Novidades Leya em Junho - Entre Manjericos e Livros
O mês de Junho chega com o cheiro a manjerico e sardinha assada no ar, com ruas enfeitadas por arcos e balões de papel. É o mês dos Santos Populares — Santo António, São João e São Pedro — e com eles, vêm as marchas, os arraiais e a alegria partilhada nas ruas de norte a sul de Portugal. Mas entre um bailarico e uma cascata, também há tempo para um momento mais sereno: aquele instante em que nos sentamos com um livro nas mãos e deixamos que as palavras nos embalem como uma melodia de festa. Afinal, ler também é celebrar — o pensamento, a imaginação, as histórias que fazem parte de quem somos.
cardapio.pt @ 29-5-2025 11:23:11
As tradições populares que celebramos em junho estão cheias de histórias: lendas de santos, cantigas antigas, costumes passados de geração em geração. Que melhor forma de honrar esse património do que através da leitura? Desde contos populares portugueses a romances que retratam as nossas raízes, há um mundo de livros que nos liga às festas que enchem este mês de cor e sentido.
Neste junho, entre um copo de vinho e um caldo verde, entre uma quadra e um bailarico, reserve um instante para a leitura. Porque um livro, tal como uma festa, também nos junta — connosco mesmos, com os outros, com o mundo.
Cruzeiros de Inverno de Mário Cláudio
Editora: Dom Quixote
Sinopse: Que terão em comum um jovem músico a quem pedem o impensável, uma ilustradora que reclama um papel que não terá – nem como artista, nem como amante – e um ministro eternamente noivo que é humilhado publicamente por actos vergonhosos?
Talvez apenas uma viagem, e o lugar obscuro aonde todos irão parar na sequência daquilo a que Balzac chamou um «poema sublime de melancolia».
«A Gôndola Negra», «Menina Sentada» e «Os Cães de Hécate» são novelas curtas que compõem, muito ao gosto do autor, mais um tríptico notável, no qual acompanharemos as vidas necessariamente curtas e problemáticas de três personagens reais – Carlos Relvas, Ofélia Marques e José Corrêa d’Oliveira –, bem como o quotidiano dos que, graças à capacidade ficcional do autor, desenterram para nós as suas histórias, como a jornalista histérica em busca de mais um escândalo, o coleccionador obcecado em expor a obra da artista que conheceu nos livros da infância, ou um par de investigadores da Judiciária especialmente interessados em desvendar uma série de atentados ao pudor.
Esta é uma obra de que emanam o humor e a verve que só Mário Cláudio – um dos mais consagrados escritores portugueses – consegue resgatar a percursos de vida tão singulares e tão pouco conhecidos dos leitores.
Lobos de Tânia ganho
Editora: Dom Quixote
Sinopse: Fedra passou mais de vinte anos nalguns dos piores lugares da Terra. Depois de ter estado no Ruanda, Kosovo, Iraque, Mali, a antropóloga forense regressa por fim a casa. O seu novo trabalho no Instituto de Medicina Legal obriga-a a mergulhar diariamente nas profundezas sórdidas da dark net, uma experiência irreparavelmente solitária.
Stefan vive na cabana que construiu numa floresta. Após décadas de nomadismo, o antigo repórter de guerra alemão leva uma vida de eremita, procurando na sua relação com a natureza um contraponto à crueldade humana que testemunhou.
Leonor, uma adolescente de 14 anos, isola-se no apartamento familiar, num bairro privilegiado de Lisboa, após ser vítima de um crime sexual. Helena, a mãe, revela-se incapaz de lidar com o trauma e refugia-se numa obsessão que ameaça destruí-la a ela e à filha.
Nos bastidores destas vidas que se entrelaçam, Amélia, uma mulher no limite da memória e da sobrevivência, guarda a chave de um mistério que poderá nunca ser desvendado.
O regresso de Tânia Ganho à ficção apresenta-nos pessoas que enfrentam os seus demónios num momento de viragem das suas vidas e do mundo.
