1/9/2025 a 5/7/2026 Teatro Nacional São João apresenta ao público um ano inteiro de espetáculos

Temporada setembro 2025 – julho 2026 traz 11 estreias absolutas em 31 espetáculos

Romeo Castellucci com Isabelle Huppert e Racine, Ricardo Pais com Pessoa e Almada, Victor Hugo Pontes com Manuel António Pina e A Garota Não, Nuno Carinhas com Walser, Miguel Loureiro com Nelson Rodrigues e Chiara Guidi com o seu teatro infantil O Teatro Nacional São João apresenta ao público um ano inteiro de espetáculos, com a(s) língua(s) portuguesa(s) e o teatro de repertório como linhas orientadoras da sua programação. A temporada setembro 2025 – julho 2026 traz 11 estreias absolutas em 31 espetáculos, entre os quais 3 produções próprias, 8 coproduções e 4 espetáculos internacionais. 

cardapio.pt @ 9-7-2025 14:08:00

Nuno Carinhas, Victor Hugo Pontes e Miguel Loureiro assumem a encenação das novas criações do teatro nacional portuense. Língua Brasileira de Felipe Hirsch/Tom Zé e homenagem ao encenador Ricardo Pais marcam o arranque da temporada. Isabelle Huppert encarna a Berenice de Racine pela mão de Romeo Castellucci. Chiara Guidi dá a ver, ler e ouvir o seu teatro infantil.

A programação artística do TNSJ para a temporada 2025-2026 é hoje anunciada num evento aberto ao público, que assumirá a forma de um passeio com paragens temáticas em diferentes espaços do São João, que incluem exposições, performances, instalações e conversas. Numa proposta que contempla a apresentação de 31 espetáculos nos palcos do Teatro São João e do Teatro Carlos Alberto, destacam-se as três novas produções próprias da casa, que renova a sua aposta no exercício da dramaturgia em língua portuguesa e do teatro de repertório. Em 2025, o TNSJ leva à cena Branca de Neve & Outros Dramalhetes, de Robert Walser, num regresso de Nuno Carinhas à encenação das criações do São João sete anos após deixar a direção artística da casa. Já em 2026, Victor Hugo Pontes assume a direção de Inventão, título provisório de um espetáculo que remistura em cena a obra dramática e poética de Manuel António Pina, com música de A Garota Não. A fechar a temporada, o TNSJ leva à cena O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues, uma encenação de Miguel Loureiro com um elenco integralmente brasileiro.

A nova programação do São João é ainda marcada pelo reforço de espetáculos para a infância e juventude, pelo acolhimento de espetáculos internacionais e pelo aprofundamento da responsabilidade social da instituição. Em 2026, o São João recebe Bérénice, de Jean Racine, peça central do repertório dramático universal, encenada por Romeo Castellucci e interpretada por Isabelle Huppert, dois nomes maiores do teatro europeu contemporâneo. E ainda Buchettino, um espetáculo histórico dirigido aos mais pequenos, com encenação de Chiara Guidi, uma das principais criadoras e pensadoras europeias do teatro para a infância.

Um programa especial para celebrar os 80 anos de Ricardo Pais

Ricardo Pais completa 80 anos em 2025. RP 80 é o programa que o Teatro Nacional São João dedica àquele que criou o seu ideário e pensou toda a sua estrutura. De 16 a 19 de outubro, RP 80 olha para a vida e obra de Ricardo Pais e declina-a em quatro momentos: a reposição de Turismo Infinito e de al mada nada; o lançamento de Despesas de Representação: Ditos e Escritos (1975-2025), livro que colige textos e entrevistas do encenador; e a realização de Estúdio 7, workshop dirigido a jovens atores, onde Ricardo Pais explora cenas emblemáticas de amor e sedução da dramaturgia universal.

3 novas produções próprias: Robert Walser, Manuel António Pina e Nelson Rodrigues em cena

Em novembro, o TNSJ estreia a primeira produção própria da temporada 2025-2026. Sete anos depois, Nuno Carinhas regressa ao Teatro Nacional São João para encenar Branca de Neve & Outros Dramalhetes, a partir de três poemas dramáticos do escritor suíço Robert Walser: Branca de Neve, Gata Borralheira e A Bela Adormecida. 

