4/7/2026 a 31/10/2026 SAGG Napoli pela primeira vez no Museu de Serralves apresenta nova instalação IF WE STAY, WE STAY AWAKE
Até novembro na Galeria Contemporânea do Museu de Serralves
A Fundação de Serralves apresenta IF WE STAY, WE STAY AWAKE, a primeira exposição individual no Museu de Arte Contemporânea de Serralves de SAGG Napoli, artista multidisciplinar nascida em Nápoles. Concebida para a Galeria Contemporânea do Museu de Serralves, IF WE STAY, WE STAY AWAKE é uma instalação espacial e sonora que resulta de uma pesquisa sobre habitação social e processos de autoconstrução, com ponto de partida em diferentes bairros do Porto, incluindo as ilhas.
cardapio.pt @ 4-7-2026 19:22:52
IF WE STAY, WE STAY AWAKE tem curadoria de Inês Grosso, Curadora-Chefe do Museu de Serralves, e foi criada a partir de uma pesquisa desenvolvida no Porto e de referências provenientes do sul de Itália, em particular da região de Salento.
Com uma prática que atravessa a performance, o vídeo, a escultura, a fotografia, a escrita e a cultura digital, SAGG Napoli parte de uma relação crítica com a identidade napolitana para interrogar questões de classe social, género, regionalismo e saúde mental. A Estética do Sul, que é exuberante, precária e irónica, reinterpreta a cultura popular, a religião, o folclore e a mitologia, convocando figuras femininas rebeldes e arquétipos mediterrânicos. As suas intervenções, que se estendem das galerias ao espaço público e às redes sociais, desafiam as fronteiras entre arte e vida, entre cultura erudita e população.
A artista concebeu esta instalação espacial e sonora com o contributo especial do compositor e designer de som Matteo Pit. A obra reúne materiais, objetos e alterações recolhidos em contextos de habitação social e em construções autoconstruídas.
IF WE STAY, WE STAY AWAKE centra-se na forma como os habitantes intervêm nas suas casas, reparando-as, ampliando-as ou adaptando-as às exigências da vida quotidiana. A partir destas práticas, a artista questiona quem possui legitimidade para transformar o espaço doméstico e por que motivo determinadas intervenções são valorizadas como expressões de cuidado, arquitetura ou design, enquanto outras permanecem associadas à precariedade ou à informalidade.
A reflexão estende-se, assim, da escala do corpo para a da habitação: quem pode alterar o lugar onde vive e quem determina o significado dessas transformações? O encontro entre uma artista napolitana e a cidade do Porto não resulta de uma coincidência geográfica, mas da identificação de afinidades entre dois territórios marcados por formas distintas de construção e apropriação da casa. Sem estabelecer equivalências simplificadoras, o projeto coloca em diálogo o Sul de Itália e o Norte de Portugal, observando a forma como as habitações se modificam ao longo do tempo em resposta às necessidades dos seus moradores.
No Basso Salento, no Sul italiano, um dos contextos que a artista investiga há vários anos, muitas casas foram sendo construídas de forma gradual, acompanhando os recursos disponíveis e os saberes transmitidos entre gerações. Em vez de obedecerem a um desenho previamente definido, estas arquiteturas cresceram por sucessivas adições, refletindo as mudanças da vida familiar e das condições económicas.
Em Portugal, a participação direta dos moradores na definição do espaço habitado conheceu uma expressão singular através do SAAL, que procurou reconhecer o papel dos residentes na conceção e transformação das suas habitações. Embora separados por enquadramentos históricos, sociais e políticos muito diferentes, os dois contextos convergem na ideia de que a casa não é um objeto concluído, mas uma estrutura em permanente construção, capaz de acompanhar as transformações da vida.
Perante o agravamento da crise da habitação, esta questão adquire uma renovada urgência. A escalada dos preços, a deslocação de populações dos centros urbanos e a crescente pressão sobre os bairros reduzem a possibilidade de escolher onde e de que forma se habita. Neste cenário, a dignidade manifesta-se também na capacidade de conservar, reparar e adaptar a casa, de decidir sobre a sua configuração e de participar nas escolhas que moldam o espaço quotidiano. A autoconstrução revela-se, simultaneamente, uma resposta prática às necessidades de quem habita e uma afirmação de autonomia. Ao mesmo tempo, evidencia as fragilidades das políticas públicas, frequentemente incapazes de assegurar condições adequadas de espaço, conforto e conservação do património habitacional.
IF WE STAY, WE STAY AWAKE reafirma o papel da Galeria Contemporânea de Serralves como plataforma para vozes emergentes e práticas que expandem os limites da arte e da representação cultural. É produzida pela Fundação de Serralves — Museu de de Arte Contemporânea, tem curadoria de Inês Grosso, curadora-chefe do Museu de Serralves.
A exposição conta com o apoio à produção da Amorim Cork, e vai estar patente de até novembro de 2026.
Fotografia © nvstudio - Fundação de Serralves


cardapio.pt @ 4-7-2026 19:22:52
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