Suspeitos de LESLEY PEARSE
Editora: ASA
Sinopse: Cuidado com o que desejas…
Nina e Conrad Best estão nas nuvens com a sua nova casa, a primeira que compram juntos. Sentem-se preparados para começar uma nova fase das suas vidas e Willow Close parece ser o lugar perfeito.
Mas rapidamente percebem que algo está errado.
No dia em que se mudam, encontram um grupo de vizinhos reunidos junto a um cordão policial. Umas das moradoras foi assassinada, o seu corpo encontrado no bosque.
A polícia acredita que alguém viu o assassino, mesmo que inadvertidamente, e decide entrevistar todos os moradores. Mas cada vizinho guarda seus próprios segredos. E todos eles estão longe de ser o que parecem à primeira vista. Coisas estranhas, até mesmo sombrias, acontecem atrás das suas portas fechadas…
Nina e Conrad pensavam ter realizado um sonho.
Estarão perante um pesadelo?
Ibéria Sob o Luar de Cruïlles de Maria do Carmo Marques Pinto
Editora: Casa das Letras
Sinopse: Numa Península Ibérica à beira da rutura, com movimentos de independência a desafiar o poder central, Portugal encontra-se numa encruzilhada diplomática. Inês Saldanha, diplomata de carreira, é enviada para Barcelona com a missão de mediar a crise. Mas o passado regressa para a assombrar: Eduard Raventós, seu amor de juventude e agora líder carismático da Catalunha, coloca-a perante um dilema entre o dever e a paixão. Enquanto Inês navega por negociações complexas e alianças incertas, descobre uma teia de segredos e conspirações que ameaça a estabilidade da região.
Entre Lisboa e Barcelona, entre o presente e as memórias, ela terá de decidir onde reside a sua lealdade e até que ponto está disposta a ir para proteger aquilo em que acredita.
Ibéria é um romance absorvente que pinta um retrato apaixonante da alma ibérica e dos desafios da Europa contemporânea.
A Paixão do Infante de João Fernando Ramos
Editora: Oficina do Livro
Sinopse: Um romance ousado sobre uma das figuras mais misteriosas da história de Portugal.
A Paixão do Infante é um fascinante ponto de encontro entre lendas, relatos históricos e a imaginação do seu autor, o jornalista João Fernando Ramos, que transporta os leitores a um passado longínquo e glorioso.
Terá sido o Infante D. Henrique o religioso, casto e celibatário, que ficou para a História? Que paixão inconfessável e arrebatadora levou o grande impulsionador dos Descobrimentos a recusar várias pretendentes, desiludindo o pai, D. João I, que sonhava com um casamento feliz para o filho predileto? Que amor foi esse que impôs barreiras intransponíveis a Henrique e moldou os destinos do reino de Portugal?
O Infante de Sagres é uma das personagens mais importantes da nossa História, mas faltam registos sobre a sua vida que não se prendam com intrigas na corte ou os planos de expansão marítima que o imortalizaram. Pouco sabemos sobre os amores de Henrique, é certo, mas a promoção de Leonor de Aragão ao estatuto de rainha de Portugal, através do matrimónio com o irmão do Infante, D. Duarte, esconde um mistério sobre o qual este romance tenta trazer alguma luz…
Um relato apaixonante sobre uma das maiores figuras do passado português e a mitologia de uma nação.
Queridos Filhos! de Eduardo Sá
Editora: Lua de Papel
Sinopse: Ser pai ou mãe, não é fácil. Ainda mais agora, sob o olhar atento das redes sociais, de influencers, de coaches e psicólogos. Ser pai ou mãe é profissão de risco, hipervigiada por uma sociedade que só aceita a perfeição. E que impõe regras tão certeiras, que aos pais só lhes resta sentir que ficam sempre um pouco aquém. E por isso sentem-se culpados. Mas não deviam! Porque os pais saudáveis zangam-se, ficam elétricos e impossíveis, cansam‑se e resmungam, a ponto de precisarem de férias de pais. E precisam de férias! Mas porque não passam sem os filhos, entregam‑se a eles perdidamente, mesmo que por vezes não os percebam, não entendam o que lhes é pedido, fiquem perplexos com os seus livros de reclamações.