Durante a carreira no Teatro São João, de 20 de novembro a 14 de dezembro, há dois filmes inspirados na obra literária de Robert Walser para ver nos dois lados da Praça da Batalha, num ciclo denominado O Teatro Vai ao Cinema, O Cinema Vai ao Teatro, que marca o início de uma colaboração entre o TNSJ e o Batalha Centro de Cinema.

A defesa da língua e da literatura em língua portuguesa é um imperativo ético do TNSJ, refletindo-se ao longo de toda a sua programação e de modo particular nos projetos de produção própria. Nesta temporada, o TNSJ dá corpo às palavras de dois escritores e jornalistas: o portuense Manuel António Pina e o brasileiro Nelson Rodrigues.

Inventão é o título provisório do espetáculo criado a partir da obra de Manuel António Pina (1943-2012), que abraça o teatro, a poesia e as crónicas para construir um universo (en)cantado, dirigido pelo encenador e coreógrafo Victor Hugo Pontes e musicado por A Garota Não, um dos nomes mais vibrantes da música popular portuguesa contemporânea, que aqui faz a sua estreia no universo das artes performativas. Espetáculo musico-cénico, Inventão celebra o mundo às avessas de um dos nossos maiores poetas e autor da mais prolixa e importante obra dramática portuguesa para a infância e juventude. Estará em cena ao longo de um mês, de 12 de março a 12 de abril, no São João.

A terceira e última produção própria desta temporada dá palco à provocadora e polémica peça brasileira O Beijo no Asfalto (1960), de Nelson Rodrigues. Ao encenador Miguel Loureiro cabe a leitura desta “tragédia carioca”, numa encenação que respeita o português do Brasil, reunindo um elenco de atrizes e atores brasileiros/as residentes em Portugal, selecionados/as numa audição para a qual concorreram cerca de trezentas pessoas. Em cena de 18 de junho a 5 de julho, O Beijo no Asfalto fecha a temporada no Teatro São João.

Espetáculos do Brasil, França e Itália nos palcos do São João e do TeCA

A abrir a nova programação, entre 2 e 5 de outubro, o Teatro São João recebe um espetáculo vindo do Brasil, nunca apresentado na Europa. Língua Brasileira, com direção cénica de Filipe Hirsch e música e letras de Tom Zé, dois grandes nomes da cultura brasileira contemporânea, reúne em palco seis atores e quatro músicos para dar a ver e a ouvir a epopeia dos povos que formaram o português escrito e falado no Brasil. A apresentação do espetáculo no São João é o mote para, no dia 4 de outubro, questionar O que pode esta língua?, uma conversa entre Filipe Hirsch e o linguista Caetano Galindo, moderada pelo jornalista Nuno Pacheco, e para exibir Nossa Pátria Está Onde Somos Amados, documentário filmado por Felipe Hirsch no Museu da Língua Portuguesa de São Paulo.

De França, Sentinelles, com texto, encenação e cenografia de Jean-François Sivadier, chega ao palco do São João no próximo ano, entre 15 e 17 de janeiro. Sivadier inspirou-se em O Náufrago, romance onde o escritor austríaco Thomas Bernhard imagina as relações de um trio de pianistas virtuosos, para investigar as fronteiras sempre misteriosas entre o talento e o génio, a música e o teatro. Um dos grandes criadores cénicos franceses, Sivadier foi distinguido pela Academia Francesa com o Prix du Théâtre 2022 pelo conjunto da sua obra dramática.

Entre 17 e 19 de abril, com Bérénice, o São João testemunha o encontro de dois monstros sagrados do teatro europeu: Romeo Castellucci convidou Isabelle Huppert para afrontar o poema dramático de Racine. 

