Novidades editora Orfeu Negro em 2026
cardapio.pt @ 14-1-2026 18:05:32
Violência e feminismo, psiquiatria colonial/pós-colonial e ecologia, arte e vida,
estes são os destaques para 2026.
UMA TEORIA FEMINISTA DA VIOLÊNCIA de Françoise Vergès, com tradução de Pedro Elói Duarte
Publicação em Janeiro
Sinopse: Os debates em torno da igualdade de género são um repertório de violência: assédio, violação, abuso, feminicídio. Palavras que designam uma realidade cruel, mas escondem outra: a da violência de género cometida com a cumplicidade do Estado. Em UMA TEORIA FEMINISTA DA VIOLÊNCIA, Françoise Vergès denuncia a viragem carcerária na luta contra o sexismo e a obsessão punitiva do Estado, que, ao centrar-se nos «homens violentos», omite a origem da sua violência.
FRANÇOISE VERGÈS é politóloga, historiadora, especialista em estudos pós-coloniais, ativista e feminista antirracista. Formou-se em Ciências Políticas e Estudos Feministas na Universidade do Estado de San Diego e doutorou-se em Teoria Política na Universidade da Califórnia, em Berkeley. É autora de várias obras e ensaios sobre o abolicionismo, a psiquiatria colonial e pós-colonial, a memória da escravidão e novas formas de colonização e racialização.
Da autora na Orfeu Negro: Decolonizar o Museu, Um Feminismo Decolonial
ROSA: HISTÓRIA DE UMA COR de Michel Pastoureau com tradução de José Alfaro
Publicação em Janeiro
Sinopse: Adorado e odiado, o rosa tem hoje uma conotação de género tão forte, que é difícil imaginá-lo com outro significado. Tendo sido no século XVIII uma cor marcadamente masculina, ao longo da sua história associou-se ao romantismo e à excentricidade, ao recato mas também à vulgaridade. Decisivo na feminização do cor-de‑rosa foi o lançamento da boneca Barbie, em 1959, que viria a desencadear uma nova vaga de lutas feministas. Em ROSA: HISTÓRIA DE UMA COR, Michel Pastoureau reconstitui a longa e turbulenta saga desta cor controversa na Europa, desde a Antiguidade até aos nossos dias.
MICHEL PASTOUREAU, historiador francês, é um dos maiores especialistas na simbólica das cores e em heráldica. Director de estudos emérito da École Pratique des Hautes Études, onde ocupou a cátedra de História da Simbólica Ocidental, recebeu, em 2010, o Prémio Médicis para ensaio com Les couleurs de nos souvenirs. Tem publicado diversos estudos dedicados à história das cores, dos animais e dos símbolos.
Do autor na Orfeu Negro: Branco, Amarelo, Vermelho, Verde, Azul, Preto
A FELIZ E VIOLENTA VIDA DE MARIBEL ZIGA de Itziar Ziga com tradução de Margarida Amado Acosta
Fevereiro 2026
A FELIZ E VIOLENTA VIDA DE MARIBEL ZIGA retrata uma infância marcada pela brutalidade de um pai violento e de uma mãe que, contra toda as adversidades, tenta criar as filhas com amor e liberdade. Mais do que um relato de violência doméstica, Itziar Ziga encontra na história da sua mãe, Maribel, reverberações com a de tantas outras mulheres, enredadas nas múltiplas violências patriarcais e macropolíticas que sustêm as sociedades ocidentais. Escrito a partir da dor, de voos furtivos às recordações da violência, este é um exercício de reparação pessoal e colectiva, inflamado de raiva e de alegria de viver.
ITZIAR ZIGA é jornalista, performer pós-pornográfica e activista feminista. Nasceu num bairro popular de Errenteria, no País Basco, e mais tarde mudou-se para Barcelona, depois de concluir os estudos de jornalismo. Teve vários empregos precários, militou na Frente de Libertação Gay da Catalunha, participou em revistas feministas e no colectivo Post-Op, grupo de activistas queer e pós-pornográficos. Desde Devenir perra (2009), prefaciada por Virginie Despentes e Paul B. Preciado, publicou mais cinco obras das quais se destaca: El género desordenado (2010), Glamur i resistència (2011) e Malditas (2014).
SEM LIMITES, SEM VERGONHA de May Ayim com tradução de Gilda Lopes Encarnação
Publicação em Fevereiro
Sinopse: SEM LIMITES, SEM VERGONHA reconstitui o percurso pessoal, os estudos, as viagens, a investigação, a poesia e as intervenções públicas de May Ayim, uma das figuras mais influentes do movimento negro na Alemanha. Publicada em 1997, um ano após o seu suicídio, May Ayim reuniu nesta obra os seus ensaios, entrevistas e discursos mais importantes, produzindo um inventário do racismo, da discriminação, da intolerância e da exclusão na Alemanha reunificada. O seu trabalho não só fez avançar os direitos e a representação das comunidades afrodescendentes, como marcaria os estudos pós-coloniais alemães, colocando May Ayim na linha de frente das lutas feministas e anti-racistas globais.
MAY AYIM (1960-1996) foi uma poeta, investigadora, educadora e activista ganesa-alemã. Cresceu numa família adoptiva na Renânia do Norte-Vestefália, estudou psicologia e pedagogia em Regensburg e concluiu a formação em terapia da fala em Berlim. Trabalhou de perto com Audre Lorde, fundou a iniciativa Schwarze Deutsche und Schwarze in Deutschland [Negros Alemães e Negros na Alemanha], uma das primeiras organizações afro-alemãs no país. Antes da sua morte trágica e prematura em 1996, após anos de depressão que a levaram ao suicídio, Ayim deu voz a uma geração de mulheres e homens afro-alemães marginalizados, isolados e privados de uma identidade cultural mais vasta.
