Museu do Oriente recebe Ballet Real do Camboja
O Museu do Oriente recebe, no dia 6 de maio, às 21h30, no Auditório, um espetáculo inédito e grandioso, declarado pela UNESCO Obra-Prima do Património Oral e Imaterial da Humanidade: o Ballet Real do Camboja, famoso pelos graciosos gestos manuais e trajes magníficos, intimamente ligado à corte khmer há mais de mil anos e objeto de veneração por parte dos cambojanos.
cardapio.pt @ 16-4-2014 11:45:47
O Ballet Real do Camboja apresenta neste espetáculo quatro excertos da obra clássica Reamker, ou A Glória de Rama, sem sombra de dúvida o mais popular poema épico do Camboja. Foram os viajantes que, nos primeiros séculos da era cristã, trouxeram da Índia a epopeia do Ramayana e a contaram aos cambojanos, que a adotaram desde logo. Embora o enredo esteja muito próximo do original, o Reamker assumiu uma cor local no decurso de um longo processo de aculturação. Por outras palavras, o Ramayana é tão indiano como o Reamker é cambojano.
Tradicionalmente, o Ballet Real do Camboja acompanhava cerimónias reais como coroações, casamentos, funerais ou festividades kmers. Imbuída de uma função sagrada e simbólica, esta expressão artística personifica os valores tradicionais de pureza, respeito e espiritualidade. O repertório da companhia perpetua as lendas associadas às origens do povo khmer, razão pela qual os cambojanos sempre respeitaram esta tradição como símbolo da própria cultura.
No repertório clássico há quatro personagens distintas: Neang, a mulher, Neayrong, o homem, Yeak, o gigante e Sva, o macaco. Cada uma tem a sua cor, trajes, maquilhagem e máscaras próprios. Os gestos e as poses, trabalhados pelos bailarinos ao longo de anos de treino intenso, evocam toda a escala de emoções humanas, do medo à raiva e do amor à alegria. Uma orquestra acompanha a dança, enquanto um coro feminino vai comentando o enredo, chamando a atenção para as emoções expressas pelos bailarinos, que eram considerados os mensageiros do rei enviados aos deuses e antepassados.
O Royal Ballet praticamente desapareceu durante o repressivo regime dos Khmers Vermelhos, que mandou executar todos os grandes bailarinos e músicos. Logo após a derrota de Pol Pot, em 1979, as companhias de dança voltaram a aparecer recuperando as coreografias do antigo repertório. O ballet recuperou o seu antigo esplendor, embora lute ainda com dificuldades que poderão relegá-lo ao estatuto de “mera atração turística”.
cardapio.pt @ 16-4-2014 11:45:47
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