Ao revisitar o mito trágico de Berenice, Romeo Castellucci leva o seu teatro a um ponto de incandescência raro. Recusando procurar a atualidade da obra, o encenador italiano, cofundador das míticas Socìetas Raffaello Sanzio, convida-nos a imergir na cabeça de Berenice, e ninguém melhor do que Isabelle Huppert – uma das maiores atrizes do nosso tempo – para encarnar esta sublime abstração.

A programação internacional do TNSJ culmina com Buchettino, de Chiara Guidi, um espetáculo construído a partir do conto O Pequeno Polegar, de Charles Perrault. A artista e pedagoga italiana – um dos nomes centrais do teatro para a infância na Europa – propõe uma rara experiência sensorial, transformando o palco num contentor acústico com 50 camas, onde as crianças se deitam para ouvir a história narrada por uma atriz. 

Apresentado consecutivamente em todo o mundo há 30 anos, Buchettino está em cena no Teatro Carlos Alberto de 13 a 17 de maio. Para além de apresentar o espetáculo, Chiara Guidi estará no Porto para lançar o seu livro Teatro Infantil e para orientar o seminário Arte e Educação, a 15 e 16 de maio, no TeCA.

Um teatro nacional do e no Porto: coproduções com companhias da cidade em estreia absoluta

Em 2025-2026, o TNSJ reforça a sua colaboração com companhias de teatro sedeadas na região Norte, especialmente na cidade do Porto, encenando textos de grandes autores do repertório dramático universal. 

Na abertura da temporada, de 18 a 28 de setembro, o Ensemble – Sociedade de Actores estreia Vermelho, de John Logan, com encenação de Carlos Pimenta, um poderoso diálogo entre o pintor Mark Rothko, interpretado por João Reis, e o seu assistente Ken (Daniel Silva).

De 23 a 26 de outubro, é com a companhia lisboeta auéééu que o TNSJ estreia Woyzeck, a partir de Georg Büchner, uma das peças que anunciam o teatro moderno. De 6 a 16 de novembro, Santa Joana dos Matadouros, peça central do repertório de Bertolt Brecht, chega ao Teatro Carlos Alberto com o Teatro da Didascália, numa encenação de Bruno Martins. 

De 27 de novembro a 7 de dezembro, a Estrutura leva à cena Titus, uma reinterpretação da obra de William Shakespeare assinada por Cátia Pinheiro, Hugo van der Ding e José Nunes. O ano termina com a estreia de Carne, uma peça da dramaturga e encenadora Raquel S., numa coprodução com a companhia portuense Noitarder. 

De 18 a 21 de dezembro, no Teatro Carlos Alberto, o Natal será também sinónimo de amargura, ressentimento e frustração.

Entre janeiro e julho, num registo informal e de improviso, o Teatro da Palmilha Dentada organiza o ciclo de café-teatro Já Não Há Primaveras, a decorrer no Salão Nobre do São João. O ciclo compreende a apresentação de seis criações originais e de um espetáculo que resultará de uma ação de formação com alunos das escolas de teatro do Porto. Com este ciclo, o TNSJ reforça o Salão Nobre como espaço de socialização e de apresentação de pequenas manobras artísticas.

Já em 2026, de 22 a 31 de janeiro, Manuel Tur encena a peça Class Enemy, de Nigel Williams, uma coprodução do TNSJ com a 11zero2. Já o Ensemble – Sociedade de Actores volta ao palco do São João, de 12 a 22 de fevereiro, para estrear a peça O Fim, de António Patrício. 

A última das coproduções do TNSJ em estreia absoluta esta temporada é com a ASSéDIO Teatro. Isto É um Hitler Genuíno, de Marius von Mayenburg, com encenação de João Cardoso, apresenta-se no palco do TeCA de 16 a 26 de abril. Ao longo da temporada, há ainda outros espetáculos com o selo TNSJ para ver, como Agustinópolis, uma produção do Teatro O Bando com encenação de João Brites a partir de textos de Agustina Bessa-Luís, em cena no palco do São João entre 30 de outubro e 2 de novembro.

Reforço da programação para a infância e juventude

A programação do Centro Educativo do TNSJ é reforçada esta temporada com mais espetáculos dirigidos a crianças e jovens em idade escolar apresentados no palco do Teatro Carlos Aberto. 

