeo,  no Facebook e Instagram do São João. Os espetáculos ficam depois disponíveis para visualização até ao final do dia de domingo, 5 de julho.

Depois de se ter estreado em 2007, a “nave pessoana” de Ricardo Pais viajou por vários palcos internacionais, de São Paulo até Madrid, para voltar a atracar no seu cais original. Turismo Infinito é um mergulho na caixa negra que é a mente de Pessoa, reunindo várias personagens familiares, tanto heteronímicas como reais: Bernardo Soares, Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, o próprio poeta e aquela que foi a única mulher com quem este teve um envolvimento amoroso conhecido, Ofélia Queirós. Durante o espetáculo, o espetador é transportado numa excursão profunda pela pluralidade de personalidades que coabitam o consciente de Fernando Pessoa.


"al mada nada" © João Tuna

"al mada nada" © João Tuna

Já nesse recreio criado com inspiração no outro “poeta d’Orpheu e tudo”, Almada Negreiros, exploram-se os recantos de uma vila portuguesa à beira-mar onde, num quartel, se preparam à pressa soldados para participar numa guerra longínqua e por onde passa uma família de ciganos que promove um espetáculo de saltimbancos. Em al mada nada assiste-se a uma transição de contraste para um cenário exterior que em tudo alude à celebração instintiva do corpo e da sensualidade, enquanto se pinta um melodrama da pobreza nacional da época.

“Querem mais diferentes que estes dois?” Esta questão, colocada por Almada Negreiros, falando de si próprio e de Fernando Pessoa, aplica-se agora aos dois espetáculos que são apresentados pelo São João. Divergindo em tema e assunto, Turismo Infinito e al mada nada estão, no entanto, unidos pela partilha do dispositivo cenográfico de Manuel Aires Mateus e pela encenação de Ricardo Pais.

cardapio.pt @ 3-7-2020 16:57:08


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