Por isso tudo, Eduardo Sá decidiu escrever Queridos Filhos! Não é um livro de instruções que transforme pais empenhados em tecnocratas da parentalidade.
Não é um tutorial sem pés nem cabeça, que ensine fórmulas que nenhum ser humano consiga cumprir à risca. É, antes, um livro sobre a liberdade dos pais.
Chega de livros que dizem aos pais que, para serem bons pais, não deviam errar! Nem tentar. Nem falar alto. Nem ficar, de vez em quando, à beira de um ataque de nervos. Os pais saudáveis precisam de errar sem que haja alguém a culpá‑los por eles quererem ser “só” bons pais.
O Cancro É uma M*rda de Joana Gonçalves
Editora: Oficina do Livro
Sinopse: Desafiando as narrativas convencionais, Joana Gonçalves atira o verniz da positividade tóxica pela janela e partilha, sem filtros e com uma honestidade avassaladora, a sua experiência com o cancro de mama. Longe de ser um conto de fadas cor-de-rosa, eis um relato visceral e sem rodeios da montanha-russa emocional e física que a doença impõe.
Com uma voz que alterna entre o sarcasmo afiado e a vulnerabilidade crua, Joana desmistifica a jornada do paciente oncológico e desconstrói a ideia romantizada de «guerreiro» do cancro. Não se apresenta como heroína, mas como uma mulher real, que navega pelo labirinto de diagnósticos, tratamentos excruciantes e os incontáveis «efeitos secundários» que ninguém te prepara verdadeiramente para enfrentar, oferecendo uma perspetiva autêntica e, por vezes, bem-humorada sobre a luta contra a doença.
Joana não tem medo de usar a palavra «merda» porque, muitas vezes, é exatamente isso que o cancro é. Mas, no meio da adversidade, encontra uma teimosa capacidade de seguir em frente.
O Cancro É Uma M*rda é um companheiro honesto para quem está a viver a doença, para os que amam quem a está a viver, e para todos os que procuram uma perspetiva real e sem floreados sobre o que significa enfrentar um dos maiores desafios da vida.
Com prefácio de Luís Pedro Nunes, que partilha a sua visão como companheiro durante a jornada de Joana, neste livro é celebrada a resiliência humana, temperada com a dose certa de humor negro e uma honestidade que desarma.
Nuno Álvares Pereira de Jaime Nogueira Pinto
Editora: Dom quixote
Sinopse: Num tempo em que a nação volta a estar no centro da política das grandes potências, a originalidade do nacionalismo defensivo e identitário da revolução portuguesa de 1383-1385 ganha nova actualidade.
Foi graças à vontade política de Nuno Álvares Pereira, ao seu génio militar e à sua integridade que os portugueses, na grande crise do século XIV, conseguiram derrotar as forças de D. João de Castela, contrariando a ordem internacional dinástica que os tornava súbditos de um rei estrangeiro.
Mas o que sabemos do «cavaleiro-monge» que foi motor e braço do movimento interclassista e protodemocrático que guardou a nação independente, preparando-a para o novo tempo português de navegação e expansão além-mar? Pode um santo ser guerreiro e um guerreiro ser santo?
Jaime Nogueira Pinto reconstitui o carácter e o percurso excepcional de Nun’Álvares, entre as intrigas da corrupta corte fernandina e o poder e a glória da Casa de Avis, nas horas difíceis da revolução de Lisboa e nas batalhas de Atoleiros Aljubarrota e Valverde.
Interpretando e integrando a História portuguesa na História europeia medieval, marcada pela Guerra dos Cem Anos, e a partir de uma releitura das fontes tradicionais, o autor transporta-nos para o tempo e para o lugar do pajem, do cavaleiro, do chefe militar e do homem de fé da Guerra da Independência.
cardapio.pt @ 29-5-2025 11:23:11
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