De destacar as apresentações de Bonecos, uma criação coletiva apresentada no âmbito do Festival Internacional de Marionetas do Porto, nos dias 17 e 18 de outubro; de Um Poeta em Forma de Assim – Visita guiada à cabeça de Alexandre O’Neill, uma criação de Malu Vilas Boas, de 5 a 8 de março; e de Hamlet Sou Eu, um espetáculo do Teatro Praga concebido por Cláudia Jardim, Diogo Bento e Pedro Penim, de 18 a 21 de março. Para além das produções próprias da casa, integra ainda a programação para os públicos infanto-juvenis a encenação de Maria João Vicente do romance Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco, que regressa ao palco do TeCA de 12 a 22 de fevereiro. 

Lugares Invisíveis, de Daniela Cruz e Nuno Preto, está também de regresso aos bastidores do São João de 30 de maio a 1 de junho. 

A oitava edição de Visitações, o projeto âncora do Centro Educativo, é nesta temporada inspirada pela obra dramática e poética de Manuel António Pina, com direção de Manuel Tur.

Concertos, um baile de máscaras e experiências com a voz

Paralelamente à programação teatral, a nova temporada do Teatro Nacional São João fica completa com mais um conjunto de iniciativas que atravessam a música e a exploração da voz como matéria criativa. 

Para além do ciclo de concertos MUSICAL-MENTE – nesta edição com prelúdios sobre o humor –, o Teatro São João recebe um Concerto de Reis, por Pedro Burmester, nos dias 6 e 8 de janeiro. 

O Dia Mundial do Teatro será assinalado com um Baile de Máscaras no Teatro São João. A fechar a programação, de 9 a 12 de julho, há ainda um Festival da Voz, organizado pela associação cultural Sonoscopia, com instalações, concertos, conferências e criações comunitárias.

Aprofundar a responsabilidade social da instituição

No quadro da sua política de responsabilidade social, o Teatro Nacional São João aprofunda o seu compromisso com a inclusão e a acessibilidade. A par dos projetos e iniciativas de carácter educativo e social que já desenvolve, o TNSJ está a promover para o biénio 2025-2027 outros modos de relacionamento com populações marginalizadas ou desfavorecidas.

Reclusos. Partindo da obra Memórias do Cárcere de Camilo Castelo Branco, o TNSJ convidou a companhia Terceira Pessoa a desenvolver a partir de outubro de 2025 um projeto participativo e pluridisciplinar com o objetivo de cocriar um espetáculo de teatro com reclusos do Estabelecimento Prisional de Vale do Sousa a ser apresentado, em 2026, ao público interno do Estabelecimento Prisional e, em 2027, aos públicos do Teatro Nacional São João (Porto) e do Theatro Circo (Braga), coprodutor deste projeto.

Sem-abrigo. Em 2024, o TNSJ começou a preparar caminho para, em estreita colaboração com várias entidades públicas e associações, realizar atividades e projetos que excedem o problema que se vive na Praça da Batalha – onde mais de uma dezena de pessoas se encontra atualmente alojada nas fachadas laterais do Teatro São João –, com o objetivo de promover a integração de pessoas em situação de emergência social. Para reforçar este propósito, foi lançado um convite a uma companhia do Porto para desenvolver em 2026 um projeto de palco que envolva pessoas em situação de sem-abrigo.

Migrantes. Nos últimos anos, milhares de pessoas migrantes têm vindo a instalar-se na Área Metropolitana do Porto, mudando radicalmente a geografia humana deste território. O TNSJ confiou ao encenador Marco Martins e à sua equipa do Arena Ensemble um desígnio: mapear esta realidade, respeitar as diferentes identidades destas pessoas e construir com elas um universo de ficções que transcendam o horizonte sociológico. Com início marcado para o segundo semestre de 2026, este projeto culminará num espetáculo a apresentar, em 2027, num dos palcos do Teatro Nacional São João.

Fotografia @José Caldeira

cardapio.pt @ 9-7-2025 14:08:00


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