O SEXO QUE NÃO É UM SEXO de Luce Irigaray com tradução de Pedro Elói Duarte
Março 2026
Clássico do feminismo psicanalítico e obra de referência dos estudos de género, O SEXO QUE NÃO É UM SEXO é uma aventura reflexiva profunda sobre o estatuto da mulher no discurso filosófico ocidental e na teoria psicanalítica, particularmente incisiva nas questões da diferença entre os sexos. Ao longo de onze ensaios, Luce Irigaray interroga as estruturas de linguagem e de pensamento centradas no homem. Serve-se para isso de uma prática de escrita que desconcerta a uniformidade de um discurso, a monotonia de um género, a autocracia de um sexo. Se um «falar mulher» é possível, este é um primeiro passo em direcção a um discurso feminino.
LUCE IRIGARAY (n. 1930) é filósofa, linguista e psicanalista feminista. Crítica dos modelos psicanalíticos tradicionais e reconhecida pelas suas contribuições para a teoria feminista, Irigaray ganhou notoriedade com a controversa obra Speculum. De l’autre femme, que a levou à marginalização dentro da comunidade psicanalítica. Conhecida pelo seu estilo de escrita inovador, influenciou teóricas como Julia Kristeva, Teresa de Lauretis e Judith Butler.
AO LONGE A LIBERDADE Ensaio sobre Tchékhov de Jacques Rancière com tradução de Pedro Elói Duarte
Abril 2026
Um dia, por acaso, num qualquer lugar, a rotina da servidão é interrompida por uma aparição: a liberdade está lá, ao longe, acenando e indicando que outra vida é possível. A partir dos contos de Tchékhov, Jacques Rancière revela as formas discretas de resistência que assombram os seus relatos — uma fuga sonhada, uma recusa silenciosa, um amanhecer incerto — e que criam, na espessura cinzenta do quotidiano, brechas onde se esboça a ideia de outra vida. AO LONGE A LIBERDADE ressoa com a nossa própria época: como esperar sem ilusões, como continuar a lutar pela liberdade num mundo saturado de resignação?
JACQUES RANCIÈRE é filósofo e professor emérito da Universidade de Paris VIII. Com vários títulos publicados nas áreas da história, da política, da filosofia e da estética, tornou-se uma referência fundamental do pensamento contemporâneo.
Do autor na Orfeu Negro: As Viagens da Arte,
O Espectador Emancipado, O Destino das Imagens,
Os Intervalos do Cinema, Béla Tarr: O Tempo do Depois,
A Fábula Cinematográfica
AMOR E DINHEIRO, SEXO E MORTE de McKenzie Wark
Setembro 2026
McKenzie Wark tem uma carreira académica de sucesso, um casamento de vinte anos, dois filhos, uma vida estável e bem encaminhada, quando uma crise profunda a leva a pôr tudo em causa. Ao chegar à meia-idade, McKenzie Wark declara-se uma mulher trans. Começa então o difícil caminho para reelaborar a sua relação com o mundo, o seu papel social, o seu corpo e outro aspecto subterrâneo: a memória. A transição de género obriga-a a revisitar as suas recordações e a reescrever o passado. Nesta série de cartas dirigidas à sua infância, à mãe, à irmã, aos amantes de ontem e de hoje, às irmãs trans e à deusa Cibele, Wark reflecte sobre os grandes temas que nos assombram a todos: AMOR E DINHEIRO, SEXO E MORTE.
MCKENZIE WARK é professora de Estudos Culturais e dos Média e directora do programa de Estudos de Género no Lang College da New School for Social Research em Nova Iorque. É autora de obras teóricas inovadoras centradas no legado cultural e político da Internacional Situacionista, bem como nas mudanças sociais e culturais produzidas pela incursão das tecnologias de informação na vida quotidiana, das quais se destacam Um Manifesto Hacker, Gamer Theory e Capital is Dead. Nos últimos anos, adoptou o registo autoficcional e autoteórico na sua escrita, em obras como Reverse Cowgirl, Philosophy for Spiders e Raving (Orfeu Negro, 2025).
AS ALMAS DAS GENTES NEGRAS de W.E.B. Du Bois com trad. Guilherme Pires Prefácio Cristina Roldão
Outubro 2026
Obra seminal no campo da sociologia e um marco na história literária afro-americana, AS ALMAS DAS GENTES NEGRAS, publicada pela primeira vez em 1903, tem, por fim, a sua edição portuguesa. Entrelaçando sociologia, história, autobiografia, ficção e manifesto, W.E.B. Du Bois investiga, ao longo de catorze ensaios, o conceito de «dupla consciência», termo de que se serve para descrever a experiência de viver como afro-americano e ter a «sensação de estar sempre a olhar para si mesmo através dos olhos dos outros». A sua visão abrangente da natureza humana influenciou decisivamente as lutas pelos direitos civis e as discussões sobre raça e etnicidade nos Estados Unidos. Hoje, As Almas das Gentes Negras permanece um importante documento da história social e política norte-americana.
William Edward Burghardt Du Bois, mais conhecido como W.E.B. DU BOIS (1868-1963), foi um sociólogo, historiador, autor, editor e activista afro-americano e o líder negro mais importante das lutas pelos direitos civis durante a primeira metade do século XX. Participou na criação da Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor (NAACP), em 1909, e editou a revista The Crisis, de 1910 a 1934. O seu trabalho desafiou as visões racistas dominantes e estabeleceu para o campo da sociologia um método científico mais rigoroso em investigação social.
cardapio.pt @ 14-1-2026 18:05:32
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